Arquivos mensais: abril 2014

Isto Posto … Tiradentes: herói necessário ou conveniente.

Durante a Educação Fundamental,210px-Tiradentes_Esquartejado_(Pedro_Américo,_1893) o senhor Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746/1792), um ativista político do Brasil Colônia (1530-1815), é-nos mostrado como um grande herói nacional, pois desafiou a força da Coroa Portuguesa para instituir no Brasil uma república aos moldes francês ou Estadunidense. Para tal se valeu, juntos com outros intelectuais, da insurreição contra a ganância de Dom João V em cobrar impostos cada vez maiores, a fim de custear o luxo dos nobres portugueses.

O estopim da revolta fora a instituição da Derrama, medida administrativa que permitia a cobrança forçada de impostos com prisão do devedor, de modo que fosse garantido o chamado Quinto, imposto pago semestralmente em arrobas de prata ou ouro destinadas a Real Fazenda.

O movimento se iniciaria na noite da insurreição: os líderes inconfidentes sairiam às ruas de Vila Maria dando vivas à República, com o que ganhariam a imediata adesão da população. Porém, antes que a conspiração se transformasse em revolução, em 15 de março de 1789 foi delatada aos portugueses por Joaquim Silvério dos Reis e outros sacripantas a serviço de Portugal.

Daí, a revolta foi sufocada e Tiradentes esquartejado e exibido aos pedaços pelas ruas para servir de exemplo. O Alferes foi sumariamente condenado pelo o crime de lesa-majestade, tão abominável como uma blasfêmia contra Deus, segundo consta dos anais da História:

“Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu Real Estado, que é tão grave e abominável crime, e que os antigos Sabedores o comparavam à lepra; porque assim como esta enfermidade enche todo o corpo, sem nunca mais se poder curar, e empece ainda aos descendentes de quem a tem e aos com quem ele conversa. Pelo que é apartado da comunicação da gente: assim o erro de traição condena o que a comete, e empece e infama os que de sua linha descendem, posto que não tenham culpa.”

Entretanto, o mais notável nessa história trágica é como Tiradentes, ao longo dos anos, a depender de quem estivesse governando o Brasil, se militar ou civil, passou de bandido a herói segundo as conveniências do momento político.

Hoje, talvez devido à falta de instrução ou coragem dos brasileiros em coroar seus heróis verdadeiros como os Índios, Zumbi dos Palmares, Francisco Julião, Josué de Castro, as Vítimas do Regime Militar, dentre tantos outros que arriscaram sua segurança, sua vida em prol de construir um Brasil melhor, a exemplo dos sindicalistas tratados como bandidos por partidos de direita ou de esquerda – cite-se o soldado baiano preso pelo governo do PT – ou assassinados como Chico Mendes, Tiradentes seja, ainda o melhor exemplo de heroísmo que este país tem: Herói forjado na mentira e manipulável conforme os interesses de políticas mesquinhas e genocidas.

Isto Posto… Nunca é inoportuno lembrar que heróis de verdade são aqueles que perseguem um ideal de justiça como os camponeses trucidados, diariamente, por grileiros nos rincões do Brasil ou bravos soldados baianos que resistem à tirania de gerentes do Capital.

Por: Adão Lima de Souza

Morre Rubin “Hurricane” Carter, boxeador eternizado por Bob Dylan

22b06b3711c2e64cd07f40921ddb54adMorreu neste domingo, aos 76 anos de idade, Rubin “Hurricane” Carter, ex-boxeador norte-americano cuja injusta condenação à prisão, sob acusação de assassinato, se converteu em um símbolo internacional de injustiça racial.

Ele estava internado com câncer de próstata, em Toronto, no Canadá, país que adotou como lar após ter deixado New Jersey, sua terra natal. John Artis, um velho amigo do ex-pugilista, disse que o mesmo morreu enquanto dormia.

Carter ficou 19 anos preso sob acusação de ter matado três pessoas brancas em um bar de Petersen, no Estado de New Jersey, em 1966, em um tempo de intensa segregação racial nos Estados Unidos. Foi declarado culpado ao lado do amigo Artis em 1967 e depois em um novo julgamento em 1976.

Carter foi liberado da prisão em 1985, quando todas as acusações contra ele foram retiradas pela Justiça depois de anos de apelações e ativismo público. O seu caso gerou repercussão mundial e acabou motivando Bob Dylan a compor a música “Hurricane”, lançada em 1975, na qual o lendário músico fala sobre a época em que o ex-boxeador passou na cadeia “por algo que nunca fez”. O ator foi retratado na capa de um dos discos do artista, cujo nome é justamente “Hurricane”.

