Arquivos mensais: março 2014

Governador Jaques Wagner desagrada aliado ao escolher João Leão para vice.

OndinaO deputado Marcelo Nilo (PDT), presidente da Assembleia Legislativa da Bahia disse que ficou magoado pelo fato de o governador, em vez de escolhê-lo como candidato a vice, preferir o deputado federal João Leão (PP) para estar ao lado do chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), nas eleições de 2014. “Continuo tendo apreço, respeito e admiração pela pessoa do governador, mas eu perdi a admiração política”.

O presidente da ALBA fez questão de deixar claro que foi sempre leal ao governador e disse que Leão não tem a mesma força política que ele e que já trocou de lado diversas vezes, enquanto ele nunca fez chantagem e nem mudou de lado.

Segundo ele, embora pareça “inacreditável”, até esta quarta-feira (19), pela manhã, o governador negava que João Leão já teria sido escolhido. “Eu tentei desistir três vezes [de concorrer como vice], mas não me deixaram. Se tivessem me falado alguns meses antes, estaria tudo bem. Mas até ontem [quarta] pela manhã, durante encontro do Wagner, ele dizia que eu não tinha ouvido nada dele, que nada estava definido”, relatou Nilo, que ainda complementou: “Na realidade, eu fui usado para valorizar a posição de vice, quando chegou a hora da onça beber água, não me deram”.

Disse, por fim, que não vetará possível apoio do PDT a ACM Neto, Geddel Vieira, Paulo Souto ou Lídice da Mata, adversários de Jaques Wagner na corrida pelo Palácio de Ondina.

Por: Adão Lima de Souza

Ucrânia teme ataque militar russo a qualquer momento.

RússiaKIEV – Autoridades ucranianas fizeram neste domingo um alerta a milhares de pessoas reunidas na Praça da Independência de Kiev para que apoiem a unidade nacional, pois o risco de guerra com a Rússia aumenta cada vez mais: o risco “aumenta”, “a situação é inclusive mais explosiva do que era há uma semana”, considerou o chefe da diplomacia ucraniana Andrei Dechtchitsa, consultado pela rede americana ABC sobre um eventual conflito militar.

As tropas russas de Vladimir Putin estão preparadas para atacar a Ucrânia “a qualquer momento”, declarou neste domingo o secretário do Conselho de Segurança Nacional e de Defesa ucraniano, Andrei Parubi, em um palanque na Maidan, a Praça da Independência, onde ele foi o “comandante” durante a queda de braço entre o movimento de contestação e o presidente Viktor Yanukovytch, atualmente deposto. “O alvo de Putin não é a Crimeia, mas toda a Ucrânia, tropas foram mobilizadas na fronteira  e estão preparadas para atacar a qualquer momento”, declarou Parubi diante de cerca de cinco mil pessoas no centro de Kiev.

Ministério russo da Defesa indicou que Moscou “respeita todos os acordos internacionais sobre a limitação das tropas nas regiões da fronteira com a Ucrânia”. Entretanto, insistem os russos que a defesa da Ucrânia passa por uma aliança estreita com a Federação da Rússia, por uma aliança política, econômica e cultural.

No sábado, cerca de 4.000 pessoas participaram de uma manifestação em Donetsk, agitando bandeiras russas e pedindo a volta de Viktor Yanukovytch.

Na sexta-feira, soldados de elite russos atirando para o alto e apoiados por veículos blindados, tomaram outra base ucraniana na Crimeia, mostrando mais uma vez a determinação de Moscou frente às sanções e aos esforços diplomáticos do Ocidente. Forças russas tomaram o controle de vários navios de guerra ucranianos na Crimeia nos últimos dias.

A demonstração de força da Rússia coincidiu com as acusações feitas na véspera pela Alemanha, importante parceira econômica do governo russo, acusando-o de “dividir a Europa”, nas palavras do chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, em visita a Kiev.

