Gal Gadot usou experiência no exército israelense para compor sua ‘Mulher Maravilha’
LOS ANGELES – Ao sair de uma tenda montada no interior do estúdio da Warner Bros., nos arredores de Los Angeles, Gal Gadot topou com um grupo de jornalistas à sua espera. “Ops”, disse a atriz de 32 anos, esquivando-se para os fundos do espaço para trocar as pantufas que usava nos pés por sapatos não tão confortáveis, porém mais aceitos em um ambiente razoavelmente glamouroso como de Hollywood.
Atriz israelense com passagem pelo exército do seu país e especialização em combate corpo a corpo, Gadot ainda não parece ter sido picada pelo bichinho responsável em transformar estrelas em ascensão em personalidades indigestas. “A única coisa que disse a Gal quando terminamos as filmagens é: ‘você não precisa ser uma Mulher Maravilha todos os dias’”, contou Patty Jenkins, diretora de Monster: Desejo Assassino e responsável por comandar a atriz em Mulher Maravilha – com estreia prevista para esta quinta-feira, 1.º. É o primeiro filme dedicado a uma das mais importantes personagens dos quadrinhos, ao lado de Batman e Superman, 76 anos depois da sua criação nas HQs. “Eu não sou inocente e me preocupo com o que ela vai ter que enfrentar. Acho ela tão maravilhosa. E vai passar por uma viagem bem esquisita”, completa.
Gal Gadot é uma nova estrela improvável. Era uma desconhecida para o grande público até o anúncio de que interpretaria a amazona capaz de derrotar exércitos sozinha, há quatro anos – o que gerou alguma repercussão negativa por parte dos fãs. Sua escalação é fora da caixinha do que se estabeleceu em Hollywood: uma atriz estrangeira, não nascida nos Estados Unidos ou Europa. Seu inglês não é nativo e, além de funcionar para a personagem que vive em uma ilha localizada no mediterrâneo, a pronúncia às vezes escorregada na língua confere humanidade à atriz. “Chris (Pine, que interpreta o soldado norte-americano Steve Trevor) é o meu tradutor”, brinca Gal, já com novos calçados nos pés, ao lado do ator.
Sua missão será dura. Embora Jennifer Lawrence já tenha mostrado aos executivos da indústria do entretenimento que é possível ter uma mulher forte à frente de um blockbuster com Jogos Vorazes, a mentalidade demorou para mudar quando o assunto eram as adaptações das histórias dos super-heróis dos quadrinhos para as telonas. Desde que a nova e bem-sucedida safra veio à tona, com o primeiro Homem de Ferro, de 2008, foram incontáveis filmes, nenhum protagonizado por uma mulher – e, neles, as personagens femininas tiveram pouquíssimo destaque; nem mesmo Scarlett Johansson foi capaz de sobressair em Os Vingadores.
Gadot, que mostrou um pouco de sua Mulher Maravilha em uma breve e importante participação no filme Batman vs Superman: A Origem da Justiça, ainda está surpresa ao ver seu rosto, sozinho, nos pôsteres de divulgação do longa. Diz ter tomado um susto ao ver sua própria imagem em um anúncio enorme na Times Square, em Nova York.
“A importância desse filme é sem precedentes”, explica, ainda ao lado de Pine, que pouco fala no tempo que eles têm juntos diante dos jornalistas. “Depois de 76 anos de histórias da Mulher Maravilha, ela, enfim, vai aparecer em um filme só para ela. Os meninos já viram Superman, Batman. É importante, para garotos e garotas, verem essa heroína nesse ambiente. É um filme que sai das questões complicadas em histórias de herói. O que Patty (Jenkins) propõe é mostrar a importância das coisas simples, valores como igualdade, amor, aceitação. Com eles, podemos ser pessoas melhores.”
Gal Gadot permaneceu em pé o tempo todo – há duas semanas, machucou as costas e precisou cancelar alguns eventos com fãs por conta disso. Ao ser questionada sobre a importância da personagem na carreira e se teme ficar marcada como Mulher Maravilha para sempre, ela sorri. “Consegui esse trabalho dos sonhos, é isso que eu penso”, diz. “Adoro o fato de vermos a evolução da personagem, de uma jovem idealista no começo, alguém que acredita na bondade. É inocente. E, aos poucos, ela vai entendendo a complexidade da vida.”
