Arquivos mensais: junho 2017
O bunker de Temer ficou mais enlameado
O Palácio do Planalto de Michel Temer ficou parecido com o da fase terminal de Dilma Rousseff. Em março de 2016, cercada por assessores que pretendiam blindá-la, a senhora decidiu trocar o ministro da Justiça. Desastre, pois o escolhido, Wellington Cesar de Lima e Silva, não conseguiu assumir. Temer resolveu deslocar o ministro Osmar Serraglio para outra cadeira e, assim, o queridinho Rocha Loures continuaria na Câmara dos Deputados, protegido pelo foro privilegiado. Novo desastre, Serraglio não topou o novo ministério, reassumiu sua cadeira e Rocha Loures, tosado, está na penitenciária da Papuda. Dias antes, o Planalto surtara diante de uma baderna mal explicada que se aproveitou de uma manifestação ordeira, convocada com enorme antecedência. Até hoje não foi possível identificar o cacique tabajara que teve a ideia de botar a tropa na rua.
O caótico bunker de Temer superou-se na trapalhada do jatinho que enfeitou suas férias em Comandatuba. Primeiro o Planalto mentiu negando que o doutor e sua família tenham voado no jatinho de Joesley Batista. No dia seguinte, desmentiu-se, reconheceu o mimo, mas contou que o doutor não sabia de quem era o avião. Outra patranha. Temer não entra em avião sem saber quem é o dono.
Os três desastres diferem entre si, mas têm dois pontos em comum: a arrogância de quem acha que faz o que quer e a leviandade de quem cria uma realidade paralela para se livrar do peso do erro cometido. Nenhuma das três crises teria ocorrido se alguém tivesse conversado direito com Serraglio, se a Esplanada dos Ministérios tivesse sido adequadamente protegida e se os áulicos tivessem reconhecido na primeira hora que Temer usou a Air JBS.
Por: Elio Gaspari – O Globo, reproduzido do blog do Magno Martins
Ausência de vereadores em audiência pública na Câmara expõe desinteresse e preocupa agricultores familiares de Petrolina
PETROLINA –A desatenção aos agricultores familiares foi expressa em números nesta sexta-feira (9), data da audiência pública na Câmara de Vereadores de Petrolina, no interior de Pernambuco, para debater o funcionamento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), considerado importante pela categoria. Pelo menos essa é a análise da presidente do Sintraf, Isália Damacena, ao comentar a ausência de parlamenteares e membros do Poder Executivo local durante a sessão.
Segundo expectativa da líder sindical ao solicitar a audiência, eram esperados, além dos 23 vereadores, representantes da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Agrário, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDESDH). Desses convidados, apenas seis vereadores efetivaram presença na Casa Plínio Amorim. Embora a metade deles tenha se ausentado até o final da sessão. A prefeitura não mandou representantes.
“[As ausências] nos deixam ainda mais preocupados porque estamos aqui debatendo políticas públicas importantes para a sobrevivência dos homens e mulheres do campo em Petrolina. Fico indignado com uma situação dessa. Não só pela ausência dos vereadores, mas também pela falta do Poder Público, que é o responsável por dar as respostas que nós queremos e de dizer aos agricultores familiares o motivo de essas políticas públicas não estarem funcionado”, criticou Isália.
O número mais expressivo de participantes na Câmara ficou a cargo dos próprios agricultores, que mesmo com o baixo quórum, expuseram suas preocupações. Foi o caso do produtor do Núcleo 6 do Projeto Senador Nilo Coelho, Jadiel Barros. Originário de família agrícola, ele é um dos 35 agricultores do N6 aptos a participar do Programa de Aquisição de Alimentos. Segundo Jadiel, em 2016, o PAA injetou na comunidade R$ 600 mil, mas agora, com a paralização do programa, a situação ficou difícil.
“Nossas crianças nas escolas poderiam ter acesso a uma alimentação melhor, a produtos de qualidade oriundos de nós produtores, mas infelizmente estão consumindo produtos industrializados ou, se não, comendo alimentos do mercado do produtor de outros estados”. O agricultor continua. “Se está chegando melancia, banana e outros produtos a elas, não está vindo de nós produtores”, completou.
O PAA foi relançado em fevereiro deste ano e, de acordo com os agricultores, até o momento não foi executado. “Já entramos no mês de junho, logo começa o segundo semestre e os nossos representados correm o risco de terem prejuízos”, critica a presidente do Sintraf.