O secretário de Estado americano, John Kerry, revelou que está previsto um encontro em Haia, convocado para esta segunda e terça-feira pelo presidente Barack Obama, com autoridades ucranianas e seus parceiros europeus para discutirem a situação da região.

Por: Adão Lima de Souza

FHC é favorável a CPI da Petrobrás.

FCHBRASÍLIA – A mudança de discurso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que passou a apoiar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás, irritou os aliados da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional.

Em nota divulgada neste domingo, FHC afirmou que o senador Aécio Neves, presidente do partido e pré-candidato à Presidência da República, deve conduzir o tema em nome do PSDB. Antes, defendia apenas uma investigação técnica sobre o tema.

Para os aliados de Dilma, os oposicionistas querem palanque com CPI. Por isso, a base aliada trabalhará para abortar a tentativa da oposição de instalar a CPI às vésperas das eleições.

Liderados por Aécio, os oposicionistas reúnem-se na tarde da próxima terça-feira, 25, para decidir se vão trabalhar para criar a comissão parlamentar. Para o deputado federal André Vargas (PR), um dos vice-presidentes do PT, não há fato novo para justificar uma investigação parlamentar. E FHC, que sempre teve uma “postura mais equilibrada”, está agora fazendo “política”. pressionado pelo Aécio Neves. “A oposição está radicalizando o discurso porque não consegue emplacar seus candidatos”, completou.

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), criticou a mudança de posição do ex-presidente. Para ele, a oposição quer “politizar” e “partidarizar” a Petrobrás. Ele disse que o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria Geral da União (CGU), o Ministério Público Federal e a Polícia Federal já investigam supostas denúncias de irregularidades envolvendo a estatal. “Que tipo de investigação querem fazer sobre a presidenta Dilma? Já querer confundir alhos com bugalhos, a população brasileira não vai aceitar isso”, criticou.

Para se criar uma CPI mista, desejo dos oposicionistas, é preciso conseguir o apoio de, pelo menos, 171 deputados e 27 senadores. E Dilma é comanda tanto na Câmara quanto no Senado.

Por: Adão Lima de Souza

A Petrobras gera preocupação para governo e investidores.

dilmaEm 2007 e 2008, as descobertas do pré-sal fizeram a Petrobras decolar como uma das principais vitrines do governo brasileiro e se tornar uma das maiores petrolíferas do mundo. Passados seis anos, porém, o cenário da empresa não inspira mais tanto otimismo.

Hoje, o valor de mercado da estatal tem recuado significativamente, e os problemas da empresa viraram uma dor de cabeça para o governo Dilma Rousseff. O jornal britânico Financial Times chamou a companhia de “um potencial não concretizado”.

Analista apontam as causas seguintes como geradoras dos problemas econômicos da Petrobras.

Controle de Preços.

Segundo os analistas,  uma das principais causas dos problemas econômicos da Petrobras é o controle no preço da gasolina e no diesel, exercido pelo governo para evitar um aumento da inflação.

Uma vez que o Brasil consome mais petróleo do que produz, a Petrobras é obrigada a importar o produto, mas o valor que paga pelo produto no mercado internacional não pode ser repassado integralmente para os consumidores, pois isso geraria uma pressão inflacionária. Isso, obviamente, afeta as contas da empresa. Para os investidores a atuação do governo tem sido uma interferência política na gestão da Petrobras.

Em 2013, um reajuste nos preços dos combustíveis deu fôlego aos resultados da estatal gerando lucro de 11% a mais que no ano anterior. Porém, seu endividamento continua alto, mantendo a desconfiança de acionistas.

O Ministério das Minas e Energia diz que a política de reajuste dos preços dos combustíveis é estabelecida pela Petrobras. Por outro lado, autoridades insistem que a prioridade do governo é o combate à inflação.

