O Racismo à brasileira
Você já imaginou o que é ser negro? Qual a situação do negro aqui no Brasil? Porque a sociedade discrimina as pessoas de cor preta?

O racismo é um problema mundial, mas geralmente aqui em nosso País, é tratado como se não existisse. Esse faz de conta deixa-nos bastante cômodos, e camufla uma situação de fato no nosso dia a dia, em ocasiões corriqueiras e conversas informais, piadinhas que veiculam imagens estereotipadas que inferiorizam o negro. Bem, depois das piadas serem contadas e certamente provocarem risos, há que dê um aperto e mão ou um tapinhas nas costas de um colega de cor preta e diga: “é brincadeira, apesar de negro, você é nosso amigo”.
A outra forma é o subterfúgio, espécie de artimanha de isenção de responsabilidade social, no qual as pessoas atribui ao negro a culpa pela sua situação, pelo seu “destino”. Assim, ao invés de vítima, passa a ser o algoz de si mesmo, e de agredido ele passa a ser o agressor. Essa burla dos fatos pode ser exemplificada em frases como “É o negro que discrimina!”; “O negro é que é racista!”; “O negro é pobre porque quer!”.
O Mito da Democracia Racial
No que diz respeito somente aos negros, no Brasil há um mito que impede que muitos deles se identifiquem propriamente como pessoas negras e partam, juntamente com outras pessoas comprometidas com sua causa, para ação política. É o mito da democracia racial, eficaz por negar que exista conflito entre negros e brancos. No nosso entendimento, o conflito racial existe, sutil, velado, não declarado.
A sociedade resiste em livrar-se de seus mitos porque é difícil encarar a realidade. Quando se torna impossível sustentar a tensão entre o real e o imaginário, entre o objetivo e o subjetivo, são buscadas medidas paliativas que pouco resolve. No nosso caso, a realidade é a existência do racismo; o imaginário é a negativa de que este exista.
O fato de nesse pequeno ensaio estarmos discutindo essa questão interna, mas o racismo no mundo é endêmico. Vários estudos apontam a etnocentria como fator preponderante, entre outros. No caso dos movimentos e protestos atuais nos Estados Unidos, em que pese o assassinato do negro George Floyd, nos remete às correntes de pensamentos ou sentimentos que à medida que circulam socialmente fazem eclodir generalizados movimentos de protesto.
Claro que em momento de pandemia as emoções se exacerbam diante do imprevisto e das temeridades. A tendência é que os protestos atuais venham a ser substituídos por outros temas de protestos, conforme a pauta de cada época. Uma mudança substancial dos atuais protestos poderia surgir se provocasse uma nova legislação ou um novo pacto de lideranças comprometidas com mudanças estruturais no seio das sociedades. Tem sido muito difícil construir novos pactos em decorrência apenas de protestos. A esperança é que surja algum estadista que crie um fato novo para melhor entendimento de processos étnicos e culturais.
Bem! A pergunta que deixo aqui é: o que estamos deixando para as próximas gerações?
Por Celso Franca, Doutor em Educação pela Facultad Interamericana de Ciencias Sociales; Mestre em Sociologia (UFPE); Especialização em Gestão de Negócios Internacionais (FGV); Graduado em Ciências Sociais (UNIFACS); Prof. da FACAPE; Vice – Coordenador do Projeto Escola Verde – PEV.
Dias Tormentosos em Rio dos Currais

Por volta do fim de janeiro do ano seguinte, o estimado prefeito anunciou novas obras de embelezamento da cidade. Era preciso preparar Rio dos Currais para sua grande festa anual. A tradicional festa de São João, no mês de junho. Época em que a cidade se transformava em um grande ponto turístico, pois vinha gente de toda região acompanhar as famosas vaquejadas, pegas de boi, festejos juninos animadíssimos como não se via em parte alguma do Vale do Salitre. A cidade de Rio dos Currais, embora fosse o município com menor população do país e contasse em sua geografia, excetuando-se, é claro, a grande extensão rural, com nada mais que quatro ruas dispostas no entorno da imponente igreja de São João, ao norte; da construção barroca que abrigava a prefeitura e a câmara municipal ao sul; e do hospital a leste; e da escola infantil onde estudavam os filhos dos quinhentos e oitenta e cinco habitantes, a oeste; costumava receber centenas de visitantes durante as famosas festas de junho. Gente de toda parte aportava nas franjas de Rio dos Currais no mês de junho para participar de competições como pegas de boi, corrida de morão, festas de apartação, farra do boi. Durante quinze dias, a cidade era o destino de muitos que queriam diversão, paqueras, gastar dinheiro, dançar forró, comer milho assado, cozido, pamonha, espeto de gato, mungunzá doce, salgado, carne de bode, carneiro, queijo de cabra, rapadura, caldo de cana, farinha seca com carne salgada, enfim, todo tipo de iguaria e bebidas que fariam inveja aos deuses do olimpos, com suas ambrosias. Era um tempo de bonança para Rio dos Currais. O faturamento das lojas de acessórios crescia vertiginosamente. Os pequenos comércios de comida, de objetos artesanais de barro, de couro; os hotéis improvisados, as pequenas glebas de terras transformadas em chácaras para turistas; os currais alugados, as casas de campo, tudo era negociado a preço alto, aquecendo a economia local e aborrotando os bolsos insaciáveis dos cidadãos de bens da pequena cidade, aqueles mesmos que se encarregavam da administração municipal ou da feitura das leis.
Logo, era imperioso, dizia o prefeito, vangloriando-se da grande ideia, “embrenhar esforços desmedidos para tornar Rio dos Currais a mais linda cidade de todo vale, para quando os visitantes que aqui chegam, sejam tomados de assalto pela admiração irresistível ante a beleza incomparável de nossa cidade”. Então, que começassem as obras de embelezamento ainda no mês de janeiro, pois, já havia apontado no horizonte o ano vindouro. Assim aconteceu. Desta vez era hora de reformar todas as fachadas de lojas, residências, câmara de vereadores, prefeitura, hospital, escola. Era também necessário reformar a praça central, substituindo bancos, trocando pisos, mudando a tonalidade da pintura. O secretário de obras veio a público, explicou os projetos arquitetônicos à população, especificou os quantitativos orçamentários, discorreu sobre normas de construção, segurança do trabalho, equipamentos de proteção individual e coletivos, da importância de se evitar acidentes de trabalho, da resistência dos materiais, da mecânica dos fluídos, da textura das tintas, para ao final informar aos moradores que todos os custos da empreitada seriam repassados para a conta de IPTU de cada unidade residencial, através de moderníssima modalidade de tributação denominada de Contribuição de Melhorias, imposto exacerbadamente utilizado nos países civilizados. Sobre o qual, dissera sem disfarçar a empolgação, durante o descerramento da placa de inauguração do início das obras, estava agora bastante informado por meio de Domingo Elesbão, presidente da casa legislativa, que acabara de chefiar uma missão de suma importância para o desenvolvimento de Rio dos Currais, em viagem oficial pelos estados Unidos, Europa e China.
Em meio aos aplausos entusiasmados de alguns presentes e do corpo de funcionários da prefeitura e da câmara de vereadores, ouviu-se ao fundo o primeiro reclamo de Joelson da Farmácia:
_ Esse “fiu do cabrunco” vai botar mais conta nas nossas costas, desgraçado, fio de uma ronca e fuça “miserávi”, pai d’égua.
_ Pois num é, cumpadre! – apoiou o barbeiro Alonso. – já não basta viajar o mundo todo por nossa conta, ainda vai fazer reforma da cidade para a gente pagar.
Outros esboçaram, a seus modos, tímidos protestos que foram ofuscados pela habilidade retórica de Etevaldo Elesbão, excelentíssimo senhor prefeito do munícipio de Rio dos Currais, cidade próspera à margem do Rio que nasce na Serra da Saudade. Depois disso, ninguém mais se manifestou e as obras tiveram começo, porém, não puderam ser concluídas, em virtude das contingências da vida, que a todos faz sucumbir e mudar os planos.
A cidade tinha esse nome em homenagem à imensa extensão de pasto verde que se alastrava por todo território. Por ali, ano após ano, alguns milhares de cabeça de gado vinham tangidas por aboios entoados por vaqueiros pobres, a atravessar os campos de Rio dos Currais em direção aos portos que ficavam nas cercanias do litoral. Enquanto despachantes cuidavam da burocracia para embarcar a carne para o estrangeiro, tarefa que costumava durar até dois meses para seu desembaraço, rebanhos inteiros permaneciam em currais à beira do rio que banhava o Vale do Salitre, pastando, ruminando e adubando a terra. Nesse ínterim, acontecia a grande festa de São João de Rio dos Currais, com suas exuberantes vaquejadas, barracas de comida e bebida e bandas de forró que se estendiam noite a fora, animando os casais que se arriscavam a rodopiar nos salões de dança improvisados sobre o chão batido, num arrasta-pé que enfeitiçou os americanos servindo em bases militares durante a segunda guerra mundial. Durante as festividades, a cidade era toda enfeitada com bandeirolas, palhas de coco trançadas, pessoas vestidas de roupas de cangaceiros, jaquetas, sandálias e chapéus de couro cru, celas ornamentadas para cavalos, escoras, facões e bainhas, peixeira e bicho morto crepitando nas churrasqueiras feitas com tijolos enfileirados sobre o chão poeirento da temporada seca que é o outono no Vale do Salitre.
_ Eita que a cidade “tá ficano é bunita”, cumadre.
_ “Né mermo” dona Leninha. O prefeito “butou foi pegado”, agora. A testada da frente da casa tá mais enfeitada que cruz de beira de estrada.