Participantes
Autor do requerimento da audiência pública, o vereador Gilmar Santos foi um dos três parlamentares que ficaram até o final da sessão. Presidindo o evento, Gilmar buscou abordar todos os pontos colocados como importantes pelos agricultores. O parlamentar também criticou o baixo quórum e afirmou que será criado um relatório para a apreciação geral dos vereadores e posterior envio das demandas aos órgãos responsáveis. “Vamos assumir início, meio e fim até que essas questões sejam resolvidas”, disse.
Além de Gilmar Santos, estiveram na Câmara, o deputado estadual Odacy Amorim e os vereadores Gaturiano Cigano, Manoel da Acosap, Domingos de Cristália, Cristina Costa e Ronaldo Silva. Tendo os dois últimos ficado até o final. Também participaram Cleiton Medeiros, representando o Conselho de Desenvolvimento Rural; Ozaneide Gomes, do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsea); Carlos Possídeo, do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA); e Cândido Roberto, representando as cooperativas rurais. Estes participaram de toda a discussão.
Decisão de Moraes pode ser usada contra Temer
A Procuradoria-Geral da República deve usar uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para manter a investigação contra o presidente Michel Temer nas mãos do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no tribunal.
Em 17 de abril deste ano, Moraes assinou um documento no qual reconheceu que é do ministro Fachin a competência para julgar casos relacionados ao FI-FGTS, um dos pontos citados pelos executivos da JBS em suas delações e que está atrelado ao inquérito que apura condutas de Temer.
Joesley Batista, dono da JBS, apresentou na delação informações sobre “a interação” com Lúcio Funaro, operador ligado a Cunha, e com a Caixa e o FI-FGTS. Ele cita propina paga pelo frigorífico em troca da liberação de verbas do fundo para o financiamento da empresa.
Entre as justificativas para a PGR direcionar a delação da JBS ao magistrado está a conexão com dois casos: a colaboração premiada do ex-vice-presidente da Caixa Fabio Cleto e o inquérito que apura se parlamentares do PMDB participaram do esquema de corrupção na Petrobras.
Cleto delatou esquema de corrupção no FI-FGTS, administrado pela Caixa, cujo operador, segundo a PGR, era Lúcio Funaro, preso em julho de 2016 por determinação do ministro Teori Zavascki, então relator da Lava Jato. Donos da JBS dizem ter comprado o silêncio de Cunha e Funaro para que não fizessem delação.
Após a morte do ministro do STF Teori Zavascki, os processos que estavam em seu gabinete foram designados para Moraes, com exceção daqueles relativos à Lava Jato, que ficaram com Fachin.
O material sobre o FI-FGTS foi encaminhado para Moraes em um primeiro momento, mas a Procuradoria pediu para enviá-lo a Fachin.
Em sua decisão sobre esse pedido, Moraes afirmou que o acordo de colaboração premiada dos executivos do grupo J&F foi celebrado “no contexto da Operação Lava Jato” e, por isso, o caso deveria ser encaminhado ao colega.
A competência de Fachin no caso é questionada pelas defesas de Temer, de seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, de Cunha e do governador Reinaldo Azambuja (MS).
Nesta terça (6), Fachin enviou o recurso do governador ao plenário do STF. Azambuja é acusado de receber propina em troca de benefícios fiscais no Estado.
Caberá à presidente, ministra Cármen Lúcia, marcar a data do julgamento.
Fonte: Folha de S. Paulo – Letícia Casado
TSE: Assim falou Benjamin!
Ministros do TSE têm ‘cegueira intencional’, diz procurador da Lava Jato.
O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da operação Lava Jato, criticou os ministros do Tribunal Superior Eleitoral que pretendem votar contrários à cassação do mandato de Michel Temer.
Em seu Facebook, Carlos Fernando criticou o que chamou de “cegueira intencional” dos ministros do TSE, que, a considerar o que vêm falando até agora, devem absolver a chapa.
“O verdadeiro cúmulo do cinismo é a cegueira intencional da maioria dos ministros do TSE em relação à corrupção exposta pelo acordo do MPF com a Odebrecht. Deve-se parar de fingir que nada aconteceu. Deve-se parar de desejar a retomada da economia, ou pior, a manutenção desse ou aquele partido no poder à custa da verdade”, diz Lima.
