Arquivos diários: 17 de novembro de 2015
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa’, o roteiro mais divertido da história
Os roteiristas norte-americanos – na verdade seu sindicato, o WGA, na sigla em inglês – escolheram Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall) como o roteiro mais divertido de todos os tempos. O filme de 1977 dirigido por Woody Allen é o primeiro de uma lista de 101 títulos na qual o nova-iorquino tem outras seis produções.
Ganhador de quatro prêmios no Oscar (melhor filme, diretor, roteiro original e atriz principal para Diane Keaton), Noivo Neurótico, Noiva Nervosa conta a história de Alvy e Annie. Ele é um humorista neurótico que reflete sobre sua vida após terminar com ela. O roteiro, escrito por Woody Allen e Marshall Brickman, foi traduzido ao espanhol por José Luis Guarner e publicado pela editora Tusquets.
O mais curioso é que o diretor nova-iorquino não pretendia fazer humor com esse filme e por isso pensou em dar ao filme o título de Anhedonia (incapacidade de sentir prazer). Quando estreou, Allen disse em sua divulgação: “Quis fazer um filme que não tivesse nada de engraçado de um a cinco minutos e que ainda assim não fosse aborrecido”.
Em 2005, o WGA elegeu os 101 melhores roteiros da história e o ganhador foi Casablanca. Nessa lista, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa ficou na sexta posição.
Anonymous anuncia ataques contra Estado Islâmico por atentado em Paris
https://youtu.be/kdn6HrJ3oX4
Um indivíduo com a máscara característica da organização de cibe ativistas anonymous, diante de uma câmera e com a voz distorcida, sustenta documentos impressos e move teatralmente a mão direita. “Ontem, sexta-feira, 13 de novembro de 2015, nosso país, França, foi atacado em Paris às 22 horas através de múltiplos atentados terroristas reivindicados por vocês, o Estado Islâmico.” A leitura, em francês, foi precedida por alguns segundos do áudio do testemunho de um dos sobreviventes da casa de espetáculos Bataclan. “Esses atentados não podem ficar impunes. Por isso, os anonymous do mundo inteiro querem perseguir vocês. Sim, vocês, gentalha que mata pobres inocentes”, prossegue o mascarado.
“Sim, nós vamos persegui-los, como já fizemos nos atentados contra oCharlie Hebdo. Esperem, pois, uma reação maciça do Anonymous. Saibam que os encontraremos e que não os largaremos. Vamos lançar a operação mais importante jamais efetuada contra vocês. Podem aguardar numerosíssimos ciberataques”, proclama o ativista, para continuar afirmando: “A guerra irrompeu, preparem-se. O povo francês é mais forte”, e se despede dando os pêsames aos familiares das vítimas, e afirmando: “Somos Anonymous, somos legião. Não perdoaremos, não esqueceremos. Esperem”.
O vídeo, difundido no Youtube, tem duração total de dois minutos e meio, e conclui com o áudio das primeiras declarações do presidente francês, François Hollande, na sexta-feira à noite, logo depois dos atentados.
Não é a primeira vez que o coletivo realiza ações contra o Estado Islâmico. Em janeiro, pouco depois dos ataques contra o semanário Charlie Hebdo, anunciou um ciberataque. Pouco depois, em março, publicou uma lista de 9.200 contas de Twitter vinculadas, segundo os ciberativistas, a simpatizantes da organização terrorista.
O coletivo atacou sites oficiais da China e a página da Justiça britânica, da qual se acredita que tenha roubado 1.700 gigas de informação. Também atacou o Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), em protesto pela perseguição de um ativista.
Desmilitarização da PM: Uma polícia democrática para defesa do cidadão
“Como o 11º país no ranking mundial das maiores taxas de homicídio, o Brasil precisa quebrar o ciclo de violência endêmica, livrando-se de um entulho da ditadura: a militarização da polícia”
O Brasil, felizmente, não tem pena de morte. Imaginem se tivesse! Sem a punição capital, os registros brasileiros mostram 58.559 mortes só em 2014, produto de homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Assim, num único ano, este país tropical, cordial e bonito por natureza, teve mais baixas do que os Estados Unidos em 14 anos da Guerra do Vietnã (1961-1975), onde tombaram 58.220 americanos.
Segundo o Mapa da Violência 2015 da Unesco, cinco brasileiros morrem a cada hora, vítimas de disparos de arma de fogo. São 120 mortes diárias, como se todo dia se repetisse um Carandiru, o massacre de 1992 que matou 111 homens no maior presídio de São Paulo. Como se todo ano desabassem aqui quase 20 Torres Gêmeas, o devastador 11 de setembro que matou 3 mil pessoas em Nova York.
