Arquivos diários: 11 de maio de 2014
O rapto das meninas nigerianas e a violência de gênero
Em 14 de abril deste ano, mais de 230 meninas foram sequestradas de uma escola na Nigéria pelo grupo Boko Haram. Elas foram levadas em caminhões no meio da noite, depois de serem convencidas pelos homens, que usavam uniformes militares oficiais, de que estavam sendo na verdade transportadas para um lugar seguro.
No meio do caminho, conforme contou uma das que conseguiu escapar ao jornal The Guardian, tiros para o alto e as risadas dos algozes denunciaram o que de fato estava acontecendo: um sequestro em massa.
Semanas se passaram até que a notícia ganhasse apelo entre os grandes veículos de comunicação mundial. Desde o princípio, familiares realizaram protestos contra o governo nigeriano, acusado de não se esforçar o suficiente para encontrar as garotas.
Recentemente, as piores notícias sobre o que estava acontecendo com aquelas que foram raptadas começaram a surgir. De acordo com a mesma sobrevivente entrevistada, estupros diários – sendo que algumas meninas seriam violentadas até 15 vezes ao dia –, agressões e todo o tipo de violência eram perpetrados contra elas.
E se elas fossem brancas? E se tivessem nascido em uma nação desenvolvida? Teria a comunidade internacional demorado tanto para se mobilizar? Os principais jornais simplesmente publicariam a notícia no pé da página?
Claro que não. Basta levar em consideração a cobertura dedicada ao desaparecimento do voo da Malaysia Airlines, ou do naufrágio de um barco com adolescentes sul-coreanos, para encontrar as respostas. A vida de alguns vale mais que a de outros, dependendo de cor e endereço.
“Novos golpes no continente virão de mídia e grandes empresas”, diz presidente paraguaio deposto.
Em evento organizado na Grande São Paulo nesta sexta-feira (09/05) para discutir o processo histórico e político que permeou golpes militares no cone sul e o funcionamento da Operação Condor no contexto das ditaduras, o político paraguaio afirma que o manual da derrubada de governos democráticos hoje é outro: tem traços muito mais civis do que essencialmente militares.
A opinião de Fernando Lugo, senador paraguaio e presidente deposto por um golpe parlamentar em junho de 2012 é que: “Possivelmente, os novos golpes na América Latina não vão sair dos quartéis militares, mas das multinacionais e dos meios de comunicação”.
“Os processos políticos na Bolívia, na Venezuela e no Equador indicam a superação neoliberal, mas temos o desafio de evitar o que ocorreu de maneira grosseira em Honduras”, disse referindo-se ao golpe de junho de 2009 que acabou derrubando o presidente Manuel Zelaya.
“No Paraguai, quem ganhou com o golpe? Os plantadores de soja, o agronegócio. No país, há uma classe que sempre teve os grandes negócios do Estado e tem medo de perder seus privilégios. Mas o povo originário, os camponeses continuam sem terras. Somente nesta transição morreram 138 camponeses no Paraguai”, afirmou, ao citar a multinacional Monsanto como responsável por financiar o golpe paraguaio.
Às mães: Primeira mulher a treinar time masculino de futebol.
Leia abaixo a entrevista que o Jornal El País fez com Helena Costa (Alhandra, Portugal, 1978), que se transformará na primeira mulher a dirigir uma equipe masculina de futebol profissional na França, o Clermont Foot, da Segunda Divisão.
Pergunta. Quantas pessoas quiseram falar com você nos últimos dias?
Resposta. Não tenho ideia, foram dias muito movimentados. O impacto midiático foi muito grande, não está sendo fácil digerir. Tenho muitas chamadas perdidas no telefone. É preciso começar a trabalhar já e deixar de falar porque tenho que focar no trabalho, que é o que conta.
P. Está nervosa com a repercussão que teve a sua nomeação?
R. Eu estou como sempre, calma, não há nada que me altere. Estou contente porque aceitar esse projeto foi uma boa decisão, e tanto para mim como para o clube é algo positivo. Também os jogadores poderão aproveitar, agora, que toda a imprensa estará atenta a eles e vão poder melhorar muitíssimo.
P. Como surgiu a proposta do Clermont Foot?
R. Dois agentes me chamaram para dizer-me que o perfil que este clube buscava era o meu e me perguntaram se estava interessada em assumir a direção de uma equipe profissional. Eu disse que sim e muito pouco tempo depois me reuni com o presidente. Falamos de maneira franca e direta sobre o projeto, o clube e também sobre a minha carreira, meus objetivos… Pouco tempo depois voltou a entrar em contato comigo para assinar o contrato.
P. Não demorou então para decidir-se.
R. Eu vivi isso com muita tranquilidade porque não acreditava que o que estava me acontecendo pudesse ser realidade, era difícil de imaginar. Respondi rápido e eles também tinham isso claro desde o princípio.
P. Que esperam de você?
R. Esperam de mim o mesmo que de todos os treinadores. Mas acima do que eles esperam de mim está o que eu espero de mim mesma. Sou uma pessoa ambiciosa e se assinei é porque confio muito no que é possível e só me interessa a vitória. Acima dos objetivos do clube eu ponho os meus.
P. Quando decidiu que queria ser treinadora de futebol?
R. O futebol nasceu comigo, está em minha vida desde sempre e isso porque não tive nenhuma influência familiar. É algo de que gosto desde pequena, algo de vocação, nasceu comigo. Decidi que estudaria educação física para poder dedicar-me depois ao mundo do futebol e comecei a treinar com 19 anos. Desde sempre persegui esse objetivo.
P. Não lhe disseram, as pessoas à sua volta, que estava um pouco louca?
R. Sim, no começo, sim (risos), mas depois entenderam e me motivaram para que conseguisse meus objetivos e minha felicidade. A ideia deles sempre foi que se tem de ser feliz com o que se faz.
P. Você trabalhou para o Benfica e o Odivelas em Portugal, também dirigiu as seleções femininas do Catar e Irã e foi olheira do Celtic. Não é um mau currículo.
R. Sou uma pessoa humilde, mas acho que sim, que tenho alguma experiência.
P. Alguma vez lhe fecharam a porta por ser mulher?
R. Não diria que encontrei problemas, mas senti que estava abrindo portas e janelas. E quando você é a primeira mulher a fazer algo, é certo que você tem de enfrentar algumas dificuldades.
P. Mudou o futebol desde que abriu a primeira porta?
R. Comparando com o que era quando comecei, sim, mudou. O que digo é que eu quero que as pessoas me olhem como mais um treinador e seja valorizada pela minha competência e meu trabalho, não por ser mulher. Ontem e hoje todas as pessoas falam de mim por ser mulher, mas espero que isso termine aqui e logo tudo mude. Agora, toca a trabalhar.
P. Como são suas equipes? Há quem a compare com Mourinho.
R. Não. Eu quero a posse da bola. Que minhas equipes sejam inteligentes e saibam selecionar quando é o momento de atacar, sendo, isso sim, muito rigorosa na defesa. Eu sou assim e por isso quero que o futebol seja espetáculo.
P. Quando se mudará para a França?
R. A temporada ainda não terminou e quero respeitar a direção atual do clube. Tenho muito respeito pelo treinador que agora está lá. Quando a Liga terminar haverá uma coletiva de imprensa para apresentação, e depois já me mudarei para a França para poder começar a trabalhar.
P. Que objetivos definiu para a próxima temporada?
R. Subir para a Primeira Divisão é um sonho, mas estou certa de que com trabalho podemos conseguir.
Fonte: EL País.