“Cinismo é fingir que tudo está superado apenas porque o PT saiu do governo. A corrupção é multipartidária e institucionalizada. Ela é a maneira pela qual se faz política no Brasil desde sempre. Ou acabamos com a corrupção, ou a corrupção acaba com o Brasil”, completou.
Eleições do Reino Unido têm recorde de mulheres eleitas
Um número recorde de mulheres foram eleitas para ocupar assentos na Câmara dos Comuns nas eleições gerais do Reino Unido de ontem. Pelo menos 207 mulheres foram eleitas no pleito, que acabou mantendo a atual premiê, Theresa May, no cargo. O balanço ainda não está fechado, porque um distrito de Londres ainda não divulgou o resultado da sua votação, mas representa 32% do parlamento composto por mulheres.
Até a eleição desta semana, eram 196 mulheres que ocupavam assentos em Westminster – 191 eleitas em 2015 e outras cinco em eleições ou substituições subsequentes (as chamadas “by elections”).
O partido com representatividade mais expressiva é o Trabalhista, com 45% do quadro ocupado por mulheres – 118 entre 261 representantes. Já no partido da premiê, o Conservador, 67 parlamentares são mulheres, em um total de 317 cadeiras.
Constance Markievicz foi a primeira mulher a ser eleita para o Parlamento, em 1918, após uma resolução permitir que as mulheres ocupassem vagas na Câmara dos Comuns. No entanto, ela não assumiu o cargo, pois era do partido nacionalista irlandês Sinn Féin, que se negava a jurar fidelidade ao rei.
A primeira mulher a assumir uma cadeira no Parlamento do Reino Unido foi a conservadora Nancy Astor, em 1919, após ser eleita em uma “by election”.
Revés
Após se encontrar com a rainha Elizabeth II, May afirmou que vai formar um novo governo apesar do revés do Partido Conservador nas eleições legislativas. Em pronunciamento em frente a sua residência oficial, em Downing Street, ela anunciou ter conseguido o apoio do Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte para formar um governo de coalizão.
A votação, realizada na quinta-feira (8), que foi convocada por May, terminou com os conservadores à frente, porém com uma bancada menor. Os conservadores, liderados pela primeira-ministra britânica, tinham 330 assentos no Parlamento e conseguiram até agora 318. O Partido Unionista conseguiu 10 cadeiras e os trabalhistas, por sua vez, surpreenderam obtendo 261 assentos. Por volta de 10h (no Brasil) desta sexta, restava a definir apenas uma vaga.
Esse resultado obrigou os conservadores a formar uma coalizão para garantir a governabilidade. Com o novo aliado, May consegue o apoio 328 parlamentares, o que garantiria a sua governabilidade.
Após o fraco desempenho do Partido Conservador, May enfrentou pedidos para que renunciasse da parte do líder da oposição e sofreu a pressão de integrantes do seu partido, mas descartou a possibilidade de deixar o poder.
A premiê afirmou que pode confiar no parlamento e no apoio do Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte a quem chamou de “amigos”. “Nossos dois partidos têm cultivado uma forte relação durante muitos anos. Isso me dá a confiança para acreditar que conseguiremos trabalhar juntos nos interesses de todo o Reino Unido.”
FRASES DO JULGAMENTO NO TSE
“Eu recebi da diaconia da minha igreja em Fortaleza uma pergunta sobre isso, esse negócio da OAS [delação]. Respondi ao pastor, simplesmente assim: ‘Com a medida com que me medem serão medidos, e sobre ele desabe a ira do profeta’. É uma anátema islâmica. Não vou dizer o que é. Vou fazer um gesto do que é a ira do profeta [faz um gesto com a mão simulando um corte no pescoço]. É o que eu desejo, que sobre eles desabe a ira do profeta. Sou inocente de tudo isso, estou sendo injustamente, perniciosamente, sorrateiramente, desavergonhadamente prejudicado.” Napoleão Nunes
Ponciano Ratel: a Grande Lavanderia TSE.
No capítulo que estamos assistindo…
Quem vencerá a batalha travada na imensa lavanderia em que foi transformado o TSE?
Será que os insuspeitáveis magistrados darão ganho de causa a já falecida-senhora-presidenta-honesta-Dilma Rousseff-Coração Valente, deposta numa trama engendrada pela tuia de pilantras que se aninhavam nos recônditos do palácio da governança de madama vermelha?
