Arquivos diários: 21 de maio de 2017

Temer: ‘Fui vítima de armação de bandidos que saquearam o País e querem sair impunes’

TEMERBRASÍLIA – Minutos depois do pronunciamento que fez sobre a crise que atinge seu governo, Michel Temer reafirmou ao Estadão sua recusa a renunciar à Presidência, se disse vítima de “armação”, negou que tenha participado de um plano para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e disse estranhar que a delação da JBS, que o atingiu, tenha sido selada “no momento em que a economia começa a se recuperar”.

Temer concedeu uma entrevista exclusiva ao Estadão por telefone. Disse estar convencido da capacidade de rearticulação política do governo, deu sua versão para o encontro que teve com Joesley Batista, da JBS, em março — que foi gravado e entregue ao Ministério Público Federal, o que desencadeou a delação do grupo, e criticou os termos da colaboração negociada com o empresário pela Lava Jato.

“Esse sujeito me ligou seguidamente, ao longo de vários dias, me pedindo para ser recebido”, afirmou o presidente. Segundo ele, a segurança da Presidência vive repreendendo-o por “atender o celular”. “Eu tenho o hábito, que a segurança do Planalto vive reclamando, de atender o celular, responder mensagem. É um mau hábito pela liturgia do cargo, mas que eu adquiri da experiência parlamentar”, disse Temer.

Segundo ele, depois de muita insistência por parte de Joesley, ele concordou em recebê-lo no Palácio do Jaburu. Questionado sobre o horário tardio da conversa, Temer disse que a razão foi o fato de que, anteriormente, ele compareceu à festa de aniversário da carreira do jornalista Ricardo Noblat. “Disse a ele: estou na festa do Noblat. Se quiser, passa mais tarde no Jaburu. E ele concordou.”

Temer afirmou que já conhecia Joesley, e que tem o costume de receber empresários para conversas. “Já recebi dezenas de empresários. Em São Paulo, no Jaburu, no Planalto. Muitas dessas reuniões acontecem fora da agenda”, disse o peemedebista.

Questionado sobre os assuntos tratados na reunião, alguns deles a confissão de crimes como o suborno a um procurador e supostamente a dois juízes, Temer disse ter atribuído o teor da conversa ao fato de Joesley ser alguém acuado por investigações e contrariado por não obter acesso que tinha antes a altas autoridades do governo. “Logo de cara, vi que ele era um falastrão”, afirmou.

Ele afirmou ter achado “estranho” o teor da conversa, mas que não levou a sério as afirmações. “Mas você veja que comecei a ser cada vez mais monossilábico, quando a conversa dele começou a enveredar para o pedido de que precisaria ter acesso a esse ou aquele setor do governo.”

Temer afirmou que a divulgação do áudio da conversa demonstra que ele não deu aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, conforme se divulgou inicialmente. “Veja que ele diz que está mantendo uma boa relação com ele, e incentivo que deveria manter, apenas isso.”

Sobre o eventual interesse em evitar uma delação de Cunha, Temer evoca o fato de o ex-aliado tê-lo arrolado como testemunha: “Que silêncio do Cunha eu poderia comprar? Se ele me mandou 21 perguntas num processo e 17 em outro, todas claramente tentativas de me incriminar, e o próprio juiz Sergio Moro tratou de indeferir?”.

A respeito da sugestão para que Joesley procurasse o ex-assessor especial da Presidência e deputado afastado Rodrigo Rocha Loures, Temer disse que apenas confirmou uma sugestão do empresário. “Falei que poderia falar com o Rodrigo sobre assuntos do grupo, como poderia falar o Moreira, ou o Padilha”, justificou.

Temer disse acreditar que Rocha Loures “deve ter sido seduzido” pela promessa de receber R$ 500 mil ao longo de 20 anos. Questionado pelo Estadão se tomou conhecimento, em algum momento, da negociação de recursos por Rocha Loures, ou se autorizou a transação, o presidente negou.

Afirmou que o suborno ao deputado foi negociado pela obtenção de um acordo no Cade que foi negado. “O Cade resolveu? Não resolveu! Ele estava desesperado porque a Maria Silvia saneou o BNDES, ele teve de mudar a operação da empresa para outro país porque fechamos a torneira do BNDES”, afirmou o presidente.

Temer atacou os governos do PT e criticou os termos da delação oferecida ao grupo JBS. “Fui vítima de bandidos que saquearam o País nos governos passados e não obtiveram acesso ao nosso. E negociaram um acordo pelo qual querem sair impunes!”, afirmou o presidente, para em seguida dizer que tentará todos os recursos jurídicos para tentar anular o inquérito aberto contra ele no STF, que, segundo sua avaliação, se baseou em provas armadas.

Ele afirmou que não renunciará e que tentará recompor a base de sustentação do governo para aprovar as reformas. “Querem me tirar para continuar com as mesmas reformas que eu propus, com o meu programa. A quem interessa desestabilizar o governo?”, questionou o presidente.