A história de Rubin Carter também virou tema de livros e filmes, sendo o mais conhecido deles protagonizado por Denzel Washington, em 1999, quando foi lançado “The Hurricane” nos cinemas de todo mundo. O ator foi indicado ao Oscar por sua interpretação na película, na qual fez o papel do boxeador prisioneiro.

As condenações por homicídio encerraram de forma abrupta a carreira de Carter, que era famoso pela ferocidade dos seus golpes e acumulou um cartel de 27 vitórias, sendo 17 delas por nocaute, além de 12 derrotas e um empate. Em uma luta histórica, ele chegou derrotar Emile Griffith, detentor de dois cinturões de campeão mundial, ao nocauteá-lo no primeiro assalto, em 1963.
Ele também lutou pelo título mundial peso médio em 1964, mas perdeu o combate por decisão unânime para Joey Giardello.

Em junho de 1966, três pessoas de cor branca foram baleadas por dois homens negros no “Lafayette Bar and Grill”, em Paterson, e Carter e Artis foram declarados culpados por um júri branco em grande parte por causa do testemunho dado por dois ladrões, que anos mais tarde, em 1974, depois retificaram seus depoimentos e se retrataram. Porém, dois anos depois, Hurricane foi preso novamente após novo julgamento, após uma testemunha acusá-lo novamente de assassinato.

BOB DYLAN

Autor da antológica música inspirada em Carter, Bob Dylan conheceu a difícil situação do pugilista ao ler a biografia do mesmo. Ele se reuniu com o então boxeador e juntos eles escreveram “Hurricane”, na qual o músico enfatizou, entre outras coisas, que o período na prisão impediu o lutador de se tornar campeão do mundo.

Neste domingo, quando foi informado sobre a morte de Carter, Denzel Washington lamentou a mesma e destacou em um comunicado: “Deus abençoe a Rubin Carter e sua luta incansável para garantir a justiça para todos”.

Depois de ser libertado da prisão, em 1985, e ir viver no Canadá, o ex-boxeador norte-americano fundou uma associação que luta até hoje pelos direitos de presos que foram condenados injustamente.

Fonte: JC online.

As favelas do Rio reagem à violência policial depois de mais de 500 mortos por mês e milhares de desaparecidos

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RIO DE JANEIRO – A insegurança piorou de forma alarmante no último ano. A ONG Rio de Paz resumiu as estatísticas publicadas durante os últimos oito anos (2007-2014) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio do Janeiro.

E os números são alarmantes: no Estado de Rio, foram registados neste período, 35.879 homicídios dolosos, 285 lesões corporais seguidas de morte, 1.169 roubos seguidos de morte, 5.677 mortes derivadas de intervenções policiais, 155 policiais militares e civis mortos em ato de serviço.

Total: 43.165 falecidos. Ou seja, mais de 500 mortes por mês provocadas por uma violência desmedida. Esses números não levam em conta os mais de 38.000 desaparecidos nem as mais de 31.000 tentativas de homicídio.

No Complexo da Maré, recém-ocupado pelo Exército brasileiro, também foram registrados nos últimos dias duas mortes de civis suspeitos de trabalharem para o narcotráfico. O fato gerou uma onda de indignação entre os moradores do complexo, que não entendem como uma ocupação militar com fins pacificadores pode começar causando vítimas mortais desde o primeiro momento.

Claudia Silva Ferreira, a mulher de 38 anos que no último dia 16 de março morreu vítima de balas perdidas numa favela da zona norte do Rio e que, para maior escárnio, foi arrastada ao longo de 250 metros por um veículo da Polícia Militar que a levava para ser atendida em um hospital, se tornou outro dos ícones dos últimos tempos contra a violência policial. A morte de Claudia também desatou a ira dos moradores e uma enxurrada de críticas à polícia nas redes sociais.

Em outra operação da polícia, pouco depois de deixar a igreja de Nossa Senhora de Nazaré, Anderson Santos Silva, de 21 anos, se viu encurralado em um fogo cruzado entre narcotraficantes e policiais que pretendiam reprimir um baile funk que acontecia naquela noite na favela. Ao tentar proteger a seus familiares do tiroteio, Anderson recebeu um disparo e morreu horas depois. Sua irmã também ficou ferida.

 O jovem Emanoel Gomes circulava de moto pelo mesmo subúrbio quando foi atropelado por um blindado do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Diante disso, os moradores das favelas, cansados de pagarem a conta das intervenções policiais indiscriminadas contra as quadrilhas de traficantes e das tristemente populares balas perdidas, decidiram romper o silêncio e encarar um Estado que historicamente os trata como cidadãos de segunda.