Mãe de duas meninas, a mais nova nascida há dois meses, Gadot sabe da importância de fazer de Mulher Maravilha um sucesso de crítica e público. Mas não é tudo. Para ela, e contrariando as indicações da diretora do filme, é mais importante ser Mulher Maravilha com a própria família. “Meu maior personagem na vida ainda é ser mãe.”
Fonte: MSN
OAB: “Independente de áudio, Temer prevaricou”
O presidente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Claudio Lamachia, afirmou nesta segundafeira (22) que deve ingressar com o pedido de impeachment do presidente Michel Temer (PMDB) até esta sextafeira (26) na Câmara dos Deputados. De acordo com Lamachia, os áudios entre Temer e o empresário Joesley Batista, da JBS, apontam que o presidente praticou crime de prevaricação ao, mesmo classificando Batista como “fanfarrão” e “delinquente”, não negar, em seus dois pronunciamentos, desde quinta (18), que conversara com ele nas condições apontadas pela investigação da Polícia Federal.
O sócio da JBS entregou o áudio à Procuradoria Geral da República em acordo de delação premiada. O presidente defendeu que a gravação foi fraudada, mas não negou o encontro com Batista a quem classificou de “fanfarrão”, “delinquente”.
“Se o presidente da República sabia que estava diante de um interlocutor que é um ‘fanfarrão’ e um ‘delinquente ‘ele não deveria ter recebido (Batista)”, defendeu Lamachia.
Sobre o protocolo do pedido de impeachment, resumiu: “Estamos elaborando a peça e isso tem que ser feito com calma. Mas asseguro a vocês que estaremos protocolando o pedido de impeachment ainda no curso dessa semana”, disse
De acordo com o presidente da Ordem, o fato de o áudio da conversa ainda não ter sido submetido a perícia oficial não impede a ação da entidade. “Muito se está discutindo no que diz respeito à validade da gravação. Nós não entramos nessa avaliação nesse momento, porque a decisão que foi tomada pela OAB tem exatamente como base as declarações do próprio presidente da República, que, em momento algum, nega os fatos e as interlocuções que teve”, disse o advogado, para completar:
“Mesmo que o áudio tivesse alguma edição [como revelaram peritos entrevistados pela Folha] e não estou dizendo que houve , as próprias manifestações do senhor presidente em suas declarações formais reconhecem o teor do diálogo que ele teve com o empresário isso que é indiscutível”, ponderou.
Segundo Lamachia, o fato de Temer ter declarado que não acreditou no empresário não muda a avaliação da OAB. “Na medida que o senhor presidente da República diz que o empresário é um fanfarrão, que não levou em considerações [suas declarações] e não teria tomado nenhuma atitude quanto a isso, é mais uma situação que agrava o fato. Se ele sabia que estava diante de um fanfarrão e um delinquente, ele não deveria nem têlo recebido.”
O presidente da OAB lembrou ainda que a entidade, de 86 anos, já havia pedido o impeachment dos expresidentes Fernando Collor de Mello, em 1992, e Dilma Rousseff, ano passado. Sobre o procedimento no processo contra Dilma, destacou: “São decisões muito semelhantes [em relação ao pedido contra Temer], em termos numéricos, inclusive [26 bancadas a 2, no caso de Dilma, e 25 a 1, no de Temer]. Mas diametralmente opostos em termos ideológicos”, mencionou, se recusando, no entanto, a comparar os crimes atribuídos a Dilma e a Temer.
Sobre os donos da JBS, os empresários Joesley e Wesley Batista, Lamachia questionou o fato de ambos estarem soltos, mesmo com o teor das delações. “Eles foram punidos ou eles receberam um prêmio? Deixaram essa crise no Brasil, fizeram o que fizeram, e foram para os Estados Unidos. Continuam com uma vida invejável. Isso é um verdadeiro escárnio”.
O presidente da instituição admitiu ainda que a Ordem pode debater a questão das eleições diretas ou indiretas em caso de vacância na Presidência e não descartou, por exemplo, que eventual apoio à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que tramita na Câmara sobre o assunto, de autoria do deputado Miro Teixeira, entre na pauta da entidade. “Eu teria que chamar uma reunião do Conselho Federal da Ordem para apreciar a pauta é minha”, salientou.
Prefeita argentina é denunciada pelo próprio pai
Verónica Morales, prefeita da cidade de San Cosme, no norte da Argentina, foi denunciada por seu pai, vereador do município, por supostamente ficar com fundos públicos destinados a obras que não saíram do papel.