_ Então não é, dona das Dores. Dá é gosto votar em Etevaldo. “Ô prefeito pra gostar de tudo arrumadinho”. “É um peste mesmo, hein?”
_ E num é? Se num fosse a roubalheira da família, nossa cidade era um brinco.
_ Ah isso é verdade, viu cumadre. O tal do Domingo Elesbão, vixe maria! – exclamou dona Leninha, fazendo o sinal da cruz enquanto desaparecia casa adentro. Dona das Dores continuou a varrer o terreiro, enquanto admirava a beleza das primeiras fachadas pintadas para a festa junina.
Os meses foram se sucedendo. A data da festa se aproximava, quando por volta de fim de abril, o vereador Claudionor Matos, líder da oposição, caiu enfermo de doença rara. O quadro clínico se agravou rapidamente e o edil veio a óbito, deixando a todos perplexos. “Como pode alguém saudável morrer de uma hora para outra”, todos se perguntavam na cidade. Os familiares diziam que certa noite o camarada acordou meio febril, com forte cansaço e tosse seca. Nos dias seguintes teve fortes dores, congestão nasal, corrimento nasal, dor de garganta e diarreia, vindo a morrer no décimo sexto dia após desembarque da viagem pelo mundo em companhia dos outros vereadores. O povo, então, passou a especular que Claudionor Matos havia trazido alguma coisa ruim do estrangeiro, pois nada mais poderia explicar a morte repentina de um sujeito de compleição física de fazer inveja a qualquer atleta profissional. A desconfiança não tardou a aumentar, já que dois dias depois, chegou ao conhecimento da comunidade que Agnaldo Elesbão, assessor de comunicação da Câmara Municipal e irmão do presidente Domingo, também havia sido infectado por alguma praga trazida de fora, pois se encontrava a beira da morte no hospital da cidade. Daí a três dias morreu, levando Rio dos Currais ao pânico generalizado. As pessoas começaram a lotar a igreja de São João, pedido a Deus que perdoasse seus pecados, já que o fim do mundo se aproximava e não se podia morrer sem uma confissão. “Deus não deixe que a doença matadeira me leve agora”, diziam intimamente em suas preces e orações. O doutor Cícero Crispim, médico diretor do hospital do município concedeu longa entrevista, conclamando o povo da cidade a permanecer em suas casas até que tivesse notícias confiáveis sobre o que havia acontecido com seus pacientes. Ele alertava que, pela gravidade da enfermidade, a terapia reclamava internamento em Unidade de Tratamento Intensivo, com uso de respiradores mecânicos. E que os pacientes apresentavam forte resistência aos procedimentos médicos tradicionais. Já Etevaldo Elesbão, irmão do morto e prefeito da cidade, tinha outra maneira de ver as coisas ao insistir que as palavras do médico foram mal escolhidas, já que causavam certa histeria, atribuindo excessiva gravidade a casos comuns de gripe. E que, é claramente perceptível que a doença infecciosa agrava apenas a situação de pacientes cujo sistema imunológico já esteja debilitado como do irmão dele, cardíaco e diabético.
E para demonstrar que sua tese era embasada pela ciência médica, o prefeito havia chamado um especialista do litoral que lhe assegurava se tratar tão somente de conhecida virose gripal, sem maiores consequências que alguns dias de febre e leve dor de cabeça, acompanhados de corrimento nasal. Diante disso, convidava toda cidade para o sepultamento de estimado familiar no cemitério local. No dia seguinte, toda Rio dos Currais estava presente na despedida de Agnaldo Elesbão. Domingo e Etevaldo fizeram longos discursos. Outros vereadores ou correligionários dos chefes de poderes presentes também se aventuraram em palavrórios alongados para agradar seus aliados políticos. O doutor Cícero Crispim, tudo condenava. Recomendava apenas aos seus concidadãos parcimônia e distanciamento social voluntário, pois estava lendo em seus compêndios sobre moléstias raras que a mais sensata e eficiente atitude a ser tomada agora era ficar em casa, a fim de evitar aglomerações como aconteceu no sepultamento do familiar do chefe do executivo, pois só assim se poderia impedir a curva exponencial de contágio. O prefeito discordava do veterano médico de Rio dos Currais. Mas, como não podia demitir um velho amigo, desengavetou um pedido de aposentadoria feito em dezembro do ano passado e dispensou, assim, os serviços do experiente cientista daquela cidade esquecida por deus e pelos homens. O doutor Cícero Crispim sumiu da cidade na mesma semana, foi direto para capital do país, em busca de informações acerca da enfermidade que desafiava seus conhecimentos médicos. Retornou alguns meses depois, sendo aclamado como herói.
Durante a ausência do doutor Crispim a infecção se alastrou pela cidade de Rio dos Currais, matando quase cem dos seus pouco mais de quinhentos e oitenta cidadãos. Aguardava-se com esperança a chegada de turistas para a festa de junho que se avizinhava, acreditando-se que alguém pudesse trazer esclarecimento sobre a maldita doença que queria exterminar o povo honesto e cristão de Rio dos Currais. Entretanto, ninguém aparecia. Apavoradas, as pessoas se trancaram em casa depois da morte de setenta e cinco pessoas em três semanas. A cidade virou um deserto. Ninguém circulava pelas ruas. O mato começou a romper o asfalto, fazendo brotar erva daninha por toda parte. Apagando quaisquer sinais da beleza prometida pelo prefeito para as fachadas das casas em volta da praça central. Às nove e quinze da noite de um dia de domingo, a polícia foi chamada pelos vizinhos e encontrou os corpos de toda família do ceboleiro Adroaldo. O local era uma casa grande da cidade, propriedade de uma das famílias mais abastadas de Rio dos Currais. Eram ao todo seis pessoas mortas. O pânico tomou de conta da cidade de uma vez por todas. Pessoas morriam, o prefeito procurava outras explicações, relutando em reconhecer a gravidade da situação, alegando que as pessoas não deveriam ficar em casa, pois morreriam de fome, causa mais provável e mais certa do que aquela “gripezinha”. Algumas pessoas deram ouvidos ao prefeito e retomaram a vida normalmente. Muitas morreram. O prefeito mantinha-se firme nas suas convicções pueris, sem embasamento científico nenhum. As pessoas que argumentavam em favor do isolamento total das famílias eram ridicularizadas pelos prepostos do chefe maior do município, tinham seus nomes expostos ao ridículo, eram achincalhadas, menosprezadas, vilipendiadas pelos asseclas de Etevaldo Elesbão. Os partidários do prefeito organizaram passeatas, carretas pela cidade. Pessoas passavam de porta em porta xingando, ordenando que as pessoas a viessem para a rua, saíssem imediatamente de casa, a esquecessem a ideia estúpida de quarentena e retomasse a normalidade da vida. Portas eram chutadas com força, janelas esmurradas com fúria. A turba enlouquecida vociferava insultos contra os confinados, chamando-os de covardes, cretinos, filhos da puta. Ouviam-se gritos de horror de crianças assustadas dentro das casas. As pessoas permaneciam trancafiadas em suas residências, tomadas pelo medo da doença viral mortífera, aterrorizadas pelas atitudes truculentas do prefeito e seus aliados, ameaçadas pela fome estacionada no batente, uma vez que o prefeito impedia que se ajudassem os confinados, confiscando mercadorias, gêneros de primeira necessidade, cortando o fornecimento de água, ameaçado interromper o serviço e iluminação pública e doméstica. O prefeito não cedia, queria a “volta da normalidade a qualquer custo”, dizia aos berros do púlpito da praça central. “Etevaldo está louco, pensavam as pessoas confinadas em suas casas paupérrimas, passando fome e doentes”. Ele foi infectado pela “Doença Matadeira”. “Ou então, está possuído pelo tinhoso, só pode ser isso”.
A cidade já contava mais de uma centena de mortos, mas Etevaldo Elesbão não arredava pé de suas ideias malucas, nem mesmo quando Domingo Elesbão tombou enfermo na cama à beira da morte. A essa altura, de todas as pessoas que haviam estado na missão internacional pela Europa, China e Estados Unidos, apenas o presidente da casa legislativa ainda estava vivo. Onze tinham morrido um após o outro, com os mesmos sintomas de Claudionor Matos: febre, forte cansaço, tosse seca, fortes dores, congestão nasal, corrimento nasal, dor de garganta e diarreia. O especialista trazido de outra cidade pelo prefeito de Rio dos Currais assumiu o tratamento de Domingo Elesbão, iria experimentar uma droga nova chamada Hidroxidina, cuja posologia, afirmava com convicção de pesquisador incontestável, estava sendo amplamente utilizada para curar a infecção viral que havia tomado o país de assalto. Utilizou-se da dosagem que quis para arrefecer o mal de Domingo Elesbão, porém, sem sucesso, pois o quadro clínico do paciente só piorava. Acabou por reconhecer que não dispunha de maiores informações acerca da substância medicamentosa que havia prescrito para o chefe do legislativo e, por isso, não sabia, no momento, explicar a deterioração do quadro clínico do paciente. Todavia, manteria o interno à custa de respiradores mecânicos, pois ouvira de amigos médicos que era a única possibilidade de prolongar a vida do enfermo. Etevaldo Elesbão ouvia tudo com tamanha impaciência. Para quem não conhecia o ímpeto desvairado dele, poderia até crer que sua teimosia começava a ruir, mas não, não ruía, tornava-o mais empedernido. Nada do que havia presenciado, seja com Agnaldo, seja com Domingo, irmãos que a morte levara ou ameaçava levar, era capaz de demovê-lo da loucura que havia se apossado dele. Nem parecia aquele prefeito amado pelo povo que havia lhe concedido quatro mandados na provincial, mas próspera cidade de Rio dos Currais, conhecida por tantos nas redondezas pela grandeza da festa junina, das vaquejadas, das comidas típicas que atraiam tantos turistas. No auge do que se assemelhava a insanidade, Etevaldo Elesbão não conseguia atentar para a gravidade do que se passava em sua cidade. Ele nutria a falsa esperança de que a prosperidade econômica trazida pelos turistas durante os festejos era, no momento, atravancada pela covardia de seu povo, escondido como cães assustados por conta de um “resfriadinho” incapaz de acometer de morte pessoas fortes e atléticas como ele. E que apenas os velhos e fracos deveria permanecer em quarentena, pois somente esses morreriam. Era preciso abrir as portas da cidade, chamar de volta à normalidade os cidadãos, os visitantes, terminar a pintura das fachadas das casas, organizar as vaquejadas, as festas juninas, montar as barracas, vender, vender, ganhar dinheiro, movimentar a economia, lotar os bares, os salões de festas, porque Rio dos Currais não pode parar nunca, nunca, nunca. A Economia não pode parar!