Uma imagem que vem sendo habitual nos últimos meses é a de grupos de moradores de diferentes favelas cariocas interrompendo o tráfego de ruas e avenidas, incendiando ônibus e veículos públicos, montando barricadas ou recebendo a polícia a pedradas.

As fotos são muito claras: nelas se observam mulheres e homens de idade avançada, mães e jovens sem armas de fogo que, estimulados pelas permanentes manifestações que se estendem pelo Brasil, lançam agora um grito de cansaço desesperado, contido durante décadas.

Enquanto isso, as operações policiais, apoiadas pelo Governo Federal, continuam ocorrendo nas favelas do Rio aumentando o registro de mortos e feridos, sem ninguém ser responsável por esses assassinatos. Tudo que importa é a Copa.

Fonte: El País.

Eduardo Campos afirma ser contra o aborto.

DUDASÃO PAULO – Eduardo Campos (PSB), pré-candidato à Presidência, afirmou na manhã deste domingo, 20/04, que é contra o aborto e que a legislação brasileira é adequada para o assunto e não deve ser alterada. “Como cidadão acho que minha posição é a de todos. Não conheço ninguém que seja a favor do aborto”, afirmou o ex-governador, ao ser perguntando sobre o assunto.

Visivelmente constrangido por ter que falar sobre o tema ao lado do cardeal dom Raymundo Damasceno, Campos tentou desconversar. “A legislação brasileira já é adequada. Ela já prevê as circunstâncias e os casos e eu não vejo razão para que se altere exatamente a legislação que o Brasil já tem”, disse Campos.

O pré-candidato do PSB participou pela primeira vez da missa de Páscoa no Santuário Nacional de Aparecida. Na área reservada para autoridades no altar, rezou e cumprimentou o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo Alexandre Padilha, também presente, no final da missa.

Campos acompanhou toda cerimônia ao lado da mulher Renata e do filho recém-nascido Miguel.

SEGURANÇA NACIONAL: TRATAR LÍDER SINDICAL COMO BANDIDO

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O soldado Marco Prisco, que liderou a greve da PM encerrada nesta quinta, 17/04, divide cela no Presídio Federal da Papuda, em Brasília, com outros 16 internos de alta periculosidade, de acordo com a assessoria da Associação de Soldados, Bombeiros e seus Familiares (Aspra).

Prisco, que foi detido na última sexta, 18, não está se alimentando, já que, de acordo com a ASPRA, ele tem dieta balanceada, por conta de problemas de saúde.

Esta tem sido a maneira como o governo brasileiro, desde a Ditadura Militar, trata os movimentos sociais.  Quando o PT estava na oposição fingia lutar contra isso. É o caso do atual governador da Bahia que apoiou a greve dos policiais em 2001.

Agora, estando o PT no governo, recorrem às velhas táticas de desestimular reinvindicações legítimas com prisões arbitrárias dos líderes sindicais. Acontece que nenhuma outra arma é dada ao trabalhador senão o direito à greve. Se isso lhes é tirado se faz necessário obrigar os governantes a negociarem. Ou então escolher mediadores que possam resolver o impasse, como acontece com a Justiça do Trabalho, a fim de que se possa garantir a paridade de armas.

Por: Adão Lima de Souza

Habeas corpus em favor do soldado Prisco será julgado pelo STF até amanhã

340x255_carmen-lucia-ministra-stf_1407234BRASÍLIA – O pedido do habeas corpus em favor do soldado Prisco, líder da greve da PM na Bahia, que terminou na última quinta-feira, 17/04, passará a ser avaliado pela Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, de acordo com o advogado Tiago Dinoemerson, que faz parte da equipe que defende Prisco.

O advogado diz que o pedido já está sendo analisado pela ministra, mas que ela ainda não se pronunciou. A expectativa é que a decisão seja divulgada até segunda, 21/04, quando termina o plantão do feriadão.

Prisco responde a uma ação penal por oito crimes relacionados à greve de 2012, quando também ficou à frente da liderança do movimento.

O líder grevista foi preso com base numa lei do tempo da Ditadura Militar, Lei de Segurança Nacional, o que os críticos do regime chamam de Detrito Autoritário, o lixo remanescente dos anos em que eram frequentes as prisões arbitrárias.

Por: Adão Lima de Souza

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Foto: Blog do Carlos Britto.

Morre o narrador da Band Luciano do Valle.

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Luciano do Valle, jornalista e narrador,  morreu na tarde de hoje, 19/04, quando voava para Minas Gerais, onde faria no domingo a primeira transmissão do Campeonato Brasileiro de futebol de 2014 pela TV Bandeirantes entre Atlético-MG e Corinthians.

