Arquivos mensais: setembro 2014

Isto Posto… Quem dará nome aos bois?

images (1)Estamos a poucos dias da eleição que definirá quem governará o país pelos próximos quatro anos e ninguém se deu conta ainda de qual projeto goza de sua preferência enquanto eleitor, melhor, enquanto cidadão diretamente afetado pelas decisões provenientes de Brasília. Decisões estas, quase sempre tomadas sob o calor das discursões vazias e a efervescência costumeira dos estratagemas de corrupção.

E isso, não resta dúvida, é consequência do inescrupuloso partidarismo que toma de assalto o eleitor brasileiro, em tempos de campanhas emocionantes e promessas renovadas de gentis candidatos que sorriem para nós e nos abraça afetuosamente falso, desviando-nos de fazer a mais importante pergunta, que assim poderia ser formulada:

Em quais projetos de governança estamos votando?

A resposta a tal questionamento seria, paradoxalmente, a pergunta: há projetos nos quais se votar? Ou nosso papel como eleitor jamais poderia ir além da adversidade entre essa ou aquela predileção por um ou outro candidato que mais ou menos consiga dizer aquilo que gostamos de ouvir, “que tudo mais mudar e agente será mais feliz inventando um lugar”, como um compositor baiano nos dissera certa vez, quando afirmava que “tudo era divino, tudo era maravilhoso”.

Então exercitemos a coragem! Façamos a indispensável pergunta sobre qual projeto escolher para ser por ele conduzido nosso destino nos anos vindouros. Analisemos, portanto, os três esboços grosseiros e grotescos postos a nossa disposição; o projeto Aécio, o projeto Marina e projeto Dilma, não necessariamente nessa ordem.

Em comum, todos sinalizam com uma mudança urgente e necessária. Falam de escola em tempo integral quando o que o país precisa é de educação integral; prometem melhorias na saúde, transporte, mobilidade urbana, enquanto recebem gordas contribuições às suas campanhas advindas dos empresários que se locupletaram à custa do sucateamento de hospitais e do transporte público em geral; alardeiam soluções mágicas para o setor de segurança partindo, ambos, do ponto equivocado de que segurança pública é caso de polícia; conclamam, por fim, a necessidade de eficientes mecanismos de combate à corrupção ao mesmo tempo em que mendiga o apoio político de notórios ladrões.

Assim sendo, quais são os projetos que temos a escolher?

O projeto Dilma é sustentado por um programa televisivo que mais parece cena do filme Matrix, mostrando um Brasil artificial, virtual, em detrimento do Brasil real que tem pessoas morrendo em macas fétidas de hospitais imundos, que tem trabalhadores disputando a cotoveladas uma vaga num ônibus ou metrô de qualquer uma das capitais, se quiser voltar para casa depois de sua jornada de trabalho, que tem uma polícia extremamente violenta torturando, matando ou fazendo desaparecer pessoas como o pedreiro Amarildo. Isso tudo num país onde, segundo o mesmo IBGE que só erra quando a verdade incomoda, mais de 60% dos cidadãos tem menos de cinco anos de escolaridade e outras 50 mil pessoas são assassinadas por ano.

Quanto ao projeto Aécio, este quer se valer de um discurso que não alcança ninguém. Não alcança a classe média nem a classe miserável que as estatísticas oficiais tentam esconder. Envelhecido, o discurso dele peca por se arrimar em diretrizes já experimentadas em governos passados, por conseguinte, também esgotado como o atual modelo de governo petista. Para Aécio só restaria o acolhimento da classe alta. Todavia, este segmento social está pouco se lixando para discursos, pois nesses estratos sociais ideologias se medem em dólar.

Por último, o projeto Marina, cuja proposta seria de uma “Nova Política contra o Pacto Mofado”, como definira seu antecessor Eduardo Campos. Entretanto, o que se vê é tanta rasura em seu esboço de governança que mesmo antes de findar já estar cheirando a mofo.

Resta, por fim, o não citado projeto PMDB, partido do qual tanto Aécio como Marina, a exemplo de Dilma, serão reféns, reafirmando a tese irrefutável de que as relações institucionais no Brasil se dão mediante chantagens.

Isto posto, caro eleitor, só lhe restará a ressaca no dia seguinte à votação e uma dor de cabeça que se prolongará por quatro anos, sem que o projeto escolhido por você lhe sirva de aspirina para sua enxaqueca moral.

Por: Adão Lima de Souza

JUAN ARIAS: Para o Estado somos todos bandidos

RIOEstou há muitos anos neste país que amo, sobretudo suas pessoas. Muitas coisas mudaram desde que aterrissei pela primeira vez no Rio, onde ainda se podia caminhar pela rua e viajar de ônibus sem ter que ficar alerta por medo de ser vítima da violência urbana. O mesmo ocorria em São Paulo.