Endividamento

A dívida líquida da empresa subiu 50% em 2013 – de R$ 147,8 bilhões para R$ 221,6 bilhões. O que fez a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota da Petrobras, no ano passado. A agência calcula que a dívida total da estatal equivale a 3,8 vezes o seu Ebitda (medida que representa o potencial de geração de caixa da empresa).

O relatório da Moody’s diz que a nota de crédito da Petrobras tem perspectiva “negativa”, já que o endividamento “deve chegar a níveis altos em 2014, significativamente mais altos do que das demais empresas do setor, e só deve declinar a partir de 2015”.

Isso é algo que “coloca em xeque a capacidade de investimentos da empresa”, diz Pires à BBC Brasil.

 Perda de valor de mercado

Todos esses fatores têm gerado uma percepção negativa da estatal, levando investidores a venderem a suas ações. Isso faz a empresa perder o seu valor de mercado, representado pelo preço de suas ações vezes o número de ações existentes.

O valor das ações, que chegou a superar os R$ 30 em 2009, agora beira os R$ 13 – um dos níveis mais baixos desde 2005, antes do período áureo do pré-sal.

O valor de mercado da empresa foi o que apresentou a maior perda em valores absolutos entre as empresas brasileiras listadas em Bolsa em 2013 – de US$ 124,7 bilhões no fim de 2012 para US$ 90,6 bilhões no fim de 2013 –, segundo levantamento da consultoria Economática.

Para Adriano Pires, analista do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), mais do que uma dor de cabeça para o governo, a Petrobras “virou uma dor de cabeça para seus acionistas”.

Razões para otimismo

Em entrevistas recentes, Graça Foster, presidente da estatal,  afirmou que a produção de petróleo pela empresa está em uma curva ascendente e não descarta novos aumentos de combustível, que ajudem a recompor o caixa da empresa.

 Por: Adão Lima de Souza

Presidente do Conselho das Américas, Susan Segal, diz que protestos no Brasil são uma expressão democrática.

SusanSÃO PAULO – A presidente do Conselho das Américas, cujo fórum este ano acontecerá na capital paulista, Susan Segal é considerada em Wall Street como uma das pioneiras do capital risco na América Latina, e reconhecida por seu papel ativo durante a gestão da crise da dívida que afetou os países da região na década de 1980 e começo da de 1990.

Atualmente, é membro do Conselho de Relações Exteriores, um influente grupo de reflexão sobre a política internacional em Nova York. Agora, busca usar o Conselho das Américas como ferramenta para estreitar comerciais entre os EUA e a região.

Segundo ela, o fórum do dia 25/03, em São Paulo, é crucial para estabelecer conexões com o mundo dos negócios na América Latina, pois será integrado por algumas das mais importantes companhias do mundo.

Sobre o Brasil, disse Susan Segal ao jornal espanhol El País, que o Brasil não é capaz de crescer como poderia 5% ou 6%. Com sorte poderia chegar agora aos 3%, embora acredite está mais no patamar de 2,5%, apesar de uma economia enorme, mais de 40 milhões de cidadãos que se somaram à classe média, que demanda bens e serviços, e uma base industrial muito sólida.

Porém, mesmo com uma taxa lenta de crescimento, sua economia avança numa situação próxima ao pleno emprego. Os salários estão mais ou menos estáveis, embora sem crescer tanto como em anos anteriores.

E aconselha que o Brasil  precisa  crescer mais rápido, encontrar o crescimento que faça sentido para o país, com investimento necessário para alimentar a demanda dessa crescente classe média. Porque a discussão, hoje na economia, é sobre inclusão social, educação, serviços que a classe média demanda.

Disse ainda, que os países estão integrados no mundo, com acordos comerciais globais, e tendo acesso a enormes fontes de capital, além de contar com um setor privado vibrante.

Sobre os protestos no Brasil afirmou: “Vejo os protestos como uma expressão democrática. A classe média exige mais opções do Governo, mais e melhores Serviços. Quer mais hospitais, melhor educação, uma vida melhor para seus filhos, porque pagam impostos”.