Será que a corte de notáveis declarará a absolvição e lisura da chapa PT-PMDB, já que os milhões da Ode a Brecht não passam de pequenas doações de empresas generosas que visam somente o progresso da democracia pelo sufrágio eleitoral?
Ou prevalecerá a tese de Michel Miguel Temer Lulia de que todo vice é figura decorativa, sem nenhum protagonismo antes, durante e depois da campanha vitoriosa no sufrágio de cartas marcadas que sempre imperou no Brasil dos partidos prostituídos?
E o embate de notáveis na tribuna da Corte Eleitoral, acabará com a vitória do inteligente relator de nome carinhoso apelativo, que entre um discurso e outro, entre uma aula e outra aos estudantes presentes, joga beijos para torcida brasileira ao explicar, de forma simples e eficaz, que toda roubalheira no país é pública e notória, por isso deve ser considerada na fixação da pena?
Ou levará a melhor o astuto-político-escancarado Gilmar Mendes, cuja missão é convencer outros doutos ministros de que somente deveria o TSE discutir a abstrata normalidade do pleito eleitoral a fim de manter intata a República dos Senhores Intocáveis, cuja promiscuidade com a coisa pública é alarmante?
Este é o país da temeridade, do ajeitadinho, de ministros sacados às pressas para votar favorável à perpetuação da iniquidade grassante?
Então, como dizia Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, autodenominado Barão de Itararé, “de onde menos se espera, daí é que não sai nada”. Pois bem, como se sabe “a moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas, em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele”.
Por fim, um poema do citado autor:
Eu Cavo, Tu Cavas, Ele Cava, Nós Cavamos, Vós Cavais, Eles Cavam.
Não é bonito, nem rima, mas é profundo…
Ponciano Ratel é colunista deste blog.
MPF vai investigar US$ 80 mi da JBS para Lula e Dilma
A Procuradoria da República do Distrito Federal instaurou inquérito para investigar o suposto repasse de US$ 80 milhões do Grupo J&F para os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do Partido dos Trabalhadores. A investigação é um desdobramento do acordo de colaboração premiada firmado pela Procuradoria-Geral da República e executivos do Grupo J&F, dono da JBS.
O Procedimento Investigatório Criminal (PIC) foi instaurado pelo procurador Ivan Marx porque o desmembramento promovido pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), baseou-se na conexão dos fatos narrados pelos delatores com a Operação Bullish. Deflagrada em 12 de maio, a operação mirou os aportes bilionários do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) nas empresas do Grupo J&F.
Na delação, Joesley Batista narrou que, em 2009, foi criada uma conta para receber os repasses relacionados a Lula e, no ano seguinte, outra foi aberta para envio de valores relacionados a Dilma. O empresário revelou que, em dezembro naquele ano, o BNDES adquiriu de debêntures da JBS, convertidas em ações, no valor de US$ 2 bilhões, ‘para apoio do plano de expansão’.
“O depoente escriturou em favor de Guido Mantega, por conta desse negócio, crédito de US$ 50 milhões e abriu conta no exterior, em nome de offshore que controlava, na qual depositou o valor”, relatou Joesley.
Segundo o empresário, em reunião com Mantega, no final de 2010, o petista pediu a ele ‘que abrisse uma nova conta, que se destinaria a Dilma. Nesse momento, disse o delator, foi perguntado a Mantega se Lula e Dilma sabiam do esquema. “ Guido confirmou que sim”, disse ele.
Em outro caso, Joesley declarou que foi feito um financiamento de R$ 2 bilhões, em maio de 2011, para a construção da planta de celulose da Eldorado. O delator disse que Mantega ‘interveio junto a Luciano Coutinho (então presidente do BNDES) para que o negócio saísse’.
O empresário declarou que depositou, ‘a pedido de Mantega’, por conta desse negócio, crédito de US$ 30 milhões em nova conta no exterior, “O depoente, nesse momento, já sabia que esse valor se destinava a Dilma; que os saldos das contas vinculadas a Lula e Dilma eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES e do esquema-gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef; que esses saldos somavam, em 2014, cerca de US$ 150 milhões.”