O Brasil avançou na consciência dos cidadãos e até em riqueza econômica, apesar de uns poucos continuarem crescendo cada vez mais do que a maioria. Há algo, porém, que no Brasil não só não avançou, como também retrocedeu. Por exemplo, no que se refere ao respeito à vida das pessoas.

Eu me pergunto tantas vezes, com dor e até com raiva, por que a vida de uma pessoa vale tão pouco e é esmagada a cada dia como se esmaga uma barata. Esse pouco apreço por ela faz com que nossa polícia, eternamente mal paga e mal preparada, sempre com licença para matar, seja a cada dia mais truculenta e corrupta.

Eu voltei a me perguntar lendo a sangrenta reportagem de minha colega María Martín neste jornal sobre o tiro disparado por um policial na cabeça de um jovem vendedor ambulante, que acabou morto no asfalto de uma rua da rica São Paulo.

Esse policial que atirou sem compaixão no ambulante, como se atira em um coelho no campo, não pensou que aquele jovem vendia suas coisas na rua porque talvez não tenha tido a possibilidade de fazer algo melhor na vida? Que poderia ter sido seu filho ou irmão? Que ele também tinha sonhos e desejo de continuar aproveitando a vida?

Vendo aquelas imagens feitas no lugar do crime pela nossa repórter María meu estômago se revirou de desgosto e a mente, de indignação, enquanto pensava que esses policiais que em vez de nos dar um sentido de segurança e proteção nos incutem a cada dia mais medo.

Pensei também que a nossa classe média ajuda os guardiães da ordem a disparar o gatilho da pistola sem tantos remorsos. Fomos nós que cunhamos a terrível frase de que “bandido bom é bandido morto”. E o respeito à vida? “É que eles também não respeitam a nossa”, se contrapõe. Mas isso leva à concepção de que o Estado existe não para nos defender sem necessidade de matar, mas para “executar”, e se for com tortura, melhor. E que todos acabamos sendo vítimas potenciais dessa loucura.

Há países, como os Estados Unidos, onde se um policial poderia ter prendido um criminoso sem lhe tirar a vida e fica comprovado que não o fez porque era mais fácil matá-lo, acaba sendo duramente punido.

É um problema de escala de valores. Quando a vida de um ser humano, criminoso ou santo, deixa de ter valor supremo, todos logo acabamos nos tornando carne de canhão. Nossa vida entra em liquidação, perde seu valor e dignidade.

Tudo isso, no Brasil parece mais evidente pelo fato de que o Estado trata os cidadãos não como pessoas em princípio honradas, mas como potenciais “bandidos”. Em outros países, o Estado parte do pressuposto de que o cidadão é do bem, que não mente, que não engana, que não procura, a princípio, violar a lei.

E é o Estado, se for o caso, que tem de demonstrar que não é assim, que esse cidadão é um delinquente e fraudador, e só então terá de ser punido.

Viram como nós, cidadãos, somos tratados no Brasil quando precisamos comprar algo, quando entramos em um cartório? Todo o papel é pouco para demonstrar que não somos bandidos, sem-vergonha, mentirosos, vigaristas. Nos pedem certificados e mais certificados, assinaturas e mais assinaturas, reconhecimento de firma, e ainda mais, comprovação com presença física de que essa assinatura é autêntica.

Em uma ocasião, quando comprei um pequeno imóvel em Madri, tudo durou 20 minutos num cartório. Assinamos o contrato de compra e venda. O proprietário me entregou a escritura e as chaves e eu entreguei o cheque da compra. No Brasil nos teríamos perguntado, e se o imóvel foi vendido duas vezes? E se nós dois não estivéssemos nos enganando? E, e, e, e…..! Quantos “es” e quantos medos de que no fundo sejamos de verdade uns bandidos que só queremos enganar!

Essa possibilidade de que possamos estar enganando sempre se deve ao fato de que perante as autoridades, ante a polícia, ante o Estado, todos somos sempre vistos como bandidos em potencial. Como me disse um amigo meu, para meu espanto: “É que todos nós, brasileiros, somos todos um pouco bandidos. Se nós podemos enganar, fazemos isso”.

Não acredito. Sempre pensei que até nas sociedades mais violentas e atrasadas as pessoas de bem, honradas, que não desejam enganar são infinitamente mais numerosas do que os bandidos. Do contrário, o mundo inteiro seria há muito tempo um inferno.

É assim no Brasil? Enquanto se continuar pensando e agindo como se a vida humana tivesse menos valor do que um verme e ninguém se espantar quando é sacrificada com violência e sem remorsos, às vezes até por uma insignificância, talvez tenhamos que reconhecer que esse inferno existe também aqui.