Por: Adão Lima de Souza

Isto Posto… Estelionato Eleitoral ou Cumplicidade Delituosa do Eleitor?

urnaHá, no Brasil, um entendimento enraizado de que todo político é desonesto, inescrupuloso, egoísta e traidor, pois, lança mão de todo e qualquer artifício e de falsas promessas para conquistar o voto do eleitor, porém, quando se elege finge esquecer-se dos compromissos firmados com a sociedade e se empenham, unicamente, em projetos individualistas, frequentemente escusos, que possam fazê-lo enriquecer de forma rápida.

Por essas razões, o cidadão ao escolher aquele que merece seu voto de confiança para representá-lo no parlamento, vereadores, deputados e senadores, ou conduzir a Administração Pública nas funções de prefeito, governador e presidente da república, o faz guiado pelo entendimento de que se todos são iguais, é indiferente em quem se vai votar e, portanto, melhor candidato é aquele que sinaliza com alguma satisfação de interesse próprio do eleitor, porque as coisas são assim e dessa maneira permanecerão já que qualquer um que se eleger agirá de igual modo.

Ou seja, de antemão, significa dizer que sendo os eleitos advindos do seio da sociedade; toda sociedade é incuravelmente corrupta.

Diante de tal constatação, pensar assim parece bastante confortável, pois consola nossa consciência e nos faz dormir em paz, livres dos terrores noturnos a que teríamos de suportar se não nos esquivássemos da realidade dos fatos. Porque, em verdade, admitir que tudo na política é do modo que é e continuará assim para sempre é, além de confortável para nossa consciência, reconhecer que nossos representantes fazem justamente aquilo para que os elegemos, pois se são corruptos o são por determinação do próprio eleitor e, por isso, sequer podem ser admoestados.

Enfim, acreditar que no tocante à política, comportamentos sádicos, mesquinhos, desonestos e covardes são sua essência significa, a um só tempo, perdoar as faltas de nossos representantes e a nós mesmos pela escolha errada – ou certa? – que fizemos. O que torna irrefutável afirmar que tudo está na mais perfeita ordem e harmonia uma vez que toda ação de nossos vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidente traduz, inegavelmente, a vontade do cidadão que o elegeu.

Entretanto, sou da opinião que persistir com a crença de que qualquer um que consiga o poder fará exatamente como os que lá estão, significa admitir que todos eles estão perdoados pelos erros que cometerem, pois os cometem para concretizar nossa vontade. E isso, é justamente do que precisam as mentes corruptas para se deleitarem na benfazeja sociedade brasileira, que para negar sua cumplicidade delituosa julga conveniente perdoar mal feitores renovando a confiança neles com novos mandatos eletivos.

Para encerrar, estou convicto de que não se trata mesmo de estelionato eleitoral, mas sim de cumplicidade delituosa da parte do eleitor que compra a ideia de imutabilidade da situação ao negociar seu voto ou se omitir diante dos desmandos políticos sob a alegação de que nada pode fazer para mudar isto.

Isto posto… Caro eleitor se nada pode fazer para acabar com a corrupção política no país, que tal não renovar a confiança em quem já lhe traiu?

Por: Adão Lima de Souza

“Meu pai traduziu a ditadura em consciência política, não em rancor”. Do Repórter Pablo Uchôa à BBC Brasil sobre os Anos de Chumbo.

Inocêncio

Na minha meninice, nunca achei que meu pai, Inocêncio, fosse super-herói. Mas eu sabia que ele era um homem forte.

Diziam que, nos anos de chumbo, tinha apanhado tanto que, certa vez, os algozes do regime militar lhe haviam quebrado um cacetete no peito.

E, no entanto, como em um filme de Roberto Benigni, crescemos, meu irmão e eu, relativamente protegidos dos detalhes mais cruéis da perseguição política que tocou nossa família.