Temer disse “estranhar” que a crise tenha sido “criada” justamente quando a economia começava a dar sinais de reação. E repetiu os dados que dissera no pronunciamento, de que a JBS lucrou com o câmbio e a venda de ações nos dias que antecederam a Operação Patmos.

Temer reduz verba da PF e gera suspeita de interferência na Lava Jato

Lava JatoQuando foi deflagrada a operação Lava Jato, em 2014, a equipe da Polícia Federal que atuava em Curitiba contava com nove delegados federais, que faziam parte de um efetivo de quase 60 policiais. Hoje, apenas quatro delegados seguem atuando nos casos, responsáveis por cerca de 180 inquéritos em andamento.

A redução não ocorreu somente no quadro da força-tarefa no Paraná, Brasília e Rio de Janeiro também sentiram. O motivo foi a redução de verbas da PF, em consequência do corte geral dos gastos da União.

De acordo com informações do blog de Fausto Macedo, no Estadão, a previsão do Orçamento da União de 2017 para o Ministério da Justiça é de R$ 13 bilhões, sendo R$ 6 bilhões para a Polícia Federal – R$ 4,7 bilhões destinados ao pessoal e R$ 1 bilhão ao custeio. O corte de 44% é o mais expressivo, desde que a força-tarefa teve início.

A situação é motivo de preocupação para os membros da Lava Jato, que temem o enfraquecimento das ações. “Será o fim da Lava Jato”, afirmou um dos membros da força-tarefa, em Curitiba, pedindo anonimato.

Um reflexo dessa redução já pode ser sentido no que se refere às operações ostensivas. Com 40 fases de buscas e prisões desencadeadas nesses três anos de escândalo, as últimas operações foram realizadas por iniciativa do Ministério Público Federal.

“O investimento já é quase zero. O custeio é para movimentar a máquina. Vai paralisar as atividades. Em um orçamento que já é pequeno, cortar 44%, vai parar”, afirma o presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Carlos Eduardo Sobral.

“O contingenciamento é sempre uma espada no nosso pescoço, que o governo pode usar a qualquer tempo, e com isso, paralisar as nossas atividades, em razão da nossa falta de autonomia orçamentária financeira”, completa.

A notícia de cortes tem deixado os procuradores da Lava Jato em alerta. Muitos consideram que as medidas caracterizam interferência direta do governo Temer para tentar frear as investigações.

“No ano passado foi a vez do PT manifestar que tinha interesses de fazer pressão para interferir na Polícia Federal. Nós temos agora o presidente do PSDB, ou seja a cúpula do mundo político partidário, manifestando que tem interesse em nomear ministro da Justiça para interferir na Polícia Federal. Para mim, está mais claro e cristalino que há uma ameaça real de interferência”, avaliou Sobral, da ADPF. “Nós vamos lutando, mas a vontade de interferir está latente, não é isolada e vem do alto escalão da política”, afirmou.

Joesley e doleiro ligado a Cunha mantinham relação de amizade

JBSDesde que foi preso, em julho, o doleiro Lúcio Funaro resistiu a optar por uma delação premiada porque teria de entregar os negócios de Joesley Batista, dono do grupo J&F. Acabou perdendo a vez e foi entregue pelo próprio empresário, que se tornou delator nesta semana.

Para a Lava Jato, Joesley confessou que pagava uma mesada de R$ 400 mil ao operador mesmo após a sua prisão -Funaro é ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e foi preso sob suspeita de corrupção.

Joesley completou que, via o corretor, pagou propina para parlamentares do PMDB na Câmara liderados por Eduardo Cunha e também ao próprio deputado cassado.

Joesley e Funaro sempre disseram que mantinham relações estritamente comerciais. O empresário afirmou ter conhecido operador quando este foi contratado para intermediar uma disputa da J&F com a família Bertin, dona de um frigorífico concorrente. Depois, Funaro atuou na compra da empresa Big Frango -transações que estão sob investigação.

DONOS DAS CASAS

O que Joesley ainda não contou em sua delação é que mantinha uma relação de amizade com o doleiro.

Há cerca de quatro anos, o dono do grupo J&F comprou a mansão do casal global Luciano Huck e Angélica em uma das ilhas de Angra dos Reis, no Rio.Em poucos meses, o local tornou-se ponto de encontro de parentes, amigos e executivos. Funaro se valia da amizade e desses momentos de intimidade para conseguir novos negócios.

Um desses empresários disse ter sido abordado dentro da piscina, em um churrasco ocorrido em 2014. Funaro teria oferecido facilidades junto à Caixa Econômica.

Naquele momento, o operador já era conhecido por ter sido dono de uma empresa usada para lavar dinheiro no mensalão. Ele se livrou da pena devido a um acordo de delação premiada.

Em 2015, foi um dos convidados para a festa de Réveillon de Joesley, que chamou um pequeno grupo de amigos e integrantes da alta cúpula do PT na época.A proximidade também fez Joesley “vender” sua casa no Jardim Europa, em São Paulo, para o amigo.

