Procuradoria: Festejar golpe de 64 é incompatível com Estado de Direito

Em nota pública, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão reagiu, hoje, à orientação do presidente Jair Bolsonaro aos quartéis para que celebrem a “data histórica”, quando um golpe militar derrubou o governo João Goulart e iniciou um regime ditatorial que durou 21 anos. Segundo o órgão do Ministério Público Federal, se fosse levado a cabo hoje, o golpe seria enquadrado como crime contra a ordem constitucional, e, se tivesse o apoio do presidente da República, este estaria cometendo crime de responsabilidade.
“É incompatível com o Estado Democrático de Direito festejar um golpe de Estado e um regime que adotou políticas de violações sistemáticas aos direitos humanos e cometeu crimes internacionais”, diz a Procuradoria.
A nota é assinada pelas procuradoras dos Direitos do Cidadão Deborah Duprat e Eugênia Augusta Gonzaga, e também pelos procuradores Domingos Sávio Dresch da Silveira e Marlon Weichert.
Para os procuradores, ’embora o verbo comemorar tenha como um significado possível o fato de se trazer à memória a lembrança de um acontecimento, inclusive para criticá-lo, manifestações anteriores do atual presidente da República indicam que o sentido da comemoração pretendida refere-se à ideia de festejar a derrubada do governo de João Goulart em 1º de abril de 1964 e a instauração de uma ditadura militar’.
“Em se confirmando essa interpretação, o ato se reveste de enorme gravidade constitucional, pois representa a defesa do desrespeito ao Estado Democrático de Direito. É preciso lembrar que, em 1964, vigorava a Constituição de 1946, a qual previa eleições diretas para presidente da República”, dizem.
Em nota, ainda afirmam que o ‘mandato do então presidente João Goulart seguia seu curso normal, após a renúncia de Jânio Quadros e a decisão popular, via plebiscito, de não dar seguimento à experiência parlamentarista’. Ainda que sujeito a contestações e imerso em crises, não tão raras na dinâmica política brasileira e em outros Estados Democráticos de Direito, tratava-se de um governo legítimo constitucionalmente”.
“O golpe de Estado de 1964, sem nenhuma possibilidade de dúvida ou de revisionismo histórico, foi um rompimento violento e antidemocrático da ordem constitucional”, afirmam.
Os procuradores alertam o presidente. “Se repetida nos tempos atuais, a conduta das forças militares e civis que promoveram o golpe seria caracterizada como o crime inafiançável e imprescritível de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático previsto no artigo 5°, inciso XLIV, da Constituição de 1988”.
“O apoio de um presidente da República ou altas autoridades seria, também, crime de responsabilidade (artigo 85 da Constituição, e Lei n° 1.079, de 1950). As alegadas motivações do golpe – de acirrada disputa narrativa – são absolutamente irrelevantes para justificar o movimento de derrubada inconstitucional de um governo democrático, em qualquer hipótese e contexto”, explicam.
Segundo os procuradores, ‘não bastasse a derrubada inconstitucional, violenta e antidemocrática de um governo, o golpe de Estado de 1964 deu origem a um regime de restrição a direitos fundamentais e de repressão violenta e sistemática à dissidência política, a movimentos sociais e a diversos segmentos, tais como povos indígenas e camponeses’.
“Transcorridos 34 anos do fim da ditadura, diversas investigações e pesquisas sobre o período foram realizadas. A mais importante de todas foi a conduzida pela Comissão Nacional da Verdade – CNV, que funcionou no período de 2012 a 2014. A CNV foi instituída por lei e seu relatório representa a versão oficial do Estado brasileiro sobre os acontecimentos. Juridicamente, nenhuma autoridade pública, sem fundamentos sólidos e transparentes, pode investir contra as conclusões da CNV, dado o seu caráter oficial”, afirmam.
Lula pede ao STJ para anular condenação no caso do triplex e mandar ação para Justiça Eleitoral