Tive o privilégio de nascer em uma família politizada e militante de classe média de Fortaleza. Aprendi, talvez mais precocemente que outras crianças, o significado da palavra anistia.

Conhecia, por depoimentos alheios, o terror a que foram submetidos os prisioneiros políticos durante o regime militar que se instalou no Brasil 50 anos atrás.

Mas não foi senão recentemente que meu pai me contou sobre sua própria experiência nas celas insalubres e infestadas de ratos e baratas no Dops do Recife, onde ficou detido por três meses antes de cumprir sentença na Casa de Detenção daquela cidade.

Retrato ‘dantesco’

Apelidado de “buque”, o “submundo do órgão”, ele descreve, era o retrato “dantesco” de uma prisão medieval, com suas grades que garantiam nenhuma privacidade aos detentos. Estes dormiam seminus no chão, esfomeados, com frio e embrulhados em folhas de jornais velhos.

Até então eu ignorava que meu pai havia passado noites algemado às grades, isolado, forçado a se manter acordado após um bate-boca com um oficial na Companhia de Guardas, onde permanecera por outros dois meses.

E que certa vez, alta madrugada, fora arrancado com alguns companheiros de sua cela e levado em um caminhão do regime militar até uma praia deserta.

A resignação de haver chegado ao fim de tudo quando os militares se alinharam em fila, empunharam seus rifles – preparar, apontar… e suspenderam a encenada execução, tortura psicológica das mais duradouras.

O termo “psicológico”, aqui, usado por meu pai como um poderoso eufemismo para o terror imposto aos presos políticos dos anos de chumbo.

É que, no curioso ordenamento dos ex-detidos, respeita-se a memória dos que foram submetidos à dor mais excruciante da pior tortura física – o infame pau-de-arara, os choques elétricos na ponta dos dedos, testículos e ânus, os estupros – e não saíram vivos.

Detenção

A foto em preto-e-branco que recebo de minha mãe, Angela, mostra um jovem de bigode farto e óculos de aros grossos, aparente normalidade só desmentida pelas grades de ferro ao fundo.

Foi tirada entre em 1970 ou 1971, quando meu pai ficou preso na Casa de Detenção do Recife.

“A detenção foi um alívio. Porque, quando você chega na Casa de Detenção, a sua prisão fica legalizada”, resumiu um de seus colegas de prisão, Mário Miranda, em um documentário apoiado pela Comissão da Anistia sobre 23 ex-presos políticos da detenção, A Mesa Vermelha(2013, direção Tuca Siqueira).

“Isso não é pouca coisa numa ditadura”.

O tratamento ali tampouco era “dos melhores”, diz meu pai, e com frequência os presos eram levados a fazer greves de fome em protesto contra os castigos, a degradação da revista a que os familiares eram submetidos – em especial as mulheres –, e por direitos básicos.

O filho do município de Aracati, irmão de 13, cuja propensão para os estudos o levara ao colégio marista (melhor possibilidade de educação para a época), já contava então com quatro processos penal-militares em Fortaleza, Recife e São Paulo.

Meu pai presidia o Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC) quando o regime militar estourou o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) na cidade de Ibiúna, São Paulo, em 1968.

Dos cerca de 70 indiciados, dez eram do Ceará, meu pai, um deles. O incidente lhe rendeu o trancamento compulsório da matrícula pelos três anos seguintes.

Mas, àquela altura, quem havia entrado na Universidade como estudante havia se comprometido, no decorrer dos anos, com “fazer a revolução”, conta meu pai.

O regime militar pós-AI-5 (anunciado em dezembro de 1968) apertava o cerco contra os dissidentes. Para escapar, ele foi enviado a Pernambuco em 1969 como militante da Fração Bolchevique-Trotskista, atuando entre os camponeses nas lavouras de açúcar da Zona da Mata.