Como o 11º país no ranking mundial das maiores taxas de homicídio, o Brasil precisa quebrar o ciclo de violência endêmica, livrando-se de um entulho da ditadura: a militarização da polícia. Até o golpe de 1964, o policiamento cabia aos guardas civis. O regime deslocou as polícias para o combate ao inimigo interno e deu a elas a concepção de forte hierarquia, com a missão central de investigação balizada pelo ideal de guerra, fundada na truculência e na banalização da tortura. A Polícia Militar ganhou a competência exclusiva da vigilância ostensiva, enquanto a investigação ficou restrita à Polícia Civil, uma compartimentação que se mostrou fracassada. Só 10% dos homicídios são esclarecidos no Brasil, onde a população carcerária, hoje a quarta maior do mundo, só cresce porque nunca se prendeu tanto no país, e tão mal.
É extremamente prejudicial a divisão entre polícia investigativa (civil) e ostensiva (militar). A PM do estado mais rico, São Paulo, matou em média duas pessoas por dia em 2015. A dose de virulência que distingue a PM da Polícia Civil é assustadora. Nos últimos 20 anos, os números do primeiro trimestre em SP levantados pela Secretaria de Segurança mostram que a PM matou 11 vezes mais do que Polícia Civil: 2.195 mortos pela PM contra 197. Em 2005, a violência da PM foi 32 vezes maior: 97 mortos contra três. Em 2010, a violência desequilibrada bateu o recorde: foram 146 mortos pela PM, contra apenas um da Polícia Civil. Neste ano, a truculência da PM foi apenas 20 vezes maior do que a da polícia: 185 mortos contra nove.
É preciso devolver às polícias seu caráter civil, sob o controle social de uma corregedoria autônoma, acumulando nelas as tarefas ostensivas da repressão aos crimes, as funções preventivas, a missão investigativa e a persecução criminal, dando ao policial o chamado “ciclo completo”, concedendo ao agente a chance de uma carreira única que lhe abra as portas da promoção funcional.
Toda essa evolução na segurança pública começa pelo princípio: a desmilitarização da polícia. O resgate da Polícia Civil, dedicada à proteção dos direitos do cidadão no regime democrático, estrutura-se a partir desse ato literal de civilização.
Por: Randolfe Rodrigues, senador da REDE-AP
Agonizar sem doutrina
“Sob cada fórmula jaz um cadáver: o ser ou o objeto morrem sob o pretexto ao qual deram lugar.”(Cioran, Breviário de decomposição)
Ao escrever “O mito de Sísifo”, em 1943, Camus foi criticado por Sartre. Tal crítica, como se sabe, denunciava a má compreensão de algumas lições filosóficas citadas no livro em questão. Para este último, Camus parece não ter compreendido bem Kierkegaard, Jaspers ou Heidegger.
O que escapava a Sartre, porém, é que Camus não se deixava fustigar por essas questões. Como relata Horacio González, em “Albert Camus: a libertinagem do sol” (1982:52-53), essa suposta “não compreensão” dos filósofos da existência ou dos fenomenólogos é decorrente da sua intenção de “literaturizá-los”, de fazê-los colaborar numa outra montagem comandada pela ideia de absurdo retirada de seu exercício da mediterraneidade.
A partir dessa celeuma entre os dois autores, pensemos a nossa academia. Com franqueza. Sabemos, aos que se arvoram à escrita, necessário determinada adaptação aos padrões estabelecidos. É dizer, ou se lê os anais acadêmicos – e os seguem, por óbvio -, ou a obra estará, “ab ovo” (latim, aqui, como ‘carícia acadêmica’), fadada ao insucesso. Isto, claro, dentro dos limites da própria academia. Também nós temos o nosso Índex – ainda que o civilista Caio Mário continue a nos dizer, mesmo depois de morto, que a história não se repete!
Cá, nesta nossa terra depressiva, os setores de pós-graduação ditam o que deve ser escrito e, ato contínuo, lido. Aqui, penso nos doutores universitários, sentados em suas salas climatizadas, em bloco separado do restante da universidade. Penso neles e em seus carimbos – no jogo mansueto e silente de apadrinhamento.
Em conversa com um professor, falávamos sobre um importante jurista nacional. Muito embora tenhamos certo respeito e admiração por tal, o professor Luis Eduardo, ao falar sobre a “dialética negativa”, disse-nos que o excelente Lyra Filho caiu no conto do vigário, ao achar que, em se tratando deste processo dialético, o fim deve ser, necessariamente, “bom”, “glorioso”, “feliz” – Warat, no entanto, ensinara-nos: o final feliz é mentiroso. Vejam, a ingenuidade ataca indiscriminadamente! Mesmo o Lyra Filho viu-se imerso nessa circunferência (acadêmica) que limita as possibilidades interpretativas. Para este, que vos escreve, esta interpretação (de Lyra), que recende a riso de criança, é produto de nossa academia, de seu caráter hermético, para ser mais preciso.