Não durou nem uma semana pra Domingo Elesbão vir a óbito. Etevaldo convidou toda a cidade para o enterro, que seria com todas as pompas possíveis. O especialista trazido de outras bandas desaconselhou a medida, recomendando que o prefeito mudasse de ideia e aconselhasse os concidadãos a ficar em casa, em isolamento por pelo menos doze semanas. O prefeito não deu ouvido. Insistiu no convite ao povo para as honras fúnebres ao inestimável Domingo Elesbão, o mais longevo presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Rio dos Currais. O povo não atendeu ao chamado. No enterro, apenas Etevaldo e sua família se fizeram presente na despedida do grande legislador de nossa cidadela. Etevaldo Elesbão se enfureceu mais ainda, mas a essa altura já estava só e doente. A enfermidade o havia alcançado, como se quisesse quebrar sua espinha dorsal, fazendo-o dobrar-se aos imperativos da vida: o tempo, a doença, a morte. O especialista de outra cidade não suportou os arroubos do prefeito e foi embora para nunca mais voltar. Dizem as más línguas que ele morrera vítima da doença que pretendia erradicar, uma vez que até hoje a Hidroxidina por ele receitada não demonstrou nenhuma viabilidade no tratamento do mal que o doutor Cícero Crispim nos informou chamar COVID-19, doença infecciosa causada pelo tal Coronavírus, descoberto recentemente no mundo, que já tinha matado meio mundo nos quatros cantos da terra. Após a partida do especialista trazido por Etevaldo Elesbão para convencer as pessoas que a doença mortal que plainava no ar de Rio dos Currais não era tão grave quanto afirmava o renomado médico da cidade, a equipe médica que reassumiu o hospital encontrou sobre a mesa do forasteiro, numa bíblia por ele usada, passagens destacadas do capítulo do Apocalipse.
Na terceira semana de junho, o doutor Cícero Crispim retornou a Rio dos Currais com uma carga grandiosa de remédios e equipamentos médicos, destinados ao tratamento da infecção causada pelo COVID – 19. Chegando ao hospital foi informado sobre o quadro clínico gravíssimo do prefeito Etevaldo Elesbão. Não mediu esforços para salvá-lo. Fez tudo que estava ao seu alcance, e recomendava a Ciência. Não obteve sucesso. “Etevaldo Elesbão, prefeito de Rio dos Currais, faleceu hoje às nove horas da manhã, vítima de complicações infecciosas causadas pela patologia denominada de COVID-19. Em virtude de quarentena decretada pelo novo prefeito, o enterro do excelentíssimo senhor prefeito será reservado apenas aos familiares. Agradecemos a compreensão de todo”. Assim, foi a nota de falecimento, objetiva e rápida. O doutor Cícero Crispim foi reconduzido ao seu antigo posto de diretor do hospital do município, acumulando as funções de secretário de saúde, já que o titular da pasta tinha morrido também. O novo prefeito era pessoa de mais sensatez que Etevaldo. Não estava na linha sucessória até a morte de Domingo Elesbão. Como era seu vice, assumiu primeiramente a presidência da Câmara de Vereadores até ser convocado para enfrentar a gestão municipal, depois da morte do prefeito. O vice foi um dos doze mortos que estavam na grande missão estrangeira. Antenor Medeiros era um vereador inexpressivo que virou vice-presidente da câmara legislativa porque era considerado um sujeito ponderado. Estava no segundo mandato. Não era doutor como Cícero Crispim, pelo menos não da medicina, mas o era do Direito, um doutor das leis, como se diz por aí. Entretanto, a sua maior qualidade era mesmo a ponderação. Não discutiu quando o doutor Crispim o aconselhou a ir a público interceder pela necessidade de isolamento, baixando de imediato um decreto instituindo a quarentena total em Rio dos Currais.
_ Se o senhor, que é médico, diz que essa é a melhor medida que temos agora para frear o contágio desta epidemia, não serei eu que vou me opor.
_ Ainda bem que podemos contar com a compreensão do senhor, prefeito. Muito obrigado, disse o médico.
E embora não tivesse essa intenção, o decreto do doutor Crispim recrudesceu o pânico na pequena Rio dos Currais. As pessoas mantiveram sua determinação de não sair de casa. Corriam notícias de mortes o tempo todo. E o mau cheiro denunciava que no interior de muitas residências corpos de famílias inteiras apodreciam sem sepultamento cristão. O médico Cícero Crispim tomara a dianteira da questão epidêmica e, com o total apoio de Antenor Medeiros, montou um gabinete de crise, destinado a criar um plano de contingência para salvar as pessoas e a cidade daquela horrível praga que assolava a esperança de uma gente festiva, alegre e solidária. Na primeira semana de trabalho conjunto da prefeitura, com a equipe de doutor Crispim e a meia dúzia de soldados que restaram para proteger a cidade, foram logo reorganizadas as unidades intensivas do hospital municipal para atendimento de quantos precisassem dos respiradores mecânicos, trazidos das cidades litorâneas, onde bem sucedidas campanhas de combate ao COVID – 19 tinham sido levadas a cabo por renomados especialistas de diversas áreas: infectologia, epidemiologia, virologia, macumbaria, pajelança, cirurgia espiritual, quiromancia, feitiçaria e etc, etc, etc. Foram chamados a participar outros dois médicos da cidade, o farmacêutico, o curandeiro, a rezadeira, padres, pastores, adivinhos, enfim, todos aqueles que de algum modo lidavam com a arte de curar enfermos do corpo ou da alma.
Doutor Crispim, embora fosse extremamente devotado à Ciência, chegando até mesmo a ser reconhecido como ateu pelos moradores de Rio dos Currais, não se opôs à ação daqueles que antes alcunharia de semeadores de crendices estapafúrdias, extravagantes. Naquela luta, disse a amigos próximos, quem travará a batalha contra o cavaleiro da morte que campeia o imaginário daquela gente simplória de intelecto e autoestima, senão os que trabalham para confortar as almas atribuladas com devoção e misticismo? Nisto parecia está com a razão. Nas residências da cidade eras comuns imagens de santos, orixás, Deus, Jesus, Maria, ornamentando as paredes, denunciando a força da fé que movia aquela gente espezinhada pela labuta diária dura com a terra, pelo sofrimento dos anos que escavam sucos de dor e decepção em suas faces. O médico Crispim não se mostrou insensível a tudo isso. Pelo contrário, achou por bem estimular a solidariedade entre sua gente. Exortando-a para que se apegasse a fé, às orações, às rezas, às simpatias, ou seja, a tudo quanto pudesse trazer ao indivíduo um pouco de paz espiritual nessa hora de angústia e pesar, de horror e morte em Rio dos Currais. E assim, foi reconquistando a confiança do povo em sua autoridade de médico, de homem público, de pai, de avô, de mortal. Em pouco mais de três semanas, era uma liderança benquista pelo novo prefeito e toda vereança. Pelo povo, era louvado como uma espécie de anjo. Toda cidade enxergava na ação destemida e cirúrgica de Cícero Crispim a instrumentalização da vontade de Deus, que, embora fustigasse com força aquela gente pecadora, ainda não tinha condenado a iniquidade desse povo a ponto de destruir Rio dos Currais como fizera com Sodoma e Gomorra.
O segundo decreto que o doutor Crispim induziu o novo prefeito a editar foi para banir do anais médicos de Rio dos Currais a droga Hidroxidina, que mais matava que curava. O remédio teve proibida a produção, a comercialização, a prescrição. “Nunca mais nos aproveitaremos da condição vulnerável das pessoas que padecem da mais cruel enfermidade que se espalhou pela terra para fazer lobby de porcarias medicamentosas que mais matam que salvam”, disse o doutor Cícero Crispim na sua coletiva diária para explicar ao povo os avanços no combate à enfermidade que combalia a cidade. O novo prefeito obedeceu. O terceiro decretou editado era uma convocação ao voluntariado. A nota conclamava as pessoas a se apresentarem para ajudar aqueles que mais necessitavam. Havia muita gente padecendo de fome e outras doenças, além da infecção do COVID – 19. Era preciso levar alimento, remédio, conforto para quem estava sofrendo. E, por isso, o novo prefeito vinha chamar quem se dispusesse a colaborar com a Força Tarefa que seria montada para vasculhar casas há muito tempo fechadas, para resgatar pessoas enfermas que foram abandonadas, para sepultar os corpos de pessoas que apodreciam no interior de suas casas, para apresentar as pessoas doentes as curas disponíveis que o doutor Cícero Crispim havia trazido de longe. Terapias excelentes desenvolvidas por europeus, norte- americanos e chineses, por cientistas dos lugares onde tinha origem a praga assassina. A nota fora afixada nas portas das casas, nas paredes, passadas por debaixo das frestas de portas e janelas para o interior das residências, coladas na entrada da igreja de São João, do cemitério, do hospital, nos bancos da praça central, nos murais da prefeitura e da Câmara Legislativa, enfim, em toda parte onde pudesse ser vista pelas pessoas que bisbilhotavam as ruas através das frestas das janelas cerradas de suas moradias. Durante dois dias nenhuma resposta. Não se via uma pessoa sequer na rua. Nenhuma porta ou janela se abrira. A podridão que exalava dos cadáveres aumentava, era insuportável. O novo prefeito e doutor Crispim já discutiam o uso da força policial, se necessário fosse, quando adveio o primeiro sinal positivo.