De certa forma, foi uma sorte que seu “aparelho”, como reportaram os jornais da época, tenha sido desbaratado rapidamente, em operações no Recife e em Fortaleza.

Não era segredo de ninguém a metodologia que os torturadores aplicavam aos “subversivos” para arrancar informações sobre o paradeiro de seus companheiros foragidos.

Clandestinidade

Meu pai deixou a prisão em abril de 1971. Casou-se com minha mãe (meu avô materno conseguiu que a união não saísse publicada nos boletins oficiais) e, dois meses depois, se mudou para o Rio de Janeiro, onde ela dava prosseguimento aos seus estudos de medicina.

Em setembro de 1971, a Justiça elevou sua sentença, lançando novamente sobre meus pais o manto da clandestinidade. As fotos de família da época são escassas.

De favores, meu pai conseguiu matricular-se a fim de terminar seus estudos de Direito na faculdade Cândido Mendes, em troca de “entrar mudo e sair calado” da sala de aula.

Sobre a vida na clandestinidade, destaco a descrição do amigo e ex-companheiro de cela de meu pai, José Arlindo Soares.

“A gente vivia completamente isolados”, contou ele no mesmo documentário (referia-se a quando, expulso da faculdade, vivia na iminência de ser preso).

“É como se você vivesse na cidade, mas a cidade não vivesse dentro de você. Você não interagia com a cidade.”

Meu irmão Marcelo (batizado em homenagem ao antigo nome de guerra do meu pai) e eu nascemos nesse período.

Ele ainda retém memórias de uma infância relativamente normal no Rio de Janeiro: passeatas em que saía gritando “Abaixo a dentadura!” montado sobre os ombros do meu pai; a distribuição de panfletos do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) sob as portas na campanha para o governo do Estado em 1978; amigos de família tocando músicas de Chico Buarque e Gilberto Gil ao violão.

Cenas de uma vida bela, alheia aos horrores de um regime que iniciava sua derrocada.

‘Passado a limpo’

Considero um sucesso que meus pais tenham traduzido 21 anos de ditadura não em rancor, mas em consciência política para os seus filhos.

(Marcelo, com seu engajamento político precoce, seria entrevistado aos nove anos de idade pelo jornal Diário do Nordeste durante um comício das Diretas Já em Fortaleza: “Interrogado se estava gostando da festa, Marcelo respondeu: ‘Claro, eu sou das Diretas, ora'”, escreveu o jornal.)

De certa forma, meu irmão continuou a luta de meus pais, advogando por ex-presos políticos, ensinando Direito Internacional e Direitos Humanos na Universidade de Fortaleza e escrevendo sobre memória e verdade.

Ex-coordenador especial de Políticas Públicas de Direitos Humanos no Estado, chegou a ciceronear uma Caravana da Anistia promovida pelo Ministério da Justiça.

Os momentos mais sombrios da história familiar não ficaram esquecidos, mas meu pai diz que tinha razões para manter a discrição.

“Ninguém quer falar (de tortura) num primeiro momento. É uma coisa muito dolorosa. A sociedade precisa de um pouco de silêncio”, reflete.

Além disso, ele diz, “nós entramos na lógica de ajudar na organização dos sindicatos, de associações, de lutar pela Constituinte, por eleições diretas, uma sucessão de coisas que não nos permitia ainda falar disso”.

Acredito que existissem igualmente razões práticas: uma busca nos arquivos do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) e de outros órgãos do regime militar indicaram que meu pai continuava sendo alvo de interesse pelo menos até 1989, uma década inteira após a Lei da Anistia.

Nessa época, ele estava fortemente envolvido com o estabelecimento de sindicatos e de organizações de esquerda no Ceará.

O advento da Comissão da Verdade, com seu objetivo de “passar a limpo” a história do período, é o mote para que venham à tona os segredos dos indivíduos, bem como das instituições.