Enfim, qual Camus, é preciso, pois, usar a literatura como instrumento de dinamitação dos espaços resolutos e herméticos da academia. A literatura, dizia-nos o filósofo e literato, é filosofia por imagens. De tal modo, não devemos nos deixar aferrolhados pelas metáforas já bem pobres da universidade. Urge criar novas possibilidades interpretativas, estabelecer o “senso do fracasso”, prelecionado por Bachelard (1996:24), como princípio basilar – e dinamitar as definições fáceis e vetustas. Afinal, como sustenta Cioran, em seu “Breviário de decomposição” (1949:32), a definição é a mentira do espírito abstrato; a fórmula inspirada, (…): uma definição encontra-se sempre na origem de um templo; uma fórmula reúne inelutavelmente os fiéis. Assim começam todos os ensinamentos.
Breno S. Amorim
A travessia do mar vermelho
RIBEIROLÂNDIA – O guia genial dos povos barbudos e dos sapos barbados está se perdendo. Se a Mulher Onça tivesse um estalo genial o Messias do cordão encarnado seria nomeado ministro plenipotenciário da Fazenda e da Esplanada dos Ministério para atravessar o mar vermelho da recessão e levar o Brazil à terra prometida de rios de leite e montanhas de cuscuz.
Vocês estão esperando o que para nomeá-lo aiatolá do Brazil? Se já deu lições de governança a Obama e Angela Merkel! Se já tentou ensinar ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, como governar o mundo! Se já disse que teria descoberto o Brazil antes de Pedrálvares se tivesse nascido na era dos descobrimentos! Se já descobriu que a crise é apenas invenção da mídia golpista! Se já ensinou o caminho da China a Napoleão Bonaparte mesmo sem o homem do cavalo branco nunca ter visitado “o império de todos sob o céu”!
E por falar no Império continental, a gente sabemos que o português é o idioma mais difícil do mundo, pois 1,5 bilhão de chineses e japoneses conseguem decifrar e falar aqueles ideogramas complicados e não sabem falar a nossa língua. Mesmo sendo analfabeto de nascença o guia genial aprendeu a falar fluentemente o idioma verde-amarelo, apesar de soletrar certas palavras com algum pobrema e ser portador de alguns cacoetes com aquela voz cavernosa, ou seja, sabe!
Aliás, chineses e japoneses são analfabetos moribundos e de nascença, pois nunca aprenderam nosso alfabeto de 26 letrinhas e só entendem ideogramas primitivos. Ele que magnetiza multidões com sua voz maviosa ao revelar os caminhos da salvação da humanidade! Ele que prometeu levar os brasileiros ao paraíso terrestre (ou ao menos os brasileiros de sua patota)!
Se já decantou maravilhosas Odes a Brecht para ensinar os ditadores africanos a erradicar a fome no continente, mesmo que seja com o dinheiro generoso do BNDES!
Assim falou o sapo vermelho aos seus discípulos: Meireles, tu és Moisés e sobre te edificarei a nova seita para atravessar o mar vermelho da recessão e da bagaceira na economia. Mas, o liberal Meireles é apenas um Levy sob o manto protetor do sapo barbado. O sonho de consumo do bicho é transformar Meireles num novo poste comas luminárias do cordão encarnado para perpetuar a seita no poder. Faltou combinar com os russos e com os brasileiros.
Combinou apenas com os lunáticos e com os caboclos mamadores. Ó mar vermelho da recessão, quanto de tuas águas são lágrimas e suor do povo brasileiro! digo eu à moda da cantiga do poeta Fernando Pessoa. E mais, do povo brasileiro ludibriado, explorado e espoliado pela camarilha vermelha. E mesmo assim os que levaram o Brazil à falência têm seus defensores. Faz parte da taxa de insanidade da humanidade.
Não existe milagre em economia. Nem Levy, nem Meireles, nem Moisés, nem os santos evangelistas conseguirão fazer a travessia do mar vermelho se não houver um choque de credibilidade para reativar os dínamos do mercado e restaurar a confiança do Brazil em si mesmo.
O povo, quem é o povo?! Foi para casa assistir novelas. Quem é mais importante para o Brazil, Sua Excelência Dunga ou o Doutor Levy? Quem sobe-desce na cotação de mercado da série A, B, C do futebol e sei lá o que?! O novo craque contratado promete uma revolução nos gramados e emociona as multidões.
Os brasileiros amam os gramados, amam as novelas, amam a gandaia. Ziriguidum! Os caboclos mamadores amam as tetas da Casa de Misericórdia da Moeda. São os amores de perdição. Esbagaçaram o nosso Brazil e não vai ser fácil recuperar a economia. Estão roendo o osso e querem sugar o tutano. A ânsia pelo poder alimenta todos os instintos primitivos. Assim navegamos no reino do imponderável.
Adalbertovsky, Marquês da Ribeyrolândia
Por: José Adalberto Ribeiro, publicado no blog do Magno Martins.