A primeira pessoa a atender o chamado de doutor Crispim foi dona Lucinda Elesbão, viúva de Etevaldo. Debandou de sua chácara, a oito quilômetros do centro da cidade com dois caminhãozinhos atulhados de mantimentos, remédios, cobertores, álcool em gel. Apresentou-se ao gabinete de crise acompanhada de quatro de seus empregados que, segundo deixaram claro, estavam ali por vontade própria, e não por ordem de dona Lucinda. O novo prefeito não conseguiu disfarçar a alegria, pois, sabia o tamanho enorme daquela adesão. Dona Lucinda Elesbão disse tão somente que para salvar a cidade era imprescindível salvar primeiro as pessoas, e para isso estava ali: ajudar a salvar as pessoas. A casa grande do falecido ceboleiro Adroaldo foi escolhida para ser o quartel do voluntariado. Lá dona Lucinda reuniu a pequena equipe de voluntários, cujo número aumentara após as mulheres do novo prefeito e dos cinco vereadores sobreviventes se somarem aos esforços de guerra liderados pela ex-primeira-dama, que depois de chorar as mortes dos cunhados e do marido, ex-prefeito de Rio dos Currais tomou a firme decisão de que era preciso salvar as pessoas para salvar a cidade de seus ancestrais, de seus filhos que ficaram sob os cuidados de sua irmã mais velha na chácara, em confinamento total. No dia seguinte, começou sua missão indo de porta em porta, anunciando-se paras pessoas e comunicando que deixava encostado à porta da casa uma cesta básica com remédios, comida e cobertores. Pedia também que, caso houvesse pessoas doentes no interior da residência, permitisse que as equipes do doutor Crispim pudessem entrar para retirá-las, a fim de que fossem tratadas no hospital municipal, hoje bem instrumentalizado para cuidar dos enfermos. E que, no caso de haver também mortos, pudessem ter um sepultamento cristão, como mandava a bíblia deixada por Deus, nosso senhor, através de seu filho Jesus, nosso salvador.
Nos primeiros dois dias, as cestas permaneceram intocadas. As pessoas, aterrorizadas pela infecção que matara mais de duzentas pessoas na cidade, não se atrevia a abrir sequer uma janela, imagine a porta, que certamente permitiria que a doença invadisse sua casa. No terceiro e quarto dias, também nada acontecera. Nos subsequentes foi obrigado substituir as cestas por novas, já que alguns produtos começavam a perder sua validade, tornando-se imprestável para o consumo. Porém, no sétimo dia, percebeu-se que todas as cestas haviam sido recolhidas pelos moradores enclausurados. O plano começava a dar certo. Entretanto, o cheiro fétido, insuportável de gente morta conclamava uma medida profilática urgente. Era forçoso arrombar portas e retirar os cadáveres para o devido sepultamento. A equipe sugeriu a medida coercitiva, dura, penosa, porém inevitável. Doutor Crispim e o novo prefeito não puderam oferecer resistência. O plano de invasão foi esboçado. Todavia, antes de posto em prática, dona Lucinda apresentou às autoridades sanitárias o plano pensado por Juliano Vaqueiro, capataz antigo e homem de confiança do finado Etevaldo Elesbão, que consistia em deixar às portas das casas, assim como se fazia com as cestas de mantimentos e remédios, redes destinadas aos moradores para que enrolassem seus doentes e mortos e os deixassem na calçada para serem resgatados pelas equipes de voluntariados. O intento teve aprovação unânime e foi logo posto em prática. No dia posterior, haviam sido deixados do lado de fora cinco mortos e mais de sete adoentados. A equipe de doutor Crispim recolhera os doentes ao hospital municipal, enquanto os mortos foram levados ao cemitério para registro e sepultamento. Os corpos eram embalados nas redes e colocados cuidadosamente pelos familiares nas calcadas frias. As equipes de socorro os resgatavam e os levavam para o hospital ou para o necrotério para notificação e sepultamento. Duas semanas mais tarde, todos os cadáveres tinham sido entregues às equipes médicas, registrados e devidamente sepultados no cemitério da cidade. Os doentes, internados no hospital do município, seguiam em lenta, porém, esperada recuperação.
As mortes cessaram. Os casos novos de infecção já não eram mais tão graves. Aos poucos, pessoas eram vista com janelas abertas, seguindo a recomendação de doutor Crispim sobre a importância de fazer circular novos ares pelo interior das moradias. Certa manha, dona Lucinda, quando entregava de porta em porta a cesta de comida, teve a grata surpresa de ser recebida em uma das casas por um senhor de setenta e seis anos, que se desfez em agradecimentos por ela lhe ter salvado a vida, uma vez que só não morreu de fome graças à comida deixada em sua porta. Ele tinha sido o primeiro a se aventurar abrindo a porta, enfrentando o medo da infecção para recolher o alimento de que precisava. O senhor disse, por fim, que rezaria pela felicidade da primeira-dama enquanto tivesse vida. Dona Lucinda Elesbão, quatro vezes primeira-dama de Rio dos Currais, promotoras das mais badaladas festas da cidade, proprietária e rainha eterna do maior parque de vaquejada da região do Vale do Salitre, chorou copiosamente quando recebeu daquele simplório senhor o gesto de gratidão que suplantou toda frivolidade que tinha sido sua vida até então. Só não se desfez em abraços e outros gestos de carinho ante a atitude daquele sincero vovô porque o contato humano ainda não era recomendado pelo doutor Cícero Crispim, a imprescindível autoridade sanitária da menor cidade do país. A partir daquele fatídico dia, dona Lucinda Elesbão devotaria toda a sua vida a ajudar o próximo, aos necessitados, aos enfermos, vindo anos depois a ser a mais elogiada e solidária prefeita de Rio dos Currais. A Associação de Caridade criada por dona Lucinda despertou uma legião de voluntários na região do Vale do salitre. Houve quem dissesse após seu segundo mandato de prefeita devotada à luta contra a erradicação da pobreza, que dona Lucinda Elesbão só não ganhou o Prêmio Nobel da Paz porque depois de Rio dos Currais ter sido massacrada com a infecção vinda do estrangeiro, ninguém ficou sabendo que existiu na menor cidade do país a corporificação da generosidade, da caridade, da voluntariedade a ajudar o próximo que sofre, enfim, a verdadeira emancipação dos sentimentos que fazem despertar no indivíduo seu melhor humanismo: a solidariedade.
No final de julho, a crise de saúde tinha sido debelada graças à comunhão de esforços da gente simples de Rio dos Currais. As pessoas não tinham mais medo de sair à rua. Crianças brincavam nos quintais como faziam antes da doença maldita que matou quase trezentas pessoas da cidade: primos, avós, avôs, tios, irmãos, sobrinhos, todo munda havia perdido um ente querido. Os mortos ficariam para sempre na memória dos seus parentes e amigos. Mas sol persistia a iluminar aquela cidadezinha que aprendeu lições importantíssimas sobre esperança, morte, loucura e solidariedade durante os dias de sua terrível provação. Personagens distintos seriam lembrados anos a fio. Alguns, como dona Lucinda, o novo prefeito e o doutor Cícero Crispim reclamariam para si sempre uma carga grandiosa de gestos de gratidão associados às lembranças que despertavam. As velhas ruas, antes denominadas pelos pontos cardeais, agora ostentavam os nomes desses inesquecíveis filhos ilustres de Rio dos Currais. A quarta rua da cidade, não porque não existissem nomes dignos de serem homenageados, mas por uma questão de preservar a memória daqueles dias de luta, foi rebatizada de Rua da Aurora, para simbolizar o renascimento da fé, da irmandade, da solidariedade no seio daquele povo temente a Deus. Essa era também a rua onde se situava o hospital municipal, onde muitos foram salvos da “doença matadeira”.