Ainda não se sabe oficialmente a causa do falecimento, mas o médico que atendeu Luciano no voo para Uberlândia, Roberto Botelho, relatou uma morte súbita no hospital local. O esclarecimento da causa será feito com a necropsia. O jornalista tinha 66 anos.

A FARRA: Dilma gastou R$ 2,3 bilhões em propaganda

imagesO governo da presidente Dilma Rousseff, que sempre alega falta de recursos para a saúde e educação, gastou R$ 2,3 bilhões em propaganda em 2013. O valor é o maior já registrado desde 2000, quando começou a ser divulgado esse gasto. O que já é um recorde comparado a 2009 quando havia sido gastos R$ 2,2 bilhões no governo do  presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Essas informações foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto e coloca o governo federal na quarta posição no ranking dos maiores anunciantes brasileiros em 2013. O primeiro lugar ficou com a Unilever (R$ 4,6 bilhões), seguida por Casas Bahia (R$ 3,4 bilhões) e o laboratório Genomma (R$ 2,5 bilhões).

A Secom argumentou por meio de assessoria que “em 2013 o governo federal apresentou novas campanhas de utilidade pública voltadas à prevenção de acidentes de trânsito, de combate ao uso do crack e de lançamento do programa Mais Médicos”.

Assim fica fácil o brasileiro entender porque falta dinheiro para SEGURANÇA, SAÚDE E EDUCAÇÃO, já que a farra com o dinheiro público só aumenta a cada novo governo.

Por: Adão Lima de Souza
Fonte: SECOM
 

Brasil é responsável por metade das mortes de ambientalistas

365j-02-05

Já se passou mais de 25 anos da morte de Chico Mendes, o humilde seringueiro do Acre (norte brasileiro) que se converteu em símbolo internacional da defesa do médio ambiente. E Brasil, o país onde foi assassinado por tentar que os especuladores não destruíssem a Amazônia, continua sendo o local mais perigoso do mundo para os ativistas ambientais.

A afirmação faz parte do relatório da ONG Global Witness, apresentado nesta terça, que reuniu os assassinatos de defensores do meio ambiente em todo mundo entre 2002 e 2013. Sua conclusão é devastadora: o número de mortes não deixa de crescer. Dos 908 casos que pôde documentar a organização em 35 países, 448 se produziram no Brasil (49,33%).

Em 2002 foram registrados 51 assassinatos. Em 2012, o pior da série, foram 147. Os autores do relatório reconhecem que a informação é escassa e seguramente seus dados só mostrem a ponta do iceberg. Pois, sua metodologia de trabalho, baseada em documentação confiável e na verificação dos dados por parte de parceiros locais, não permitiu fazer uma análise exaustiva.

Pelo estudo realizado, as piores cifras estão na América Latina e na Ásia, onde puderam contrastar a informação. Brasil, com 448 assassinatos, é seguido por Honduras, com 109, e Filipinas, com 67.

A Relatora Especial da ONU sobre a situação dos defensores dos direitos humanos, Margaret Sekaggya disse que a organização só tem conhecimento de que tenham sidos julgadas e condenadas 10 pessoas por estes mais de 900 crimes. “Existem poucos sintomas mais determinantes e óbvios da crise ambiental mundial que um dramático aumento no assassinato de cidadãos que defendem os direitos sobre a terra ou o meio ambiente. No entanto, este problema que está se agravando tão rapidamente está acontecendo praticamente desapercebido e, na grande maioria dos casos, os responsáveis estão saindo livres”, assegura Oliver Courtney, porta-voz da Global Witness.

Em seu relatório, a relatora da ONU reuniu casos de detenções e assassinatos de defensores dos direitos humanos que protestavam por questões relacionadas com os recursos naturais e os direitos sobre a terra. “Pertencem em sua maioria a populações indígenas e minorias”, assinalou. E são “mais vulneráveis, pois as áreas onde trabalham são remotas”.

Os assassinatos são a situação mais extrema; antes, ou, além disso, podem ter existido ameaças, intimidação, violência ou criminalização. A relatora da ONU ressaltou uma circunstância recente: “Acusaram […] os habitantes de aldeias que se manifestam contrários a megaprojetos que ameaçam o meio ambiente e seus meios de vida”, destacou, entre outros exemplos de criminalização de movimentos sociais como acusar em tribunais antiterroristas agricultores “por se manifestarem contra as forças de segurança do Estado que tentavam expulsá-los de suas terras”.

Segundo o relatório, as regiões mais afetadas são também as que mais registraram violência contra os ativistas que tentar impedir a destruição da mata.

Fonte: El País