Arquivos diários: 11 de agosto de 2014

Klose anuncia sua aposentadoria da seleção alemã: “nunca se tratou de recordes”

KLOSEO atacante Miroslav Klose anunciou nesta segunda-feira por meio do site da Federação de Futebol Alemã (DFB) sua aposentadoria da seleção da Alemanha, após se tornar o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 16 gols.

O centroavante do Lazio, de 36 anos, superou a marca de Ronaldo ao marcar o segundo gol da Alemanha contra o Brasil na semifinal do Mundial, na história derrota da seleção por 7 a 1.

Com isso, Klose põe fim a uma bem-sucedida carreira jogando pela seleção alemã: ‘com o título no Brasil cumpri meu sonho de infância. Estou orgulhoso e feliz de ter podido participar deste grande êxito para o futebol alemão’, disse o atacante.

‘Desfrutei de um tempo único e maravilhoso na seleção nacional com muitos momentos inesquecíveis. Usei as últimas semanas para recordá-los e desfrutá-los. Para mim não pode haver um momento mais belo para fechar o capítulo da seleção’, afirmou Klose.

O atacante, que estreou pela seleção da Alemanha em 24 de março de 2001, marcando um gol contra a Albânia, disputou 137 partidas e fez 71 gols, o último deles contra o Brasil, o que o torna também o maior artilheiro da história da seleção de seu país.

‘Eu sou atacante e a tarefa de um atacante é marcar gols. Para mim nunca se tratou de recordes, mas de dar os melhor de mim para a equipe. Como atacante dependo dos meus companheiros. Por isso quero agradecer aos meus colegas de seleção’, disse Klose.

Fonte: Agencia EFE, S.A.

O “polêmico” caso de Rafael Braga Vieira

RAFAEJRafael Braga Vieira tem 25 anos, é negro, morava na rua e era usuário de crack. Em 20 de Junho de 2013 foi preso, durante os protestos contra o aumento das passagens de ônibus. Foi julgado e condenado por crime relacionado a protestos no Brasil.

Rafael portava duas garrafas de produtos de limpeza (água sanitária e desinfetante), consideradas “artefato explosivo ou incendiário” pela polícia e pelo juiz responsável pelo caso. Rafael foi condenado por roubo duas vezes, penas que já cumpriu. O jovem disse em depoimento que foi preso quando saia da loja abandonada onde morava há um mês e onde pegara os dois frascos de limpeza.

Enquanto isso circula nas redes sociais, inúmeras manifestações que visam divulgar o caso, buscando uma verdadeira justiça, a favor do jovem. Mais de um ano se passou e Rafael cumpre pena na Penitenciária Vicente Piragibe, agora, em regime semi-aberto. O julgamento do recurso será marcado em breve e estão sendo encaminhadas propostas de carta de emprego, para que Rafael tenha direito ao trabalho extramuro.

Indagamos a seguinte questão: A justiça brasileira é muito falha? O país tem o prazer de encarcerar? Atualmente o Brasil possui mais de 500 mil presos, sendo que quase 200 mil ainda não foram condenados. O encarceramento, tão a gosto dos integrantes do sistema penal (juízes, que decretam, promotores que requerem e delegados que representam) é o único clamor que se houve da sociedade, capitaneada pela mídia em face do crime.

 Diogo Costa
Estudante de Direito

Isto Posto… Advocacia ou exercício de mendicância?

imagesPelos preceitos constitucionais, o advogado é indispensável ao Estado Democrático de Direito porque representa a imprescindível luta por justiça, funcionando como mecanismo de resistência ao arbítrio estatal ao exigir equidade entre direitos e deveres.

Com efeito, o seu atuar jamais poderá estar adstrito – sequer confundido – com o ato de mendicância, em que pese manejar o direito através de petições ao estado-juiz ou se pautar por um egocentrismo que pretenda subordinar os interesses caros a harmonia coletiva a fim de satisfazer seus caprichos egóicos de fama e fortuna.

Assim, a defesa de um cliente não pode por parte do advogado se sobrepor a defesa do direito como instrumento capaz de  transformar a sociedade; ou seu lado justiceiro ganhar proporções ao ponto de negligenciar a defesa de um réu confesso em crime hediondo, de tal forma que o transforme, a um só tempo, em  julgador e algoz de quem quer que seja.

Martin Scorsese, em Cabo do Medo, explora esta temática da defesa negligente conduzida por um advogado público para suscitar a reflexão sobre  a violência, seja ela estatal, pelos meios postos a disposição para punir o agressor ou compensar a dor da vítima, seja pela iniciativa privada que se vale da revitimização dos ofendidos pelos procedimentos judiciários, chamando atenção para que limites éticos norteiam o exercício da advocacia e o poder punitivo do Estado.

Nesse filme, Max Cady, belissimamente representado por Robert De Niro, um psicopata preso por estupro, que sai da cadeia 14 anos depois, pretendendo se vingar de Sam Bowden (Nick Nolte), seu ex-advogado, que deliberadamente omitiu informações sobre a promiscuidade da vítima que alterariam a decisão do júri, encarna a figura do estado tirânico, concomitantemente julgador e carrasco, numa defesa intransigente daquilo que ele concebera como justiça ética e divina, cujo propósito é aterrorizar a família do advogado, para que este pela dor do sofrimento de quem ama, encontre sua redenção.

Na vida real, a advocacia se confronta com esses mesmos parâmetros éticos, a defesa dos procedimentos de garantias legais e a medida de justiça que cada ser carrega em si, seja causídico ou não. No entanto, pelo afastamento cotidiano dessa reflexão, o advogado alheio às suas prerrogativas constitucionais, no desespero de fazer fama e fortuna, torna-se também vítima de uma estrutura estatal disseminadora de arbitrariedades.

Isto posto, advogado, penseis por um instante, neste que é o dia dedicado a ti, que a mendicância se alimenta da caridade dos outros, enquanto as tuas prerrogativas; no equilíbrio entre ti e os outros.

Por: Adão Lima de Souza