Os próximos meses foram de reconstrução da cidade e das vidas. Aos poucos tudo foi sendo reconduzido à rotina de trabalho para fazer de Rio dos Currais a cidade adorada pelos turistas que retornariam nas próximas festas de junho. No janeiro seguinte, os habitantes da pequena cidade foram unânimes em concordar com o novo prefeito de que era necessário iniciar os preparativos para a grande festa que pretendiam realizar naquele ano. Entretanto, havia um problema que se mostrava incontornável naquele momento. A epidemia devastara as finanças do município, do comércio, das pessoas, o que limitava a ambição de festejos que devolvessem a boa reputação de que gozava Rio dos Currais antes do vírus da morte. Foi quando o senhor de nome Emerenciano pediu a palavra. Ele tinha setenta e seis anos de idade e era aquele tempo a pessoa mais velha da cidade. Emerenciano Feitosa era seu nome completo. O senhor que se apresentava para assumir a ordem do discurso, com sua voz frágil, pausada, porém, firme ao propor a melhor saída para o povo de sua sofrida cidade, era o mesmo que manifestou sua gratidão à dona Lucinda, quando a recebeu em sua casa, durante a ação solidária que esta liderou para salvar o povo de Rio dos Currais da exterminação. No conselho, que ora emprestava as autoridades ali presentes, dizia:
_ Senhores e senhoras! – começou encadeando as palavras de forma pausada e com muita objetividade – sei que não detenho autoridade para impor nada a esta cidade, e nem desejo fazer qualquer imposição. Sei também o que passamos recentemente. Carrego, como todos vocês, a dor da perda, a angústia da impotência diante dos imperativos da vida. Neste momento, no auge da idade que ostento, pergunto-me por que fui poupado quando jovens e crianças sucumbiram. Mas isso não é o que importa agora. A resposta a essa minha indagação, apenas Deus me poderá dar. E creio que isso não tardará acontecer, se merecedor eu for dessa dádiva. No entanto, o objetivo de minha fala é sugerir aos senhores que este ano façamos uma festa para nós, diferente do que tem sido até aqui. Ano após ano, Rio dos Currais prepara festejos para pessoas de outros lugares. Peço que entendam que eu não estou condenando esta atitude, já que os turistas contribuem fortemente para o desenvolvimento econômico deste pequeno município, além do mais, é salutar a interação entre os povos. Não condeno o modo como tem sido organizada a festa de nosso santo padroeiro. Apenas ressalto que haverá novas oportunidades para essas grandes festas, dignas da reputação de Rio dos Currais no Vale do Salitre. E conclamo que neste ano – apenas nesse ano, se for o entendimento geral – façamos a festa aos moldes antigos. Resgatando esquecidas tradições que ajudaram a nos tornar o que somos. Façamos a festa de São João para nós mesmos, como um ato de confraternização, com fogueiras acessas na frente das casas, com vizinhos interagindo, enfim, com nosso povo festejando esse desejado renascimento, após sobreviver o mal que se lançou sobre nós. Uma festa para nós sobreviventes homenagearem aqueles que não puderam estar conosco agora. Era o que tinha a dizer.
Um momento de silêncio sucedeu às palavras de Emerenciano Feitosa. Houve uma moção silenciosa de adesão à proposta. Ninguém se opusera a que a festa naquele ano retomasse o aspecto antigo de festejos familiares, onde fogueiras eram acessas em frente às casas, vizinhos se confraternizavam, havia danças de quadrilhas, milho assado diretamente na fogueira, cozido em panelas de barro, pamonha, broa, bolo, polenta, angu, mungunzá doce, mungunzá de sal, carne assada, pessoas vestidas de cangaceiro, camisas quadriculadas, jaquetas de couro cru, chapéus, damas e cavaleiros rodopiando ao som de sanfona, triângulo, zabumba, tiro de bacamarte, rojões, jogos de azar, de caipira, tudo que faz dos festejos juninos nas mais remotas cidadezinhas desse país imenso se transformar num momento de fraternidade, de alegria, de esperança, de interação, de solidariedade entre pessoas simples, cuja marcha diária não se resume a comércio, à Economia, a Mercado, a contar moedas e cadáveres que se avolumam pela opressão do vil metal, pela decisão de líderes insanos como Etevaldo Elesbão, que conduzia seu povo a morte, à destruição. Não. Essa era a festa de um povo que dança e canta para a vida, que na desgraça acolhe seus semelhantes, que se ajudam mutuamente, ainda que seja preciso dividir o pouco que tenha, que na alegria compartilha com seus iguais, que sonha com dias melhores, apesar da frieza e perversidade de seus representantes nas assembleias dos nobres. Enfim, aquela foi uma festa para comemorar a aurora de Rio dos Currais. Para celebrar o heroísmo de pessoas como o novo prefeito, Antenor Medeiros, dona Lucinda, os Voluntários do Casarão, como ficou conhecida a equipe de bravos cidadãos liderada por dona Lucinda, a magnitude e honradez do doutor Cícero Crispim, que desafiou os limites de sua sabedoria e saúde para conduzir a luta contra a morte que pairava sobre Rio dos Currais. A festa não durou quinze dias como antes da “doença matadeira”, mas os dois dias pelos quais se estendeu foram dias de reencontro daquela gente simples, crente, trabalhadora, orgulhosa da bravura com que suportou os dias difíceis de doença e morte.
Passados dois anos da grande campanha contra a morte trazida pela doença mortífera que a Ciência alcunhou de COVID – 19, a gente simples de Rio dos Currais, a menor cidade do país, com pouco mais de duzentos e trinta habitantes, retomou sua rotina de trabalho, devoção, solidariedade; e de festejos juninos de fazer inveja aos maiores carnavais do planeta. Antenor Medeiros foi reeleito prefeito. Dona Lucinda entrou para apolítica e agora cuida da feitura das leis na Câmara Municipal. O inexcedível doutor Cícero Crispim, agora aposentado de verdade, emprega seu tempo a estudar e escrever livros sobre os procedimentos utilizados no tratamento de doenças respiratórias graves e a ministrar palestras em faculdades de medicina no litoral. A “Doença Matadeira”, como ficou conhecido, em Rio dos Currais, o vírus mortal COVID – 19, que infectou mais de um milhão de pessoas no mundo, levando a morte de centenas de milhares de seres humanos, em mais de duzentos países, finalmente foi controlada após a comissão de estudiosos de todas as nações, reunida pela Organização Mundial de Saúde, desenvolver eficiente vacina, hoje recomendada para todos os indivíduos da terra. “O mal finalmente foi vencido e o tinhoso aprisionado novamente”, disse o novo padre na primeira missa que celebrou na igreja de São João, na pequena cidade de Rio dos Currais. “Deus seja louvado”, continuou. “Para sempre seja louvado”, responderam todos, em uníssono, a ecoar por todo Vale do Salitre.
Escrito por Ponciano Ratel
Trump também tem seu Mandetta
Principal epidemiologista dos EUA, Anthony Fauci frequentemente diverge do presidente, corrigindo-o publicamente sobre as diretrizes da pandemia do coronavírus, e e ganha apoios dos americanos.

Invariavelmente as entrevistas diárias da Força-Tarefa do Coronavírus acabam em embate entre o presidente Donald Trump e Anthony Fauci — o respeitado diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e principal especialista do assunto na Casa Branca. Ambos divergem publicamente sobre o modus operandi de enfrentar a pandemia, o pior pesadelo do presidente americano em ano eleitoral.
Aos 79 anos, com credenciais asseguradas pelo trabalho com seis presidentes americanos, Fauci sempre leva a melhor. Nos últimos dias, a hidroxicloroquina, se colocou entre os dois. O presidente insiste em introduzir o medicamento contra a malária no tratamento da Covid-19, apesar de não ter eficácia comprovada. Como médico, Fauci resiste e não esconde o desagrado. Está criado mais um impasse público.
Com paciência equivalente à de um monge budista, Fauci frequentemente entra em ação para desmentir o presidente. A cada divergência, especula-se que ele será demitido.
Mas quem ousa? Há 36 anos na Casa Branca, o epidemiologista foi consultor de Ronald Reagan, George Bush (pai), Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama. Tem prática com pandemias e surtos, enfrentou Sars, Mers e Ebola.
O novo coronavírus, que vitimou 10 mil americanos e confinou 97% do país em casa, tornou-se seu maior desafio e, ao mesmo tempo, alçou-o ao posto de celebridade. Não é à toa que recebeu do jornal “The New York Times” o apelido de “explicador em chefe” dos EUA. Dele, espera-se a lucidez e a coragem para enfrentar o impaciente presidente. A vacina, por exemplo, não chegará no tempo desejado por Trump.
Trump quis reabrir a economia e chegou a anunciar a retomada das atividades na Páscoa. Fauci discordou e persistiu no mantra fique-em-casa-e-pratique-o-distanciamento-social para mitigar os efeitos da Covid-19. O presidente capitulou e a contragosto estendeu a quarentena até dia 30.
Entre um cientista preso aos fatos e um presidente apegado à intuição, os americanos preferem obedecer às diretrizes do primeiro: a única forma de abreviar o trágico pesadelo que enreda todo o planeta é permanecer em casa, a despeito da paralisação da economia. Qualquer paralelo entre a tensão instalada entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Luiz Henrique Mandetta não é mera coincidência.
Fonte: Portal G1
Português “bem dizido”: emprego de algumas palavras e expressões semelhantes.
1. Que ou Quê

- Que é pronome, conjunção, advérbio ou partícula expletiva.
- Quê é um substantivo (com o sentido de “alguma coisa”), interjeição (indicando surpresa, espanto) ou pronome em final de frase (imediatamente antes de ponto final, de interrogação ou de exclamação)
Exemplos:
Que você pretende, tratando-me dessa maneira? Você pretende o quê?
Quê!? Quase me esqueço do nosso encontro.
2. Mas ou Mais
- Mas é uma conjunção adversativa, de mesmo valor que “porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto”.
- Mais é um advérbio de intensidade, mas também pode dar ideia de adição, acréscimo; tem sentido oposto a menos.
Exemplos:
Eu iria ao cinema, mas(porém) não tenho dinheiro.
Ela é a mais (menos) bonita da escola.
3. Onde, Aonde ou Donde
- Onde significa “em que lugar”.
- Aonde significa “a que lugar”.
- Donde significa “de que lugar”.
Exemplos:
Onde (em que lugar) você colocou minha carteira?
Aonde (a que lugar) você vai, menina?
Donde (de que lugar) tu vieste?
4. Mal ou Mau
- Mal é advérbio, antônimo de “bem”.
- Mau é adjetivo, antônimo de “bom”.
Exemplo: Ele é um homem mau (não é bom); só pratica o mal (e não o bem).
- Mal também é substantivo, podendo significar “doença, moléstia, aquilo que é prejudicial ou nocivo”
Exemplo: O mal da sociedade moderna é a violência urbana.
5. A par ou Ao par
- A par é usado, no sentido de “estar bem informado”, ter conhecimento”.
