Arquivos diários: 31 de julho de 2017

DELTAN: Para Além De Responsabilizar Corruptos, O Que Nos Move Na Lava Jato É Uma Questão De Justiça, Uma Razão Humanitária

DallagnolÀs vezes nos perguntam o que nos inspira a trabalhar na Lava Jato. Muito para além de buscar a responsabilização dos corruptos, o que é uma questão de justiça, o que nos move é uma razão humanitária que está dentro de todos nós. Por trás dos rostos dos corruptos, está a dor e o sofrimento humano dos espoliados com quem nós nos identificamos. São aqueles que morrem lentamente nas filas de hospitais, mendigando por seu direito básico. São aqueles que tiveram roubada sua educação de qualidade e hoje não têm oportunidades de trabalho. É a desesperança de um povo que se vê como um país do futuro que nunca vira presente. Há uma correlação inversa entre corrupção e IDH. Ou seja, países com altos índices de corrupção possuem baixo desenvolvimento humano (pobre educação, renda e saúde), e o inverso é verdadeiro. Não adianta conseguir estabilidade hoje e continuar pagando o preço da corrupção pelo resto de nossas vidas. É hora de arrumar a casa.

Odebrecht, JBS e as outras grandes empresas são clientes de um sistema político corrupto. Saía um cliente do balcão de negócios, outro entrava. Alguns já foram revelados, mas muitos ainda estão encobertos. Enquanto não decidirmos mudar, como sociedade, outros clientes surgirão. A mesma Velha Política continua no balcão, e já mostrou que está disposta a prosseguir mesmo em meio à Lava Jato, protegida pelas imunidades do poder.

O desafio é enxergar que por trás da face dos corruptores está um sistema apodrecido e que apodrece grande parte daqueles que nele ingressam. Quem está lá jamais mudará esse sistema que os favorece no presente/futuro e os protege dos crimes do passado. A verdadeira mudança virá pelo amor: pela postura, pelo serviço e pelo engajamento cívico de cada um de nós. A responsabilização de todos os políticos é necessária, mas não suficiente. É preciso ir além disso.

Se queremos transformação, precisamos de uma renovação política em 2018 que venha aliada com o comprometimento dos candidatos com uma agenda anticorrupção. Os candidatos em 2018 deverão ser selecionados não só por suas palavras, mas por suas atitudes. Os votos dados no Congresso em 2016 e 2017, em momentos cruciais – na cassação dos corruptos nas comissões de ética, nas 10 medidas e na responsabilização de corruptos, sejam quem forem, mesmo um presidente – devem contar mais do que palavras. Estamos cansados de palavras vazias de compromisso político contra a corrupção. Há várias entidades da sociedade trabalhando nesse sentido, para tornar mais visível quem está do lado da população e quem está do lado da Velha Política. Isso é um grande avanço democrático. Se a moda pega, traremos para o presente aquele que até hoje não passou do país do futuro.

Isto Posto… Venezuela: um passo a mais em direção ao abismo.

VenezuelaEDITORIAL – O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, numa tentativa de reverter a derrota sofrida nas últimas eleições legislativas de 2015, quando o povo entregou a maioria dos assentos na Assembleia Nacional à coalização oposicionista Mesa da Unidade Democrática – MUD, e valendo-se do referendo convocatório instituído por Hugo Chaves na Constituição de 1999, convocou eleições para formação de assembleia constituinte para o dia 30 de julho de 2017.

E embora as manifestações de opositores ao regime de Maduro tenham se intensificado desde primeiro de maio contra a realização dessas eleições, pois são vistas como uma manobra do governo para destituir a Assembleia Nacional comandada pela oposição, ela ocorreu ontem com a participação de 8 milhões  (ou 41,53%) dos eleitores venezuelanos, segundo o Conselho Nacional Eleitoral ligado ao governo ou apenas,  2,5 milhões (12,4% ) como afirma a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática – MUD.

A verdade, no entanto, é que esta nova assembleia terá a missão de redigir uma nova Constituição, suplantando a grande Constituição Chavista de 1999, cujos índices de participação do povo venezuelano, tanto no referendo como na eleição da assembleia, foram altíssimos e tentar apaziguar a sociedade em vias de comoção social.

A história do chavismo, em breves linhas é: Chávez elegeu-se presidente em 1998, com uma campanha centrada no combate à pobreza. Reelegeu-se, vencendo os pleitos de 2000 – pois ao aprovar a nova Constituição se submeteu a nova avaliação nas urnas – e 2006.