De acordo com delação premiada de Fábio Cleto, ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica, e Alexandre Margotto, ex-sócio de Funaro, a casa na verdade foi adquirida com dinheiro de propina paga por Joesley.

Nas estimativas de Margotto, o imóvel valia cerca de R$ 20 milhões à época.Em mensagem enviada por sua assessoria, Joesley negou as afirmações de Margotto e afirmou que a casa foi efetivamente vendida à mulher de Funaro por cerca de R$ 9 milhões, em três prestações.

Segundo a afirmação, foram realizados dois pagamentos: de R$ 3,26 milhões, em setembro de 2015, e de R$ 2,86 milhões, em outubro de 2015. A última parcela, de R$ 2,8 milhões, com vencimento em novembro de 2015, encontra-se pendente -por isso, o imóvel está alienado à J&F, ainda de acordo com o empresário. Com informações da Folhapress.

Roma vence jogaço contra Chievo e seca Juve para seguir sonhando

A Roma venceu, de virada, um jogaço de oito gols contra o Chievo, em Verona, para manter vivo o sonho do título do Campeonato Italiano.

O time da casa via o rival ser superior no início da partida, mas conseguiu chegar ao gol que inaugurou o marcador. Castro pegou sobra de bola na área para marcar.

Os Giallorossi tiveram um pouco de dificuldade, mas conseguiram, aos 28 minutos, o gol de empate, com El Shaarawy. Ainda no primeiro tempo, o duelo teve mais emoções. Inglese, de cabeça, recolocou o time de Verona na dianteira, mas Salah voltou a empatar.

Na segunda metade, mais gols saíram em um duelo bem movimentado. Os autores dos gols romanistas no primeiro tempo, El Shaarawy e Salah, voltaram a marcar para dar boa vantagem para a equipe da capital.

O Chievo ainda tentou uma reação, com Inglese, mas o artilheiro Dzeko confirmou a vitória da Roma. Agora, resta ao time de Luciano Spalletti secar a Juventus contra o Crotone, em Turim, para ir para a última rodada ainda sonhando. A diferença entre as equipes atualmente é de um ponto.

PSDB faz reunião de urgência hoje para discutir se sai do governo

PSDBO PSDB, principal partido aliado de Michel Temer, convocou uma reunião de emergência da cúpula do partido para este domingo (21), em Brasília, para discutir se mantém seu apoio ao governo.

Diante do agravamento da crise provocada pelas acusações feitas contra o presidente por executivos da JBS, o partido decidiu antecipar as discussões sobre a continuidade de sua aliança com o peemedebista.

Parte dos dirigentes da sigla defendem, nos bastidores, uma articulação rápida para que Temer deixe o poder, com a construção conjunta entre partidos aliados de uma candidatura para a eleição indireta que seria convocada nesse caso.

O PSDB ocupa quatro ministérios no governo (Cidades, Relações Exteriores, Secretaria de Governo e Direitos Humanos), e dá sustentação a Temer no Congresso com 47 deputados e dez senadores. Trata-se do maior aliado do PMDB na coalizão governista.

Alguns deputados já manifestaram abertamente o desejo de deixar o governo imediatamente. No Senado, há cautela: o cenário traçado é o de convencer Temer a renunciar ou pressionar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para que casse o mandato de Temer.

Na quinta-feira (18), o ministro Bruno Araújo (Cidades) chegou a comunicar à cúpula do partido que entregaria o cargo, mas foi demovido. Temer recebeu, então, os tucanos que integram seu governo e pediu que eles mantivessem seu apoio em nome da estabilidade econômica e política.

As revelações de detalhes das delações do empresário Joesley Batista, entretanto, ampliaram a instabilidade do governo e reacenderam no PSDB as conversas em torno de um cenário de sucessão imediata de Temer.

Os principais caciques do partido têm consultado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o assunto. Na quinta-feira, ele chegou a publicar nota em que defendia a renúncia de Temer.

Naquele mesmo dia, o peemedebista e o tucano conversaram por telefone. FHC revelou preocupação com o cenário político, segundo relatos de dois aliados, mas admitiu que a sugestão de renúncia fora precipitada.

DESEMBARQUE

Partidos da base de Temer já começaram a dar sinais de desembarque do governo.

No sábado (20), a cúpula do PSB decidiu pedir a renúncia do presidente para “acelerar a solução da crise de governabilidade já instalada”. O partido já assinou também um pedido de impeachment do peemedebista.

A sigla, na prática, integra a base aliada por ter um de seus quadros no comando do Ministério de Minas e Energia, o deputado Fernando Filho.

O PPS decidiu manter o apoio a Temer, mas o ministro Roberto Freire pediu demissão da pasta da Cultura. Na quinta-feira (18), o PTN havia anunciado o rompimento com o governo. Com informações da Folhapress.