- Ao par só é usado para indicar equivalência entre valores cambiais.
Exemplos:
Estou a par de todos os acontecimentos.
O real está ao par do dólar.
6. Ao encontro de ou De encontro a
- Ao encontro de indica “ser favorável a”, “ter posição convergente” ou “aproximar-se de”.
- De encontro a indica oposição, choque, colisão.
Exemplo: Suas ideias vêm ao encontro das minhas, mas suas ações vão de encontro ao nosso acordo. (Suas ideias são tais quais as minhas, mas suas ações são contrárias ao nosso acordo)
7. Há ou A na expressão de tempo
- Há é usado para indicar tempo decorrido.
- A é usado para indicar tempo futuro.
Exemplos:
Ele partiu há duas semanas.
Estamos a dois dias das eleições.
8. Acerca de, A cerca de ou Há cerca de
- Acerca de é locução prepositiva equivalente a “sobre, a respeito de”.
- A cerca de indica aproximação.
- Há cerca de indica tempo decorrido.
Exemplos:
Estávamos falando acerca de política.
Moro a cerca de 2 Km daqui.
Estamos rompidos há cerca de dois meses.
9. Afim ou A fim de
- Afim é adjetivo equivalente a “igual, semelhante”.
- A fim de é locução prepositiva que indica finalidade.
Exemplos:
Nós temos vontades afins.
Ela veio a fim de estudar seriamente.
10. Senão ou Se não
- Senão significa “caso contrário, a não ser”.
- Se não ocorre em orações subordinadas adverbiais condicionais; equivale a “caso não”.
Exemplos:
Nada fazia senão reclamar.
Estude bastante, senão não sairá sábado à noite.
Se não estudar, não sairá sábado à noite.
11. Nós viemos ou Nós vimos
- Nós viemos é o verbo vir no pretérito perfeito do indicativo, ou seja, no passado.
- Nós vimos é o verbo vir no presente do indicativo.
Exemplos:
Ontem, nós viemos procurá-lo, mas você não estava.
Nós vimos aqui, agora, para conversar sobre nossos problemas.
12. Torcer por ou Torcer para
- Torcer por, pois o verbo torcer exige esta preposição.
- Torcer para é usado, quando houver indicação de finalidade, equivalente a “para que”, “a fim de que”.
Exemplos:
Torço pelo Santos.
Torço para que o Santos seja o campeão.
13. Desencargo ou Descargo
- Desencargo significa “desobrigação de um encargo, de um trabalho, de uma responsabilidade”.
- Descargo significa “alívio”.
Exemplos:
Filho que se forma é mais um desencargo de família para o pai.
Devolvi o dinheiro por descargo de consciência.
14. Sentar-se na mesa ou Sentar-se à mesa
- Sentar-se na mesa significa sentar-se sobre a mesa.
- Sentar-se à mesa significa sentar-se defronte à mesa. O mesmo ocorre com “estar ao computador, ao telefone, ao portão, à janela …
Exemplos:
Sentei-me ao computador para trabalhar.
Sentei-me na mesa, pois não encontrei cadeira alguma.
15. Tilintar ou tiritar
- Tilintar significa “soar”.
- Tiritar significa “tremer de frio ou de medo”.
Exemplos:
A campainha tilintava sem parar.
O rapaz tiritava de frio.
16. Ao invés de ou Em vez de
- Ao invés de indica “oposição, situação contrária”.
- Em vez de indica “substituição, simples troca”.
Exemplos:
Em vez de ir ao cinema, fui ao teatro.
Descemos, ao invés de subir.
17. Estadia ou Estada
- Estadia é usado para veículos em geral.
- Estada é usado para pessoas.
Exemplos:
Foi curta minha estada na cidade.
Paguei a estadia de meu automóvel.
18. A domicílio ou Em domicílio
- A domicílio só se usa quando dá ideia de movimento.
- Em domicílio se usa sem ideia de movimento.
Exemplos:
Enviarei a domicílio seus documentos.
Fazemos entregas em domicílio
Levaram a domicílio as compras.
Damos aulas particulares em domicílio.
19. Estágio ou Estádio
- Estágio é preparação (profissional, escolar ..).
- Estádio significa “época, fase, período”.
Exemplos:
Estou no primeiro ano de estágio na empresa.
Naquela época o país passava por um estádio de euforia.
20. Perca ou Perda
- Perca é verbo.
- Perda é substantivo.
Exemplo: Não perca a paciência, pois essa perda de gols não se repetirá, disse o jogador ao técnico.
21. Despercebido ou Desapercebido
- Despercebido significa “sem atenção”.
- Desapercebido significa “desprovido, desprevenido”.
Exemplos:
O fato passou-me totalmente despercebido.
Ele estava desapercebido de dinheiro.
22. Escutar ou Ouvir
- Escutar significa “estar atento para ouvir”.
- Ouvir significa “perceber pelo sentido da audição”.
Exemplos:
Escutou, a tarde toda, as reclamações da esposa.
Ao ouvir aquele som estranho, saiu em disparada.
23. Olhar ou Ver
- Olhar significa “estar atento para ver”.
- Ver significa “perceber pela visão”.
Exemplo: Quando olhou para o lado, nada viu, pois ele saíra de lá.
24. Haja vista ou Hajam vista
- Haja vista pode-se usar, havendo ou não a preposição a à frente, estando o substantivo posterior no singular ou no plural.
- Hajam vista pode-se usar, quando não houver a preposição a à frente e quando o substantivo posterior estiver no plural.
Exemplos:
Haja vista aos problemas.
Haja vista os problemas.
Hajam vista os problemas.
E APOIS!

A tese dos ricos é a seguinte:
Como a maior taxa de mortalidade é de idosos, os poucos jovens que morrerem serão considerados baixa de guerra. E até impactará positivamente nas futuras taxas de desemprego, pois são as maiores vítimas do capitalismo predatório, que se sustenta da reserva de mão-de-obra desqualificada e, portanto, barata . Então, para eles, o melhor seria não estabelecer isolamento social, mas apenas o confinamento desses chamados grupos de risco. Seguindo essa lógica – e aqui reside o determinismo perverso -, não promovendo isolamento – ou apenas isolamento parcial – o vírus se alastraria sem controle. Porém, nem todos os infectados morreriam, somente os mais frágeis, uma vez que como a gripe, os sintomas dependem da capacidade imunológica de cada indivíduo. Com isso, a economia teria minimizado seus impactos negativos, sendo compensados com a desoneração dos sistemas previdenciários, já que deixariam de pagar, pela alta mortalidade de idosos, aposentadorias que hoje pesam sobre o orçamento público, fazendo sobrar dinheiro para aquecer a economia e robustecer mais ainda as fortunas dos mais abastados.
Outro aspecto deve ser considerado. Isolar apenas os grupos de riscos significa retirá-los do convívio com os demais que não apresentam risco maiores entre si, mas representa risco para os idosos. Isto resultaria em encarceramento dos velhos e doentes dispensáveis, segundo a citada tese, vivendo longe de suas famílias.
A conclusão é simples: o não isolamento matará o maior número de idosos possível, mas, pelo menos em tese, não destruiria a economia. Logo, o pobre poderá continuar trabalhando, mesmo sob pena de morte, para produzir riquezas a serem acumuladas pelos parasitas da sociedade.
De minha parte, temos que pensar que mesmo a economia desandando, salvando-se vidas, ainda que passando privações severas no futuro, poderemos recuperar qualquer bem material, reconstruir as riquezas do país. Então, apostemos no isolamento, embora seja apenas medida de precaução e não curativa. Ou sequer a certeza de não contágio.
EU APOIO A QUARENTENA!!!
Por: Adão Lima de Souza
SE BULA- EM TEMPO DE “CORONA VIRUS”

Nas ultimas publicações sobre a atividade física e saúde feita aqui na pagina do SE BULA ficou evidenciada a importância da atividade física à saúde e que iniciar um programa ANTISEDENTARISMO seria uma forma saudável a qualquer individuo.
A atividade física associada a outros comportamentos como a alimentação saudável e sono contribui para a melhoria do nosso sistema imunológico, dessa forma é que, faz-se imprescindível, nesses dias de crise epidemiológica, que seja adotado um comportamento isolado, porem não sedentário, pois, é também, possível atividades físicas em casa.
Alguns exercícios de resistência muscular são totalmente indicados, pois garantem o efetivo estimulo de grupos musculares importantes no dia a dia, tais exercícios como: apoio de frente, abdominais variados e se houver um local apropriado subidas na barra também são de grande valia.
Não é objetivo, desta publicação, esgotar as possibilidades com exemplos de atividades físicas, mas de demonstrar que mesmo em casa nossa responsabilidade da ativação corporal em busca de uma melhor imunização do nosso sistema fisiológico é possível e recomendada, já que não é conhecido por qual período estaremos com orientação de confinamento.
Vale lembrar que similar aos programas utilizados em academias as “séries” devem ser definidas e contínuas visando logicamente exercitar o componente da Aptidão Física que desejas, desde FORÇA; FLEXIBILIDADE; RESISTENCIA; RITMO ou outros. O exercício adotado deve ser seguro e numa sobrecarga suportável, valendo lembrar que sua criatividade para, talvez, criar seus próprios movimentos corporais guiará o nível de intensidade da atividade escolhida.
A ciência determina que o exercício de intensidade moderada, praticado regularmente, melhora a capacidade de resposta do sistema imunológico assim contribuindo com o objetivo de melhoria da qualidade de vida, portanto séries variadas desses exercícios supracitados.
A prática dos tipos de atividade e com sua intensidade moderada da maneira abordada quando em relação sistema serve para proteger o corpo de ataques externos, logicamente não é VACINA, mas de grande importância como fator de proteção.