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta segunda-feira (25) que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anule a condenação do caso do triplex e mande a ação para análise da Justiça Eleitoral.
O pedido foi feito por conta da decisão tomada há duas semanas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu que crimes comuns (como corrupção e lavagem de dinheiro) conexos a crimes eleitorais (como caixa dois) devem ser analisados pela Justiça Eleitoral e não pela Justiça Federal.
Na avaliação da defesa de Lula, no processo do triplex há menções a suspeitas de crimes eleitorais, embora o Ministério Público tenha apenas mencionado corrupção e lavagem. Na semana passada, a Segunda Turma do STF entendeu que mesmo que o MP não mencione, a competência é da Justiça Eleitoral se os fatos estiverem claros nos autos.
No pedido feito nesta segunda, a defesa de Lula pede que o relator no STJ, ministro Felix Fischer, leve esse tema para discussão na Quinta Turma do STJ. A expectativa é que a turma analise na próxima semana, dia 2 de abril, o recurso de Lula contra condenação no caso triplex (entenda mais abaixo).
“Requer-se o conhecimento desta postulação e o enfrentamento da matéria de ordem pública aqui versada. (…) Requer-se, ainda, ante a incompetência absoluta, ratione materiae, da tramitação e do julgamento da Ação Penal nº 5046512-94.2016.4.04.7000 nas instâncias ordinárias, seja declarada a nulidade de todos os atos praticados pelos órgãos judiciários incompetentes, com a consequente remessa do processo à Justiça Eleitoral, para que a matéria seja deduzida perante o juiz natural da causa e por este julgada”, diz o pedido.
Julgamento do recurso
A defesa de Lula também pediu para ser avisada sobre quando o recurso contra a condenação será julgado, para acompanhar os debates na Quinta Turma.
Em janeiro de 2018, Lula teve condenação pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que aumentou a pena para 12 anos e um mês de prisão. Os desembargadores entenderam que o apartamento em Guarujá era pagamento de propina a Lula por parte da construtora OAS.
Em abril do ano passado, Lula começou a cumprir a punição por conta da decisão do STF que permitiu a execução da pena para condenações a partir da segunda instância.
No fim de 2018, o recurso de Lula foi analisado pelo relator da Lava Jato no STJ, o ministro Felix Fischer. Em decisão individual, Fischer negou o recurso, não viu ilegalidade por parte da primeira e segunda instância e decidiu encerrar a questão no STJ A defesa de Lula recorreu por meio de um agravo regimental, recurso que precisa ser analisado pelo colegiado.
Esse recurso deve ser levado à Quinta Turma por Felix Fischer. Ministros do colegiado já foram alertados que o caso será levado “em mesa” – quando não precisa estar na pauta de julgamentos.
A Quinta Turma pode decidir se o relator poderia decidir sozinho, e, caso considerar que deveria ter havido decisão colegiada, entrar no mérito do recurso, que aponta ilegalidades na condenação e pede, alternativamente, redução de pena.
Fatos novos
A defesa do ex-presidente também apontou ao STJ o que chama de “fatos novos” em benefício da defesa dele.
Um é o acordo entre a Petrobras e os Estados Unidos, no qual a empresa se apresentou como culpada e concordou em devolver valores. A defesa diz que, no processo contra Lula, a Petrobras se diz vítima de fraudes e que isso seria incoerente.
Outro fato novo apontado pela defesa é um processo trabalhista no qual um ex-diretor da OAS mencionou pagamentos por ajustes em delações da empresa.
Desembargador manda soltar ex-presidente Michel Temer

O desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, determinou, há pouco, a soltura do ex-presidente Michel Temer. As informações são do Estadão.
Athié é relator do habeas corpus dos advogados de Temer, que contestam o decreto de prisão do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, responsável pela Operação Lava Jato. A decisão também inclui a liberdade do ex-ministro Moreira Franco e outras cinco pessoas, entre eles o Coronel Lima, amigo do ex-presidente.
Athié havia pedido que o caso fosse incluído na pauta de julgamento do tribunal na próxima quarta-feira, para que a decisão sobre o habeas corpus fosse colegiada. Ao conceder a liberdade, porém, ele se antecipou.
Governo Bolsonaro se manifesta a favor de prisão após condenação em segunda instância