Isso é o que recordam as mais de 50.000 vidas, todas elas de jovens negros ou mulatos, pobres quase em sua totalidade, que acabam assassinados a cada ano, mais que em todas as guerras em curso no Planeta. Cada vez que um policial acaba com a vida de uma pessoa na rua, às vezes por uma mesquinharia, continuará sendo alimentada, pela outra parte, a dos cidadãos e dos mesmos bandidos, uma cadeia infernal de desejo de vingança que continuará nos esmagando e humilhando.

Até quando? Irá despertar alguma vez este país de tantas maravilhas, de tantas pessoas fantásticas, com desejo de viver em paz, sem serem tratadas como se fossem todas bandidos, ou continuará deixando atrás de si a cada dia tristes trilhas de sangue e medo ante a impassividade e a impotência do Estado?

Juan Arias é colunista do EL País.

Forças Armadas admitem que mataram e torturam cidadãos brasileiros durante a ditadura militar

Tortura

Em resposta ao ofício da Comissão Nacional da Verdade (CNV), as forças armadas finalmente admitiram que mataram e torturaram cidadãos brasileiros durante o regime militar.

Abaixo, trecho do documento enviado à comissão pelo Ministério da Defesa.

1. Em atenção ao Oficio nº 585/2014-CNV, de 13 de agosto de 2014, no qual a Comissão Nacional da Verdade requer manifestação deste Ministério sobre as conclusões das sindicâncias  promovidas para apurar os desvios de :finalidade no uso de instalações militares, venho prestar os seguintes esclarecimentos:

2. [ … ] desde já, considero oportuno esclarecer que tenciono consignar, em minha manifestação à CNV, que o ordenamento normativo reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte e desaparecimento de pessoas durante o regime militar, bem como pelos atos de exceção praticados no período de 18 de setembro de 1946 a 05 de outubro de 1988.

3. Nesta perspectiva, o Estado Brasileiro, do qual este Ministério faz parte, por meio das autoridades legalmente instituídas para esse fim, já reconheceu a existência das lamentáveis violações de direitos humanos ocorridas no passado e assumiu sua responsabilidade pelo cometimento desses atos. [ … ].

Resta saber, agora, onde foram enterrados os corpos e que punição sofrerá quem ordenou a carnificina.

Por: Adão Lima de Souza

Costa fala de irregularidades em outras duas diretorias da Petrobras, diz Folha

COSTA

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa citou nos depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal ter conhecimento de irregularidades praticadas na diretoria de Serviços e na divisão internacional durante o período em que integrou a cúpula da estatal, de 2004 a 2012, conforme publicou o jornal Folha de S. Paulo neste sábado.

A diretoria de Serviços e Engenharia foi ocupada, à época,  por Renato Duque, segundo a Folha, indicação do PT, enquanto a área internacional estava sob responsabilidade de Nestor Cerveró, apoiado por petistas e peemedebistas, também de acordo com o jornal.

Citando relatos obtidos com advogados que têm acesso a informações do processo de delação premiada de Costa, a Folha informa que o ex-diretor citou nominalmente os ex-colegas, mas não indica se ele os incriminou diretamente.

A reportagem também diz que não está claro se Costa incluiu essas informações em seu acordo de delação, no qual é obrigado a apresentar evidências ou apontar o caminho para provar o que diz ou se falou sobre algo que conhecia sem ter detalhes.

Costa fez um acordo de delação premiada para contribuir com a investigação da polícia em troca de redução de sua pena em investigação da operação Lava Jato da PF. Há duas semanas vazamentos de depoimentos seus apontaram para suposto esquema de propinas relacionado a contratos da Petrobras para políticos e parlamentares da base governista.

SURPRESA!!!!

CBF

EMPRESA LIGADA A CBF É SUSPEITA DE CORRUPÇÃO

O INTERESSE DO POVO NA FARSA ELEITORAL

xcp1.jpg.pagespeed.ic.6GyHat5qL3

Debates vazios de público e coalhados de hipocrisia, cabos eleitorais pagos para segurar bandeiras, avalanches de propaganda para tentar engabelar as massas com fraseologia vazia sobre saúde, educação e segurança e a apresentação de obras de fachada.

Tudo isso para tentar cacifar o podre e desacreditado processo eleitoral. O que é intencionalmente escondido pelas pesquisas encomendadas pelos eleitoreiros e monopólios é o número crescente de brasileiros que boicotam as eleições, não votando, anulando o voto ou votando em branco.

Nas últimas eleições o boicote ultrapassou os 35 milhões de pessoas, número também crescente e assustador para as classes dominantes nos últimos pleitos em países da América Latina e da Europa.