Entender que as atividades físicas são importantes corresponde a perceber que, momentaneamente uma mudança comportamental é exigida, com isso os objetivos estéticos ficam menos favorecidos em favor da qualidade de vida, e em parceria a ela outros hábitos exigem seu cumprimento de maneira consciente tais como a alimentação e sono.
A adesão a um programa dessa natureza, feito em casa, é uma proposição de luta contra o sedentarismo e manutenção da saúde, nesse caminho instantâneo não é diretamente o aspecto físico/estético, mas nossa obrigação de combater essa PANDEMIA que assusta e assola o mundo.
A atividade física diária contribui a defesa do sistema imune, pois a prática de exercícios faz com que o sangue circule mais. Assim, os anticorpos e glóbulos brancos se deslocam por todas as partes do seu corpo mais rapidamente, de modo que eles possam detectar as fraquezas mais rapidamente.
Com a alteração da frequência cardíaca em virtude da realização dessas atividades físicas desencadeiam a liberação de hormônios que “alertam” as células imunes de agentes causadores de doenças, portanto a intensidade da atividade deve ser moderada. ALERTANDO assim que, exercícios de alta intensidade nesse momento não são recomendados, pois agem de forma contraria reduzindo nossas defesas, pois o estresse é aumentado demasiadamente.
Assim, mesmo em casa, faça sua atividade física lembrando que seu organismo foi feito para se movimentar, ative-se, mova-se mexa-se… SE BULA! AFINAL, HOJE É SEGUNDA FEIRA.
Por: Cícero Atila Martins Santos, Professor Especialista em Educação Física.
ISTO É: O drama da civilização

Vivemos uma experiência inacreditável, uma situação de guerra contra um inimigo invisível, uma peste de proporções alarmantes — e mergulhamos num cenário desconhecido e apocalíptico. Desde a Segunda Guerra Mundial, como destacaram duas lideranças globais na quarta-feira 18, o presidente americano, Donald Trump, e a primeira ministra da Alemanha, Ângela Merkel, o planeta não enfrentava um desafio tão grande. E não há soluções a curto prazo. A recomendação universal é se isolar, sozinho ou com a família e manter a calma para minimizar os danos sociais. Enquanto o coronavírus se espalha por todos os continentes e já chega ao interior mais longínquo, resta ao cidadão comum se recolher para não se contaminar ou infectar o próximo.
Centenas de milhões de pessoas estão parando de trabalhar e de ir à escola. Países fecham fronteiras, cidades ficam sob o domínio do medo e a população se sente desprotegida. Ainda não há vacinas e nem remédios eficazes e a medida fundamental de contenção da doença é o isolamento social, que vai durar o tempo que os governos quiserem. Até a última quinta-feira foram registrados 235.404 mil casos da doença em todo o mundo e 9.785 mortes, segundo dados compilados pela Johns Hopkins University. Mais de 500 pessoas estão morrendo diariamente, principalmente na Itália, na Espanha e no Irã. Na Itália, quarta-feira, foi batido o recorde de mortes em um só dia, 475. Nem na China, origem da doença, se alcançou essa terrível marca. Caminhões do Exército italiano estão cruzando o país para transportar corpos de vítimas para a cremação. “A única saída para conter a Covid-19 é restringir a circulação de pessoas e parar a sociedade”, diz o médico infectologista Fábio Gaudenzi. “Quando se tem um vírus transmitido por indivíduos assintomáticos é virtualmente impossível conter a doença”. Autoridades italianas determinaram que quem sair de casa sem um motivo essencial será processado por epidemia culposa, com penas de até 12 anos de prisão. No Brasil, onde foi decretado estado de calamidade pública por causa dos efeitos devastadores da doença, os últimos dados do Ministério da Saúde confirmam 534 casos e seis mortes, quatro em São Paulo e duas no Rio. O total se suspeitos de contágio já chega a 11.278 pessoas. Nas próximas semanas esses números crescerão exponencialmente.
Além do isolamento, outra iniciativa recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que já se provou eficaz, é a realização de testes clínicos para o maior número de pessoas. “A mensagem central é: testar, testar e testar”, disse Maria Van Kerkhove, médica do programa de emergência sanitária da entidade. “Você não consegue parar essa pandemia se não souber quem está infectado”. A orientação da OMS surpreendeu o governo brasileiro, que por falta de kits de testes de biologia molecular vem diagnosticando apenas os casos mais graves e com necessidade de internação, além de profissionais de saúde e pacientes do grupo de risco. Mas uma pesquisa realizada por cientistas chineses e americanos mostrou que são os infectados assintomáticos e não identificados que aceleraram a proliferação de casos na China e estão matando a população italiana. Por outro lado, na Coréia do Sul, graças a ampliação dos testes, houve uma importante contenção no número de mortos. Os testes biológicos são feitos em laboratórios e hospitais e exigem equipamentos, reagentes e pessoas treinadas. Há um gargalo no Brasil por falta de testes e os diagnósticos estão demorando até uma semana. Os laboratórios públicos, como a Fiocruz, aumentaram a produção de testes e estão treinando seus servidores para realizá-los. Mas há um atraso nessas providências.
AUMENTO DA LETALIDADE
Enquanto na Ásia houve um crescimento paulatino no número de casos desde o início de janeiro, no Ocidente está havendo uma evolução explosiva da doença. Houve demora na reação das autoridades italianas, como também na Espanha e no Brasil e a letalidade da Covid-19 cresceu de maneira assustadora. Na China esse índice ficou em torno de 2%, mas na Itália já supera os 7%, por conta de uma grande população idosa. A gravidade da situação estaria levando o país a um dilema civilizacional. O jornal britânico The Telegraph divulgou um documento preparado pelo Departamento de Defesa Civil de Piemonte em que se considera a possibilidade de negar o atendimento médico em UTIs para pacientes com mais de 80 anos que apresentem más condições de saúde. Um médico ouvido pelo jornal disse que “quem vive e quem morre é decidido pela idade e pelas condições de saúde do paciente. É assim que ocorre em uma guerra”. Na última quarta-feira, a Europa superou a Ásia em número de mortes provocadas pelo coronavírus. Enquanto o continente europeu somava 3.421 mortes, os países asiáticos somavam 3.384. Só na Itália, que se tornou o principal foco da doença e contabiliza 41.035 infectados, havia 3.405 mortes – na China foram 3.130 até agora.
No mundo inteiro, escolas e universidades suspenderam as aulas, empresas liberam funcionários do trabalho e museus e outros equipamentos culturais fecham suas portas. Eventos esportivos foram suspensos ou cancelados em todo o mundo. A Liga Europeia de futebol foi interrompida, assim como os campeonatos nacionais europeus. Na América do Sul foram adiadas a eliminatória da Copa, a Taça Libertadores e os campeonatos nacionais. O santuário de Lourdes, na França, fechou pela primeira vez por causa do coronavírus. O mundo vive uma distopia, uma situação de desespero e privação que pode se prolongar por muitos meses e mudar definitivamente hábitos e costumes. Continuarão circulando informações, mas o movimento de pessoas e mercadorias será cada vez menor nos próximos meses e demorará a se normalizar. As barreiras sanitárias entre o países serão enormes. Blocos comerciais viraram letra morta de uma hora para outra por questões de saúde. No Brasil, até quinta-feira, a decisão de fechar as fronteiras não havia sido tomada, embora outros países sul-americanos tenham adotado a medida.
No mundo inteiro, escolas e universidades suspenderam as aulas, empresas liberam funcionários do trabalho e museus e outros equipamentos culturais fecham suas portas. Eventos esportivos foram suspensos ou cancelados em todo o mundo. A Liga Europeia de futebol foi interrompida, assim como os campeonatos nacionais europeus. Na América do Sul foram adiadas a eliminatória da Copa, a Taça Libertadores e os campeonatos nacionais. O santuário de Lourdes, na França, fechou pela primeira vez por causa do coronavírus. O mundo vive uma distopia, uma situação de desespero e privação que pode se prolongar por muitos meses e mudar definitivamente hábitos e costumes. Continuarão circulando informações, mas o movimento de pessoas e mercadorias será cada vez menor nos próximos meses e demorará a se normalizar. As barreiras sanitárias entre o países serão enormes. Blocos comerciais viraram letra morta de uma hora para outra por questões de saúde. No Brasil, até quinta-feira, a decisão de fechar as fronteiras não havia sido tomada, embora outros países sul-americanos tenham adotado a medida.
A Comissão Europeia anunciou que estrangeiros não poderão entrar em 31 países do continente por pelo menos 30 dias. “A batalha será dura e longa e vai precisar da ajuda de cada um. Cada cidadão, individualmente, deve obedecer as restrições de seus países para que consigamos vencer a crise”, afirmou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel. Em cinco países – Itália, Espanha, Eslóvaquia, Áustria e Lituânia –, foi estabelecida a quarentena total, ou seja, as pessoas só devem sair de casa por motivos essenciais. Junto com o vírus uma nova ordem planetária se impõe e se descortina um futuro sombrio em que a vida se torna ainda mais incerta e perigosa. Há um drama civilizacional que se desenvolve como tragédia. A globalização, que deu o tom das relações internacionais nas últimas décadas, está em franco retrocesso.
A ESPERANÇA DA VACINA
Vários países já estão tratando a crise como um esforço de guerra. O presidente francês Emmanuel Macron instituiu uma quarentena de 15 dias para que a França possa combater o coronavírus. “Nós estamos em guerra contra um inimigo invisível”, repetiu várias vezes Macron. “Quem desobedecer as orientações poderá ser punido”. O primeiro-ministro inglês Boris Jonhson também falou em guerra. Os Estados Unidos, que têm infectados em 50 estados, fechou a fronteira com o Canadá. Em artigo para a revista Time, o filósofo e historiador israelense Yuval Noah Harari, diante do movimento antiglobalista que acompanha o combate ao vírus, diz que “o verdadeiro antídoto para a epidemia não é a segregação, mas a cooperação”.“Embora a quarentena de curto prazo seja essencial para interromper a epidemia, o isolacionismo de longo prazo levará ao colapso econômico sem oferecer nenhuma proteção real contra doenças infecciosas”.