A Advocacia Geral da União (AGU), órgão de assessoria jurídica do governo federal, enviou manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) se posicionando a favor da prisão após condenação em segunda instância.
É a primeira manifestação da AGU favorável à atual regra da Suprema Corte. No governo Michel Temer, o órgão se manifestou contra a prisão em segunda instância, mas a interpretação foi alterada agora pelo governo Bolsonaro.
A prisão depois de condenação em segunda instância voltará a ser julgada pelo STF em 10 de abril. Desde 2016, o Supremo entende que a prisão após segunda instância é possível, mas ações no tribunal visam mudar o entendimento.
Em 10 de abril serão analisadas três das cinco ações que pedem que as prisões após condenação em segunda instância sejam proibidas em razão do princípio da presunção da inocência.
O parecer apresentado nesta terça-feira (19) pela AGU se posicionando pela primeira vez a favor da atual jurisprudência do Supremo se refere à ação protocolada pela Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam) questionando a legalidade de uma súmula editada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).
A súmula define que, quando uma condenação é confirmada em segundo grau, deve ser iniciado o cumprimento da pena independentemente de o réu ter apresentado recursos aos tribunais superiores.
Essa ação foi apresentada em julho do ano passado e está sob a relatoria do ministro Luís Roberto Barroso. O processo não está entre os que serão julgados pelo STF no mês que vem.
A expectativa é de que a AGU dê o mesmo parecer favorável à prisão em segunda instância nas três ações que serão julgadas em abril pela Suprema Corte, protocoladas pelo PEN, pela OAB e pelo PC do B.
Uma quinta ação foi apresentada pelo PDT neste mês e também não está entre as que serão julgadas em 10 de abril. O ministro Marco Aurélio Mello é o relator das ações dos partidos e da OAB.
O parecer enviado ao STF na terça, assinado pelo advogado-geral da União, André Mendonça, afirma que executar a pena a partir da segunda instância é um equilíbrio entre o princípio da presunção da inocência e o direito das vítimas de condutas criminosas.
“Quando a garantia da presunção de inocência é estendida para impedir qualquer prisão não cautelar antes da conclusão dos processos nas instâncias extraordinárias, o que se percebe é uma grave afetação dos direitos fundamentais das vítimas das condutas criminosas”, diz trecho do parecer do advogado-geral da União.
Conforme a AGU, a permissão para aguardar recursos em liberdade só favorece quem tem mais condição de pagar advogados caros.
André Mendonça ressalta ainda que não é correto considerar as prisões após segunda instância como “arbitrárias” porque duas instâncias já avaliaram as provas.
“Não há arbitrariedade na decretação da prisão de um acusado que já teve seu comportamento avaliado como merecedor da reprimenda penal por órgão judicial colegiado. Arbitrária é a eternização – para alguns, inclusive, contra perspectivas de reforma constitucional – de um sistema incapaz de garantir alguma efetividade a ato condenatório já avalizado por múltiplas autoridades judiciárias.”
Taxa de bom e ótimo do governo Bolsonaro cai 15 pontos

Pesquisa realizada pelo instituto Ibope revela que, entre fevereiro e março, a parcela da população que considera o governo Jair Bolsonaro ótimo ou bom caiu de 39% para 34%. Desde janeiro, quando o presidente foi empossado, houve redução de 15 pontos porcentuais (de 49% para 34%) nesse segmento. A avaliação é pior de um presidente em primeiro mandato feita em março.
Já os que veem o governo como ruim ou péssimo subiram de 19% para 24% nos últimos 30 dias. Desde janeiro, essa taxa mais do que dobrou (de 11% para 24%). A parcela que acha o governo regular também está aumentando: de 26% em janeiro foi a 30% em fevereiro e, agora, chegou a 34%.
O Ibope também perguntou aos entrevistados se aprovam ou desaprovam o governo – pergunta que não dá margem a uma resposta neutra, como a avaliação regular. Nesse caso, a taxa de aprovação ainda alcança a maioria absoluta da população, mas está em tendência de queda forte. Em janeiro, 67% aprovavam o governo. No mês seguinte, o resultado foi 57%. Agora, chegou a 51%. Já a desaprovação, no mesmo período, foi de 21%, 31% e 38%, respectivamente.
A série de três pesquisas Ibope revela ainda uma queda acentuada na confiança no presidente. Em janeiro, 62% afirmavam confiar em Bolsonaro. A taxa caiu para 55% em fevereiro e, agora, para 49%.
Carlos Bolsonaro vai a Brasília para tocar agenda do presidente