É uma história intrinsecamente coletiva e, ao mesmo tempo, profundamente pessoal.

Fonte: BBC Brasil. Depoimento do Repórter Pablo Uchôa.

Proprietários de veículos terminados em 5, 6 e 7 tem até hoje para pagar a 1ª parcela do IPVA

downloadQuem tem a placa do seu veículo terminada em 5, 6 e 7 tem até hoje (24) para pagar a 1ª parcela ou cota única do Licenciamento 2014. Os 493.451 pernambucanos devem ficar atentos para não perder o prazo.

As emissões das guias de pagamento já podem ser feitas pelo site do Detran, que triplicou a capacidade de processamento dos boletos com o objetivo de evitar possíveis congestionamentos do sistema. Outra opção é se dirigir a um dos postos de atendimento do Órgão (Sede, shoppings, Ciretrans) ou às unidades do Expresso Cidadão que prestem serviços do Detran. A lista dos pontos de atendimento e horários também pode ser conferida através do site do Detran.

 Com o fim da greve dos Correios, já está sendo feita a entrega residencial dos boletos de pagamento. Virá impressa, a data do calendário anterior do IPVA. Isso não deve gerar preocupação, pois o pagamento pode ser feito normalmente e será reconhecido pelo sistema informático já de acordo com o novo calendário. O boleto enviado às residências chega somente para pagamento parcelado. Já o boleto de pagamento em cota única só é emitido por meio do site do DETRAN. (JC Online)

Joaquim Barbosa: “Medidas preventivas drásticas, que doam no bolso, na carreira e no futuro, talvez sejam mais eficazes contra quem pratica corrupção”.

Barbosa

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, disse em entrevista ao jornalista Roberto D’Avila, que pretende permanecer no cargo até novembro, período em que termina seu mandato. E voltou a descartar a possibilidade de se candidatar à Presidência da República nas eleições de outubro. “Recebo inúmeras manifestações de carinho, pedidos de cidadãos comuns para que me lance nessa briga, mas não me emocionei com a ideia ainda”.

No entanto, afirmou que não descartava a hipótese de um dia se lançar na vida política. Mas não em 2014.

Questionado se sua postura era muito dura, Barbosa afirmou que isso é necessário. Pois, “o Brasil é o País dos conchavos, do tapinha nas costas, o País onde tudo se resolve na base da amizade, e eu não suporto nada disso. Às vezes eu sou duro para mostrar que isso não faz o menor sentido em uma grande democracia como é a nossa”, disse.

Sobre sua atuação no julgamento do mensalão, Joaquim Barbosa se mostrou cético, apesar das condenações, com o combate da corrupção por meio apenas da repressão: “Nós ainda não encontramos a forma correta e eficaz de combater o problema. Talvez estejamos adotando o método errado”, afirmou.

E concluiu: “Talvez medidas preventivas drásticas, que doam no bolso, na carreira e no futuro dessas pessoas que praticam a corrupção sejam mais eficazes”.

Por: Adão Lima de Souza

Acidente em Santa Maria da Boa Vista faz duas vítimas

20140323_1044321-1024x768Na manhã deste domingo (23), próximo ao distrito de  Caraíba, uma colisão entre um Corsa Classic e um Gol, veio pôr termo a vida de dois jovens Boavistanos: Nério Ferraz, 29 anos, popularmente conhecido por “Nerinho”, e Rodrigo Freitas, 25 anos. Nério que conduzia o veículo – Corsa Classic -, ficou preso às ferragens,  já o condutor do Gol – Rodrigo, foi brutalmente lançado para fora do veículo. Ambos não resistiram ao impacto vindo à óbito.

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De acordo com informações de testemunhas que estavam no local, no veículo conduzido por Rodrigo ainda estavam mais duas pessoas, que ficaram feridas e encaminhadas ao Hospital de Petrolina. O acidente aconteceu por conta de um ultrapassagem feita por um dos motoristas.