Em outra ocasião, em novembro de 2014, Joesley disse que ‘depois de receber solicitações insistentes para o pagamento de R$ 30 milhões para Fernando Pimentel, governador eleito de Minas Gerais, veiculadas por Edinho Silva (tesoureiro da campanha de Dilma em 2014), e de receber de Guido Mantega a informação de que “isso é com ela”, solicitou audiência com Dilma’.
“Dilma recebeu o depoente no Palácio do Planalto; que o depoente relatou, então, que o governador eleito de MG, Fernando Pimentel, estava solicitando, por intermédio de Edinho Silva, R$ 30 milhões, mas que, atendida essa solicitação, o saldo das duas contas se esgotaria; que Dilma confirmou a necessidade e pediu que o depoente procurasse Pimentel”, narrou aos investigadores.
Com a palavra, a defesa de Lula
A defesa só vai fazer comentário quando tiver acesso ao material, mas reitera que Lula é inocente.
Com a palavra, a defesa de Dilma
Sobre contas na Suíça
“É fantasiosa a versão de que a presidenta eleita Dilma Rousseff seria beneficiária de conta na Suíça, ainda mais sob a titularidade do senhor Joesley Batista, que movimentaria recursos a seu bel prazer. Ela nega que tenha recebido qualquer benefício pessoal do empresário, ainda mais financeiro. Essa versão não se sustenta e sua falsidade será atestada na Justiça. Dilma Rousseff jamais teve contas no exterior.”
Sobre Joesley Batista
1. Dilma Rousseff jamais tratou ou solicitou de qualquer empresário, nem de terceiros doações, pagamentos ou financiamentos ilegais para as campanhas eleitorais, tanto em 2010 quanto em 2014, fosse para si ou quaisquer outros candidatos.
2. Dilma Rousseff jamais teve contas no exterior. Nunca autorizou, em seu nome ou de terceiros, a abertura de empresas em paraísos fiscais. Reitera que jamais autorizou quaisquer outras pessoas a fazê-lo.
3. Mais uma vez, Dilma Rousseff rejeita delações sem provas ou indícios. A verdade vira à tona.
Movimentos de mulheres reprovam Campanha #AmorSemViolência
Lideranças feministas e movimentos sociais que vivenciam e atuam diretamente no combate a violência contra à mulher em Petrolina e região pontuam falhas gritantes na campanha.
Veja a nota:
NOTA PÚBLICA
Se tem violência, não é amor – carta de repúdio à campanha #AmorSemViolência
Feminismo e combate à violência de gênero não são expressões inventadas por modismo. Não é vitimismo! É um ato de sobrevivência das mulheres, para as mulheres, desde sempre, e não servem para atender caprichos políticos.
A campanha #AmorSemViolência, empreendida pelo Blog Carlos Britto se apresenta à sociedade petrolinense, sobretudo às mulheres, como uma aliada no combate à violência doméstica sofrida cotidianamente. Porém, esta comete erros absurdos, esdrúxulos e contraditórios que se configuram como um desserviço às ações de combate ao patriarcado, racismo e machismo que historicamente legitimam essa violência em nosso país.
A campanha nos faz constatar que foi forjada sem a participação dos movimentos sociais e das mulheres engajadas nesta luta. Nós, enquanto lideranças feministas, movimentos sociais e representantes da sociedade civil, que vivenciamos e atuamos diretamente no combate à violência contra mulher continuamente, pontuamos fatores controversos na campanha #AmorSemViolência, tais como:
- A começar pelo título da campanha, “#AmorSemViolência”, completamente contraditório, pois não existe amor com violência; É simples: se há violência, NÃO É AMOR. Portanto, ao colocar esse título, a campanha romantiza relações abusivas, assim como há um tempo atrás, os feminicídios eram chamados de “crimes passionais”.
- As mudanças sugeridas nas mensagens vinculadas pela campanha ficam a cargo apenas do fato de que as mulheres devem “ser fortes” e dizer “já deu”, pondo um fim na relação afetiva. Sendo perversa com as mulheres, a campanha reforça a cultura de “romantização da violência” e condena a vítima. Como diz Simone De Beauvoir: “Natureza feminina é um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na condição de oprimida”.