O caso de maior sucesso no combate ao coronavírus e que deve ser observado com atenção é o da Coreia do Sul, onde a doença chegou no dia 20 de janeiro e o índice de letalidade é inferior a 1%, o mais baixo entre os países afetados. Lá, houve mais de oito mil infectados e 75 mortes até o dia 16 de março. A explicação que é dada para o êxito na contenção do vírus é a aplicação de testes para a população assintomática. A Coreia do Sul orientou seu sistema de saúde a se concentrar no diagnóstico da Covid-19 nos habitantes das áreas mais críticas. Qualquer pessoas que tivesse tido algum contato direto com casos confirmados passou pelo teste. Agentes de saúde passaram a monitorar a expansão do vírus visitando a casa de pacientes com suspeitas de contagio para impedir sua proliferação. Cerca de 15 mil testes tem sido realizados diariamente na Coreia. No Brasil, eles não passam de mil por dia.
Apesar das dificuldades iniciais, pesquisadores correm contra o tempo em busca de uma vacina para a Covid-19. China, Estados Unidos e Alemanha estão na frente nessa corrida e há cerca de 20 grupos dedicados a encontrar uma imunização contra a doença. A China desenvolveu seu primeiro protótipo e o Ministério de Defesa anunciou, terça-feira 17, que o país está pronto para iniciar os ensaios clínicos em seres humanos. Voluntários entre 18 e 60 anos estão sendo chamados para testar a vacina.
Os Estados Unidos, que iniciaram a primeira fase dos seus ensaios clínicos um dia antes do anúncio chinês, também perseguem uma solução rápida, eficaz e segura. Trump considera indispensável a descoberta de uma vacina antes das eleições para aumentar suas chances de vitória. No início da semana, ele se reuniu com executivos da indústria farmacêutica para cobrar o alcance desse objetivo. O problema da vacina, porém, não termina com a descoberta. É necessário produzi-la em larga escala e distribui-la para milhões de pessoas. Nenhum governo acredita que isso pode acontecer em menos de doze meses.
Outra notícia promissora vem do Japão, onde um medicamento chamado favipiravir, também conhecido por Avigan, foi recomendado por autoridades sanitárias chinesas porque acelera a recuperação de infectados. O remédio, desenvolvido por uma subsidiária da Fujifilm e usado para o tratamento de novas cepas de Influenza, demonstrou resultados encorajadores em um ensaio clínico feito com 340 pacientes. Aqueles que receberam o favipiravir ficaram negativos para o vírus depois de uma média de quatro dias após se tornarem positivos, enquanto os que não usaram a droga precisaram de uma média de onze dias para se recuperar. Outro medicamento, a hidroxicloroquina, droga que regula o sistema imunológico diante de infecções, foi aprovada pela Food and Drug Administration, dos Estados Unidos, para tratamento da Covid-19. A hidroxicloroquina é vendida nas farmácias brasileiras. Começa a aparecer uma luz no fim do túnel. Vacinas e remédios podem ser o antídoto para a pandemia. Mas isso não virá tão cedo e o que nos resta, por enquanto, se quisermos colaborar com a sociedade, é o isolamento. Neste momento, condutas individuais podem ser mais importantes para conter a peste do que ações do governo.
Por: Vicente Vilardaga
” O Português bem dizido”: Incarnar ou Encarnar?
O Vocabulário da Língua Portuguesa (Volp) da Academia Brasileira de Letras registra as duas grafias. Ambas têm o mesmo significado, ou seja, são sinônimas. É mais um caso das chamadas formas gráficas variantes, que ocorrem quando um vocábulo pode ser escritos de formas distintas. Contudo, no caso do substantivo derivado do verbo, o Volp reconhece apenas a forma encarnação.

Origem das palavras
Para arredondar a questão, vale olhar o significado histórico dos prefixos que formam as palavras. O prefixo en- tem origem grega e dá ideia de posição interior, movimento para dentro. Já o prefixo in- vem do latim e significa geralmente sentido contrário, privação, negação. Nesse sentido, a forma mais correta parece ser encarnar.
E APOIS!… Bravatas, palhaçadas, diversionismo e incompetência bolsonaristas.

O típico bolsonarista de raiz é uma pessoa que se explica pela estupidez porque na estupidez ele se exprime, manifesta seu mais nefasto modo de ver o mundo e os outros seres humanos, animais e vegetais.
Para o típico bolsonarista-raiz, cortar verbas necessárias de universidade se justifica não porque é comum governos contingenciarem recursos diante de crises econômicas, mas sim porque estupidamente acredita que as universidades brasileiras estão infestadas de comunistas que só querem consumir drogas e transformar o espaço acadêmico num antro de devassidão e perversidade.
Para o típico bolsonarista-raiz, as tais doutrinações ideológicas denunciadas por eles como elemento mantenedor do tal Marxismo Cultural devem ser combatidas não porque acreditam numa Escola Sem Partidos, mas sim, porque somente o ensino-aprendizagem sem criticidade pode legitimar o autoritarismo de que precisam para distorcer os fatos históricos, reescrevendo-os conforme os seus interesses mesquinhos e corruptos.
Para o típico bolsonarista-raiz, programas sociais como o Bolsa Família são apenas meios de sustentar vagabundos em troca de votos nas eleições para partidos de esquerda. E pouco importa se políticas públicas de auxílios financeiros aos necessitados sirvam mais para fomentar o crescimento econômico, estimulando o consumo, que realmente ajudar o pobre coitado que padece na miséria. Pensar assim seria antiliberal, ou seja, coisa de comunista como bem lhe aconselha sua profunda ignorância.
Para o típico bolsonarista-raiz, a ditadura militar que espalhou terror e atrocidades por vinte e um anos no Brasil perseguia tão somente aqueles vagabundos admiradores de Fidel Castro que queriam implantar em nosso pais uma ditadura comunista. E que as centenas de pessoas desaparecidas, vítimas de tortura e assassínios pelas forças de segurança, em operações como a Condor, cuja tática era atirar pessoas vivas de aviões em alto mar, foram executadas por militantes de esquerda, embora os fatos históricos apontem inequivocamente para ação orquestrada dos governos militares, como explicaram os torturadores argentinos, condenados a prisão perpétua, quando chamados a responderem por seus crimes na Argentina do grande Che.
Para o típico bolsonarista-raiz, a “res publica”, a independência dos Poderes da União, a autonomia dos entes federados, a participação popular, a liberdade de culto e filosofia, enfim , as mais imprescindíveis regras de sustentação do Estado Democrático de Direito não passam de entraves à tolher a boa intenção dos grandes patriotas, e, por isso, deveriam ser substituídas por detritos autoritários mais benfazejos ao povo, como uma nova intervenção militar, pois o como dizia George Owen, no livro 1984, o Grande Irmão nunca erra.
Para o típico bolsonarista-raiz, pouco importa quanta estupidez a trupe de paspalhões do desgoverno do Capitão Comédia cometa na economia, educação, meio ambiente, porque cada demonstração de ignorância pública perpetrada por qualquer da súcia presidencial será sempre celebrada por ele como uma “mitada”, um ato heroico dos grandes patriotas Guedes, Weintraub, Sales, Damares, Ernesto, Carlos, Eduardo, Flávio, Jair.
Isto posto, para nós que não somos típicos bolsonaristas-raiz, mitos, patriotas, conservadores nos costumes e liberais na economia, que acreditamos na possibilidade de convivência pacífica com o outro, respeitamos a diversidade, o pensar diferente, o jogo democrático, os irmãos brasileiros, o meio ambiente, os povos indígenas e sulamericanos, resta apenas lutar incansavelmente para derrotar esses tempos de vitupérios, estultices, de fascismos e trevas.
Por: Adão Lima de Souza
Brasil já tinha estagnado desde o governo Temer, diz Guedes sobre PIB

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o Brasil já tinha estagnado desde o governo de Michel Temer.
“A grande verdade é que, quando o governo Bolsonaro chegou, o crescimento do PIB, que tinha sido de 1,3% no primeiro trimestre do governo Temer, já tinha caído para 0,7% no primeiro trimestre do governo Bolsonaro. O Brasil já tinha praticamente estagnado”, afirmou Guedes nesta quinta-feira (5) durante evento na Fiesp, em São Paulo.
Segundo o ministro, a tragédia de Brumadinho e o colapso da Argentina, que impactou 60% das importações de veículos do Brasil, foram os principais fatores para essa desaceleração no crescimento econômico no ano passado.
“Se pegar o segundo trimestre, sobe para 0,9%, no terceiro, já é 1,2%, e o último trimestre do ano passado, dá 1,7%. A economia que estava crescendo 0,7% [no primeiro trimestre] foi reacelerando, e terminou [o ano] já rodando a quase 2%”, afirmou.
Guedes disse ainda que sua expectativa sempre foi crescer 1% no primeiro ano.
“Eu usava a imagem de uma baleia arpoada. Vamos tirando os arpões: baixamos os juros, corrigimos a Previdência Social, reduzindo endividamento bola de neve, começamos o choque da energia barata, estamos desestatizando o mercado de crédito, fizemos a cessão onerosa, vamos mandar a reforma administrativa para a Câmara. Com as reformas seguindo, o Brasil já cresce 2% pelo menos”, disse.