Desde que Marina Silva aportou no circo eleitoral na condição de cabeça de chapa para a gerência do velho Estado semifeudal e semicolonial brasileiro um novo truque eleitoreiro tomou conta das campanhas para presidente.

Já acostumados a empreender a farsa eleitoral sempre com caráter plebiscitário, PT e PSDB tentam se adaptar a um terceiro candidato com condições de rivalizar e, inclusive, segundo as mais recentes pesquisas de “intenção de voto”, de ganhar as eleições no segundo turno.

Marina chegou a essa posição através de duas manobras: primeiro, posando como viúva de Eduardo Campos e surfando na comoção de sua trágica morte, conseguindo capitalizar ao máximo tudo que isso poderia lhe render de dividendos. Segundo, e mais importante, conseguindo orientar o debate para além da dicotomia PT/PSDB, com um tão ensebado quanto falso discurso de “nova política”.

Cinicamente, Marina, com sua performance de Madre Tereza de Calcutá com fins lucrativos, tenta se apropriar do espírito das jornadas de protesto popular de junho/julho de 2013, se fazendo de tonta e tentando convencer de que ela é o que as ruas pediram, sendo sua “REDE” o protótipo de organização política dos que rechaçam a representatividade atual.

Recordem-se que Dilma fez algo bem ao estilo em julho do ano passado, ao dizer que “ouvia as ruas” e propondo coisas que nada tinham a ver com as reivindicações do povo em revolta. O que fez mesmo foi incrementar a repressão mais selvagem sobre as manifestações e sob o berreiro reacionário de sempre do monopólio de imprensa tachou os jovens combatentes de “arruaceiros” e “vândalos”, lançando diretivas aos aparelhos policiais e do judiciário para a cruzada de “caça às bruxas”.

Mas Marina nada tem de novo. Pelo contrário, ela representa o que há de mais velho e carcomido na política eleitoreira brasileira e nenhum véu novinho em folha pode disfarçá-lo. Seu histórico de ligação com as maiores ONGs ambientalistas estrangeiras bancadas pelas grandes corporações e governos do USA e UE qualificam-na e avalizam-na também a gerenciar o velho Estado, em nome do imperialismo, principalmente ianque.

Assim como Dilma e Aécio, Marina, como primeira medida, afirmou o apoio incondicional ao latifúndio de fachada nova, o “agronegócio”, praticamente o único setor econômico importante do país desde que retornaram o Brasil à condição de mero exportador de commodities.

Atarantados, Dilma, Aécio e seus correligionários passaram a atacar Marina subterraneamente por sua religiosidade. Se é verdade que ela é neopentecostal fundamentalista, não é menos verdade que Aécio não se furta de posar com altos executivos de qualquer igreja e que Dilma não pensa duas vezes em comparecer a inaugurações de templos suntuosos de adoração à época remota do escravismo e a declarar em eventos do estilo que “feliz é a nação cujo deus é o senhor”.

Concretamente, na gerência do velho Estado, nem PT nem PSDB jamais se atreveram a confrontar os interesses do Vaticano ou da chamada “bancada evangélica”.

Atacam ainda Marina por ter em seu staff banqueiros e economistas “neoliberais”, bem como de ter sido uma péssima ministra. E se nada disso é novo, também não é diferente dos demais principais candidatos. Como pode Dilma acusar Marina de ser assessorada pelo economista de Collor, se a própria Dilma tem entre os corifeus de sua base aliada o próprio Collor. Se Marina é apoiada pelo banco Itaú, no governo do PT os banqueiros têm lucrado “como nunca na história desse país”.

Tudo isso só atesta o avançado estado de decomposição em que está mergulhado todo o edifício estatal brasileiro e seu sistema político de governo, expressos tão bem nesta ciranda de mentiras, cinismo, corrupção e horror que é o processo eleitoral e seus parlamentos. Nada novo pode surgir desse sistema putrefato que só existe para garantir os interesses do imperialismo e das classes dominantes locais de grandes burgueses e latifundiários.

E, em vão, tentam as frações do Partido Único faturar sobre a revolta popular do último ano. O rechaço às bandeiras das agremiações eleitoreiras nos protestos é algo mais que um modismo apolítico que sociólogos burocratas a soldo e a politicalha parasita preferem crer. Muito além disto, representa uma verdadeira elevação da consciência política das massas populares, que aos poucos vão se libertando das chantagens eleitoreiras e das apelações demagógicas deste ou daquele postulante a cargo eletivo.

O rechaço às eleições está nas ruas, em todos os lugares. O boicote à farsa eleitoral se anuncia grande. E nem Marina com seu velho conto de “nova política” pode detê-lo em seu crescente contágio.

 Fonte: A Nova Democracia