- A campanha apresenta superficialmente a violência física, tendo em vista que não são abordados e/ou informado a existência de outros tipos de violência, como: violência moral, sexual, patrimonial e psicológica, sofrida pelas mulheres, que compõe as amarras que muitas vezes impedem que estas saiam da situação de violência. Essas mulheres não estão presas a essas violências porque querem, e colocar que dizer “já deu” é a solução para anos de opressão e violência de nossos corpos é, no mínimo, não conhecer o básico do debate de gênero;
- Ignora-se o agressor, restando à própria vítima assumir a culpa pela agressão, só havendo estímulo à denúncia 180, desconsiderando outros mecanismos de apoio à vítima como Delegacia da Mulher, CRAM, CIAM, CREAS, Conselho da Mulher, entre outros. Bem como os recursos possíveis para auxiliá-la a sair da situação de violência, como medidas protetivas e sistema de abrigamento;
- A invisibilidade da mulher negra mais uma vez é constatada. Embora as estatísticas apontem que 59,4% dos registros da central de atendimentos a violência – disque 180, são de mulheres negras, e que houve um aumento de 54,2% dos homicídios para as mulheres negras em comparação às brancas (ONU Mulher e SPM/2015), tais dados ou relevância destes são totalmente ignorados nesta campanha;
- Não é apontado o feminicídio (assassinato de mulheres, por sua condição de mulher, esposa, companheira), e como sua recorrência – baseada na objetificação das mulheres, tratadas como posse dos agressores – tem causado vítimas cotidianamente, com dados extremamente preocupantes no Vale do São Francisco. A campanha, seguindo o caminho midiático, negligencia o uso do termo e a violência extrema em si, caminho contrário aos esforços de grupos organizados no enfrentamento à violência, e na conquista dessa caracterização de homicídio como crime hediondo.
Dados alarmantes são informados e o objetivo da campanha até parece se afinar a uma necessidade real, a busca por “chamar a atenção da sociedade e mobilizar as pessoas pelo fim da violência contra a mulher, além de estimular as denúncias”. No entanto, culpabiliza-se às mulheres por se encontrarem na situação de violência, e por não reagir.
Fato mais lamentável ainda é o de que toda essa perspectiva machista e racista que soberbamente – e sordidamente – se impõe como uma campanha que vem proteger as mulheres delas mesmas é realizada em parceria e com o aval da Prefeitura Municipal e a Secretaria da Mulher, órgãos públicos que deveriam ter um mínimo de conhecimento sobre a violência simbólica velada no discurso do crime passional e estar em afinidade com as políticas públicas voltadas para mulheres que condenam todas as falhas apresentadas pela campanha. É inadmissível que tais órgãos corroborem com tal campanha tendo em vista todas as falhas já apontadas. Enquanto vias de intervenção que devem pensar na melhor forma de amparar os civis de acordo com suas particularidades, os mesmos se mostram complemente alheios ao debate qualificado sobre as realidades das mulheres.
Exigimos um pronunciamento da Prefeitura de Petrolina e da Secretaria da Mulher, além de uma autocrítica por parte do Blog Carlos Britto, para se pensar uma nova campanha, realizada com a atenção e a importância que merece o debate da violência contra a mulher, contando com a participação de profissionais, órgãos da administração pública, acadêmicos, movimentos sociais e sociedade civil na perspectiva de uma real mudança da realidade local no tocante ao tema.
Rede de Mulheres Negras em Petrolina
Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro
Tatiana Carvalho – Psicóloga/militante feminista
Camila Roseno – Profª de História/militante feminista
GEIG- Grupo de estudos interdisciplinares em gênero
Márcia Alves – Sócia da Associação das Mulheres Rendeiras do bairro José e Maria
Associação das Mulheres Rendeiras
Gizelia Celiane – Professora da Rede Estadual de Educação da Bahia
Danielle Lisboa – Feminista/profº de História/ educadora social de proteção às mulheres vítimas de violência
Dalila Santos – Jornalista/ mestra e doutoranda em estudos de gêneros/ docente da UNEB/ Militante da Marcha Mundial das Mulheres
Cristiane Crispim – Atriz e produtora teatral/feminista/ Assessora no Mandato Coletivo – profº Gilmar Santos
Ângela Santana – Radialista/ Feminista/ Chefe de Gabinete no Mandato Coletivo – profº Gilmar Santos
Ananda Fonseca, estudante de Psicologia/ militante feminista.
Núcleo Biruta de Teatro
Marcha Mundial das Mulheres
Cristina Costa – Vereadora
Coordenação de Mulheres do PT