Na ausência do presidente Jair Bolsonaro, que está em Washington, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) está em Brasília para, segundo ele, cumprir missões dadas pelo pai. Embora não ocupe cargo no governo, Carlos postou nas redes sociais fotos do seu tour. Ele despachou na Câmara dos Deputados e no Palácio do Planalto. As informações são do Portal Estadão.
“Em Brasília. Dentre muito o que conversar com amigos Deputados Federais e desenvolvendo linhas de produção solicitadas pelo Presidente Jair Bolsonaro”, relatou no microblog.
Os primeiros compromissos foram no Legislativo. O vereador foi aos gabinetes do irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e do deputado Hélio Lopes (PSL-RJ). Na Câmara, estava acompanhado do subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, José Vicente Santini. Carlos não quis falar com a imprensa.
Assim que chegou na Câmara, o Estado flagrou Carlos ao telefone no corredor que dá acesso ao gabinete de Eduardo, fazendo críticas a área de comunicação do governo. A um interlocutor não identificado, o “02”, como é chamado por Bolsonaro, ele reclamava da área. O vereador já forçou a demissão de um ministro, Gustavo Bebianno, e tem pessoas de sua confiança na estrutura do Planalto.
Bebianno ao deixar o governo após ser chamado de mentiroso por Carlos nas redes sociais, disse a interlocutores que há uma estrutura contratada pelo Planalto para atacar nas redes quem desagrada a Carlos.
No gabinete do deputado Helio Lopes, Carlos Bolsonaro ficou por cerca de uma hora. O deputado é uma liderança entre suboficiais e outros membros da base do Exército. Desde domingo, ele tenta acalmar representantes da caserna insatisfeitos com a falta de propostas claras para os militares de menor patente na reforma da Previdência.
Após o encontro, o vereador postou no Twitter que estava em Brasília onde desenvolvia “linhas de produção solicitadas pelo Presidente Jair Bolsonaro”. No domingo, Bolsonaro usou o Twitter para dizer que ainda não conhecia a “versão do projeto de lei que trata da previdência dos militares” e avisou: “possíveis benefícios ou sacrifícios são divididos entre todos, sem distinções ou graduações. Vamos valorizar e unir a tropa no ideal de melhor servir o País”, digitou.
Ministério da Educação pode ir para o DEM

As últimas horas mudaram os ventos que sopravam fortemente contra o ministro Ricardo Vélez. Sua situação parecia insustentável depois de medir forças com Olavo de Carvalho – o guru dos Bolsonaro que tem no Ministério da Educação um exército de olheiros zelando para que o pensamento do mestre seja o balizador das decisões.
Segundo o Radar Online, o que fez o presidente adiar, por ora, a demissão de Vélez foi a reforma da Previdência. Bolsonaro não quer um desgaste desta natureza no auge de delicadíssimas negociações.
Mesmo o chefe da casa civil, Onyx Lorenzoni, notório desafeto de Vélez, apoiou sua sobrevida.
Os olhos se voltam agora para a escolha do número dois da pasta. Vélez chegou a anunciar Ioleni Silva, ex-diretora de um colégio batista, mas as costuras políticas neste momento são com o DEM.
O cálculo do governo é de que um agrado ao partido de Rodrigo Maia viria em boa hora. Enquanto os bastidores do poder estão em ebulição, nada anda no MEC.
Governo arrecada R$ 2,377 bilhões à vista com leilão de 12 aeroportos

Empresas estrangeiras dominaram o leilão de 12 aeroportos realizado hoje pelo governo na B3, em São Paulo. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com a disputa, realizada em três blocos, a arrecadação à vista do governo ficou em R$ 2,377 bilhões – valor R$ 2,158 bilhões acima do mínimo fixado pelo edital para o valor de outorga inicial. O ágio médio do leilão foi de 986%.
Além do valor à vista, as regras do leilão preveem ainda uma outorga variável a ser paga ao longo dos 30 anos de concessão estimada em R$ 1,9 bilhão para os três blocos de aeroportos concedidos. O investimento previsto nos 12 aeroportos ao longo do período de concessão é de R$ 3,5 bilhões.
O leilão confirmou a expectativa do governo de forte disputa e interesse de investidores estrangeiros.
“Vamos ver uma intensa competição. Uma forte demonstração de confiança do investidor estrangeiro no vigor do mercado brasileiro, na condução da política econômica e na possibilidade de termos reformas”, disse o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, ao chegar na B3.
Este foi o quinto leilão de concessão de aeroportos do Brasil e o primeiro do governo Bolsonaro. Com o leilão de hoje, o número de aeroportos administrados pela iniciativa privada no país subirá de 10 para 22.
Atualmente, 7 operadoras internacionais já atuam no Brasil: o grupo suíço Zurich Airport (Florianópolis e Confins), o alemão Fraport (Fortaleza e Porto Alegre), os franceses Egis (Viracopos) e Vinci Airports (Salvador), o argentino Corporación América (Brasília e São Gonçalo do Amarante), Changi Airports, de Cingapura (RIOgaleão), e a Airport Company South Africa, da África do Sul (GRU Airport).
Bloco Nordeste
A espanhola Aena venceu o disputado leilão pelo principal bloco de aeroportos. Com oferta de outorga de R$ 1,9 bilhão – que surpreendeu os participantes do leilão – o consórcio vai administrar os aeroportos do bloco Nordeste, considerado o ‘filé’ das concessões desta sexta, que compreende os terminais de Recife, Maceió, João Pessoa, Aracaju, Juazeiro do Norte e Campina Grande.
A outorga mínima estabelecida pelo governo para o bloco era de R$ 171 milhões, pagos à vista. A proposta da Aena representa um ágio de 1.010%.
A previsão é que a empresa vencedora faça um investimento de R$ 2,153 bilhões nos seis terminais, sendo R$ 788 milhões nos cinco primeiros anos do contrato.
Mendonça comemora e diz que leilão do Aeroporto do Recife é olhar para o futuro

