Arquivos diários: 17 de junho de 2015
A gente somos brazileiros
RIBEIROLÂNDIA – Os nervos e os neurônios estão à flor da epiderme. Reina a radicalização. Navegamos em tempos de tempestades políticas, sociais e institucionais. Amanhã o que será, que será? Um passarinho me contou e um passaralho me avisou: vamos navegar noutros mares. Bicho grilo, lá vou eu a bordo do meu submarino surreal, no reino do Brazil com Z. Voilá!
Eu sou um conservador revolucionário, um subversivo conservador. Mim achar que Brazil deve ser escrito com Z. O “S” é uma letrinha fraca, Z é uma letra irada, é fera.
Nos tempos de Pedrálvares os índios chamavam de Pindorama. Depois virou Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz. Existiu até o nome “Terra dos Papagaios”, segundo o Doutor Google. Nos anos 1930 do século passado os velhotes da Academia Brazileira de Letras disseram que o Z era arcaico, deram um golpe de Estado ortográfico, adotaram o “S” em nome da modernidade.
Antonio de Castro Alves, Ruy Barbosa, Augusto dos Anjos e dos pecadores, Machado de Assis, os luminares de nossas letras escreviam Brazil com Z. Sou fiel aos meus ídolos. Quando eu crescer e for eleito imortal da Academia Brazileira de Letras no lugar de Ribamar Sarney, vou lançar esta tese revolucionária.
Meu nome é Zé, da tribo da Ribeirolândia. A gente somos primos da turma dos Chimpan-Zés. Somos todos Zés desde os saudosos tempos das cavernas. Sou saudosista das cavernas. Não torço por nenhum time, aliás, torço contra todos os times, principalmente contra a seleção da CBF. Adorei a goleada de 8 a 0 da Alemanha contra a seleção da CBF (8 a 0, sim, pois o GOL da seleção da CBF devia ter sido anulado, no meu entender). Se seleção da CBF jogar hoje ou amanhã contra qualquer time, eu torço contra, com todo meu patriotismo.
Ainda sou um animal das cavernas. Meu sonho de consumo existencial é morar numa caverna com ar condicionado, frigobar, internet e uma namorada popozuda para me fazer cafuné. Estou num SITE DE NAMOROS procurando a freguesa para fazer um test-drive.
Gostaria de convidar os valentes imortais da Academia Pernambucana de Letras para uma cruzada revolucionária em defesa do Z. Se o meu amigo a Frade Joaquim do Amor Divino Caneca fosse vivo, tenho certeza que ele entraria nessa batalha, pois sempre foi um irredento, como dizem os intelectuais.
Vou falar com o Doutor Alvacir Fox, o meu Google de Apipucos para assuntos de letras científicas.
O Parque 13 de Maio e o Parque da Jaqueira são alguns dos pulmões de civilidade desta cidade lendária, o primeiro construído a mando do interventor Agamenon Magalhães para abrigar o Congresso Eucarístico mundial em 1938 e o segundo urbanizado pelo pref Joaquim Francisco em 1985 na resistência contra paus e pedras da especulação imobiliária dos arranha-céus. O terreno da Tamarineira continua em ponto morto.
Eu não me ufano da poluição sonora dos batuques e do som infernal nas vizinhanças e nos condomínios que transforma esta aldeia recifense numa lendária cidade tribal. As cidades civilizadas do Brasil e de outros países se ufanam parques e largas avenidas que proporcionam mobilidade urbana e qualidade de vida.
Aqui nesta terra dos altos coqueiros os progressistas são muito conservadores. Se você escrever o nome do mestre Gilberto Freire sem Ypsilone, será chamado de ignorante e jamais será eleito imortal da Academia de Letras, nem morto. Se disser que a rapadura-bolo-de-rolo-souza-leão não é uma quintessência da CULINÁRIA universal, vão querer cortar sua língua.
Também fica decretado em nome da tradição dos topônimos, em louvor ao licor de pitanga de Apipucos e aos brasões das academias, que todíssimas criaturas são obrigadas a falar, escrever e pensar “no”, “do” e “o Recife”. Eu só reverencio o topônimo se tiver direito a desconto no carnê do IPTU.
Tô fora desses provincianismos mambembes. Ao invés de topônimos e rapaduras, quero mais é saber das questões macroeconômicas e macropolíticas essenciais para a sociedade.
Por: José Adalberto Ribeiro, Jornalista.
Estados Unidos investigam contrato da Nike com o Brasil
A Nike volta a aparecer na trama de corrupção descoberta pelos Estados Unidos no seio da FIFA. As autoridades responsáveis pelo inquérito deverão examinar os pagamentos efetuados pela marca esportiva no âmbito do acordo de patrocínio assinado com o Brasil em 1996, avaliado em 160 milhões de dólares (cerca de 500 milhões de reais). Neste momento não há nenhuma acusação formal contra a empresa, uma vez que ainda se deve determinar se houve conduta irregular.
A mais recente revelação acaba de ser feita pelo The Wall Street Journal, embora a Nike já tivesse sido citada nas perguntas feitas à procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, na entrevista coletiva em que foram anunciadas as acusações penais contra 14 diretores e empresários envolvidos no escândalo. Na ocasião, ela se limitou a dizer que os subornos incluíam “acordos de patrocínio” da seleção brasileira “por uma grande empresa de roupa esportiva norte-americana”. A Polícia Federal brasileira e o Ministério Público brasileiro também abriram um inquérito sobre os contratos com a Nike, um caso que respinga no ex-presidente do Barcelona e ex-executivo da multinacional de roupa esportiva, Sandro Rosell, como informou dias atrás o EL PAÍS.
Esses mesmos termos aparecem nas 164 páginas do documento com a acusação oficial contra diretores da instituição que comanda o futebol. O diário financeiro de Nova York, citando fontes familiarizadas com o inquérito, confirmou que a suposta empresa é a Nike. A sociedade norte-americana emitiu um comunicado horas depois do anúncio das acusações para dizer que estava cooperando com a investigação e negou qualquer envolvimento.
“Como qualquer fã de futebol, nos preocupamos apaixonadamente com esse jogo e estamos preocupados com essas alegações muito graves”, diz o comunicado tornado público, que também afirmava que a Nike acredita firmemente no jogo limpo, tanto no esporte como nos negócios. “Nós nos opomos a qualquer forma de manipulação ou suborno”. A revelação do Journal, portanto, confirmaria que a Nike continua sendo parte de interesse na investigação.
Lynch disse que o anúncio feito em 27 de maio foi apenas o começo, e que sua equipe, em conjunto com o FBI, estava ampliando a investigação. Outra coisa bem diferente é que o Ministério Público do EUA possa provar que a empresa e seus funcionários eram parte de uma atividade criminosa ou irregular. O que se trata de determinar paralelamente é se as empresas de marketing esportivo, que operavam como intermediários, usaram o dinheiro desses contratos para pagar subornos.
As auditorias realizadas na Confederação Brasileira de Futebolrevelaram que os pagamentos da Nike durante os 10 anos de duração do contrato de patrocínio foram feitos em várias ocasiões em diferentes contas, por meio de uma triangulação de bancos. Por conta disso, foram solicitadas explicações. Nos EUA, os investigadores identificam a empresa Traffic Group, que tinha um acordo separado com a Nike, como uma das envolvidas na trama.
Fonte: EL País.