Durante seus mandados, Hugo Chaves colocou em práticas políticas de inclusão social e transferência de renda que reduziram a pobreza de 49,4%, em 1999, para 27,8%, em 2010, porém, agora retornando ao estado de pobreza anterior com o governo Maduro.

No plano político interno, Chávez fundiu os vários partidos de esquerda no PSUV, fortaleceu os movimentos e as organizações populares, estabelecendo uma forte aliança com as classes mais pobres.

Em 2002, Chávez foi vítima de tentativa de golpe de Estado rechaçada pela comunidade internacional – inclusive o Brasil.

Reassumiu o poder três dias depois e, no final do mesmo ano, mediante um referendo revocatório, chamou a população para dizer se concordava ou não com a revogação do mandato de Hugo Chaves como Presidente da República Bolivariana da Venezuela?” O “não” venceu com 59% dos votos válidos, contra 41% do “sim”, na votação que contou com participação de 69% dos eleitores, sob a vigilância de observadores internacionais como o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, assegurando que a consulta ocorreu de maneira “livre e justa”.

Já a história de Nicolás Maduro, embora não tão representativa quanto à de seu predecessor Hugo Chaves, não se pode tomá-la como menos importante na luta pelo Socialismo Bolivariano inaugurado 1999. Maduro foi motorista, sindicalista, deputado da Assembleia Nacional, ministro e vice-presidente de Chaves.

No entanto, desde que assumiu a presidência após a morte de Chaves, só conseguiu acirrar as divisões internas da sociedade venezuelana de e do próprio chavismo, recrudesceu a violência contra manifestantes contrários ao seu governo desastroso, decretou a prisão de opositores, mergulhou o país numa crise econômica aguda, com inflação na casa de 800% para 2017, e previsão de 2200% para o ano vindouro, tabelamento de preços e manutenção do petróleo como fonte única de renda, o esfacelamento da agricultura familiar, pois preferiu importar alimentos a cultivá-los.

Apesar de tanto descalabro, mantém-se no poder sustentado pelas Forças Armadas e as velhas muletas da esquerda anacrônica sulamericana de que é vítima de um golpe orquestrado pela grande mídia e o imperialismo ianque.

Assim, o que temos na verdade na Venezuela é um governo que reza pela mesma cartilha empregada no Brasil. Ou seja, temos um modelo falido de Estado por ser perdulário, corrupto e ineficiente.

Contudo, apoiado ainda por intelectuais reticentes como Boaventura Sousa Santos e Leonardo Boff que teimam em não reconhecer que como a espúria direita os governos ditos progressistas na América Latina nada fizeram, como dissera Caetano Veloso, “senão confirmar a incompetência da América católica que sempre precisará de ridículos tiranos”.

Isto posto, tanto Lula como Hugo Chaves, Néstor Kirchner, Rafael Correia, todos persistiam na tese de que o Estado é o dono do país e não o povo. Por isso a Venezuela caminha cada vez mais para o abismo, aproximando-se perigosamente de uma Guerra Civil onde todos perdem.

Por: Adão Lima de Souza

Deputado Diz Que Presos São Tratados Como Bichos E Pede Aos Brasileiros Para Não Desistir Deles, Dando Uma Nova Chance

Padre JoãoO presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deputado Padre João (PT-MG), disse que um relatório da visita feita pelo colegiado a Manaus e Boa Vista será entregue ao Conselho Nacional de Justiça, à Ordem dos Advogados do Brasil e outras entidades.

A comissão foi verificar a situação dos presídios que passaram por rebeliões desde o início deste ano.

O deputado disse que o problema principal é que o preso é submetido a condições muito precárias que acabam sujeitando-os ao controle das facções criminosas. São construções inseguras, superlotação, falta de higiene e má alimentação.

Poder Judiciário

Padre João afirma que parcela da responsabilidade é do Poder Judiciário que, segundo ele, aplica muito o regime fechado, demora a analisar a situação dos presos provisórios e ainda deixa encarceradas pessoas que já cumpriram a pena.

“Os presos têm sido tratados com violência, abuso de autoridade. É rotineiro o uso de spray de pimenta, bala de borracha ferindo os presos. Eles são tratados como bichos. Então isso revolta e não cria condições para a recuperação da pessoa”, denuncia Padre João.

P.S. Por que, então, parte dos juristas brasileiros só enxergam as “ilegalidades” da Lava Jato?

Fonte: NBO