O ex-deputado e ex-ministro Mendonça Filho comemorou, hoje, o resultado do leilão do Aeroporto dos Guararapes. “Muito bom para o Recife. Será Hub da operação na região e terá mais oportunidades de investimentos com a geração de novos empregos e renda, beneficiando diretamente regiões do entorno como Imbiribeira, Jordão, Ipsep, URs”, afirmou. Mendonça destacou que nunca entendeu essa síndrome provinciana de querer fechar Recife para o mundo, que alimentou o movimento contrário ao leilão. “Pernambuco não pode viver de passado. Permitir ao Recife ser Hub na região é olhar para o futuro, gerando oportunidades para os recifenses e os pernambucanos”, afirmou Mendonça.
Segundo ele, o fato de o leilão ser ganho pela maior operadora de aeroportos em número de passageiros do mundo comprova que a operação em bloco é atrativa. “Os aeroportos do bloco, no seu conjunto, não representam sequer o tamanho do Aeroporto dos Guararapes. Recife será HUB, o concentrador dessa operação”, afirmou, ressaltando que essa é a melhor solução para alavancar o desenvolvimento econômico com oferta de infraestrutura adequada para a cidade e a Região.
“O fundamental é a operação em si. A capacidade de alavancar investimentos, trazer novos empregos e gerar renda para o Recife”, defende, ressaltando que o fato da vencedora ser espanhola é positivo, porque reforça as ligações históricas, culturais e econômicas de Pernambuco com a Península Ibérica. “No setor aéreo já temos operação aérea para Espanha e Portugal, que deve ser potencializada”, destacou.
Isto Posto… A família Bolsonaro e o flerte com as milícias!

A família Bolsonaro parece não destoar do Código de Conduta que passou a imperar na cidade do Rio de Janeiro. Lá a ética pública se norteia por maquiavelismo que divide os bons e os maus políticos em grupos, nem sempre antagônicos, de mocinhos e bandidos, ou seja, ou o candidato se alia aos milicianos ou se rende aos narcotraficantes para poder se eleger vereador, deputado, senador, prefeito, governador ou presidente república.
Portanto, no combate a apontada criminalidade – esta pretensamente dissociada da corrupção política – o Estado, cujo dever era impor a Lei para manutenção da ordem, tolera a existência de milícias formadas por agentes e ex-agentes seus como se fosse uma espécie de força auxiliar sua na guerra declarada contra o tráfico que, assim como os milicianos, também costumam irrigar as campanhas políticas com o dinheiro sujo do crime.
As Escolas de Samba, Sergio Cabral, Pezão e outras figuras notórias da 7ª Vara Federal Criminal, conduzida pelo juiz federal Marcelo Bretas.
Nessa toada, todos lembram que ao vir à tona a “contabilidade criativa” praticada no gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro, pelo eficientíssimo assessor Queiroz, notável vendedor de carros que fazia multiplicar seus ganhos e de seu chefe com a velha prática de compartilhar dos salários pagos aos seus contratados, também vieram à lume dois conhecidos milicianos, antes homenageados pelo atual senador da república, pela bravura demonstrada no exercício das funções policiais, pelo “exacerbo” no trato da coisa pública e pelo esmero na aplicação da Lei.
Agora, quando finalmente suspeitos do assassinato da vereadora Mariele Franco e seu motorista Anderson Gomes são presos, eis que estes são milicianos – mocinhos auxiliares do Estado –, e o acusado de ter efetuado os disparos vizinho de ninguém menos que o presidente da república, num condomínio onde imóveis custam mais de quatro milhões, valores incompatíveis com o salário de um ex-policial militar e também de um deputado federal.
Todavia, considerando que o novo governo ainda colhe os louros da vitória, é bem possível que tais conjecturas sejam apenas fruto de intriga de quem apostou na oposição e perdeu. O tempo dirá.
Isto posto, faço minhas as palavras do saudoso Luiz Melodia “é bom ficar de olho aí”.
Por: Adão Lima de Souza