O insólito caso gerou uma multidão de comentários na imprensa e nas redes sociais depois que os meios de comunicação locais divulgaram a denúncia feita por Eduardo Morales, cuja ex-mulher e mãe da acusada também foi prefeita da mesma cidade – de cerca de 6.500 habitantes – e outra de suas filhas, vereadora.
“Sabia que meu pai é instável, bipolar. Mas que tenha feito uma coisa assim, ainda mais sabendo que eu tenho como provar que tudo isso é mentira, me surpreende”, declarou a prefeita à imprensa local.
Morales, que foi eleito vereador em 2015, mas ainda não assumiu, acusou sua filha de ser responsável pela falta de obras que foram cobradas com certificados presumivelmente adulterados e de ficar com o dinheiro destinado pelo Estado para sua realização.
“Fez isso em conivência com os vereadores atuais. Por isso não me deixam assumir, porque têm problemas. Se chego ao Conselho Deliberativo vão ter problemas a cada minuto. Porque sou uma pedra no sapato”, disse Morales à emissora de televisão “Todo Notícias”.
Morales citou como exemplo o fato de que chegaram 325.000 pesos (cerca de R$ 60 mil) para a compra de uma caminhonete para os bombeiros, “mas não existe corpo de bombeiros em San Cosme”.
“Acredito que o que está buscando é desprestigiar a gestão, mas não vai conseguir porque tenho as contas em dia. Estou muito tranquila”, garantiu a prefeita da cidade, situada na província de Corrientes, no norte da Argentina.
Segundo explicou o próprio, Eduardo Morales está separado de sua família por “uma manobra maligna” que, em sua opinião, fizeram contra ele.
“Ela (Verónica) e a mãe me deixaram na rua”, acrescentou Morales, que acusou sua filha e sua ex-mulher de desvinculá-lo da construtora familiar.
“A construtora é minha. Jamais teve nenhuma empresa. Nunca foi deixado de fora de nada porque nunca teve nada”, esclareceu Verónica Morales, que salientou que seu pai tinha “uma vida paralela” e estava “dando um calote” para construir a casa “de sua amante”.
Consultada pelo paradoxo de que tantos membros da família tenham ou tenham tido cargos no governo local, a atual prefeita especificou que não se trata de postos hereditários. “Todos nos expomos à vontade popular para chegar ao cargo”, argumentou.
Não farás perguntas
É provável que queiras um filho. E, então, bobamente feliz, quererás o teu filho. Farás de tudo para que ele tenha no rosto sempre o desenho de um riso largo, não cariado. Dirás, na presença de teu filho, coisas belas, magníficas, inexistentes. Quererás um filho, menino forte e ágil, quererás esse filho bobamente feliz. A ele, quando crescido, não farás perguntas. Ao revés, de todas as interrogações, cuidarás em mantê-lo distante, numa dessas alturas onde nada se escuta. E, então, o teu filho ignorará a possibilidade de fazer pergunta a si próprio, conversando com plantas e bichos – que não questionam. Quererás teu filho sempre em riso descerrado, longe de meninos sem dentes e de pés sujos. Porque teu filho terá a alvura de qualquer coisa celeste. Bobamente feliz, quererás o teu filho. Apartado de livros, de palavras que façam pensar sobre imagens obscuras. Porque quererás teu filho sempre próximo ao céu. E de tudo farás chegar ao teu filho o quinhão do triunfo, a fortuna da vitória exposta em dia de Natal a outros dois imaculados. Carregará a sina de ter de sorrir ao lado de anjos e harpas de glória, o teu filho. E, então, bobamente feliz, darás a teu filho um designativo único, majestático, desses que, ao longe, se distinguem os traços de alguém que ri. É provável que queiras um filho e a ele farás participar o doce de uvas não envenenadas, pisadas por pés etéreos para vinho. Quererás o teu filho bobamente feliz, o desenho de um riso largo, não cariado, e, então, suprimirás todas as perguntas, os silêncios que bosquejam a silhueta de uma interrogação. É provável que queiras um filho.
Por: Breno S. Amorim
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Isto Posto…Michel Temer: Não renunciarei, não renunciarei!
Historicamente, no Brasil, criminosos do colarinho branco – os tais políticos de todos os partidos que vemos agora figurar em listas após listas de tráfico de influência, subornos, propinas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, desvio de verbas públicas, fraudes a licitações, corrupção passiva e ativa, e um sem número de crimes eleitorais – sempre estiveram sob o guarda-chuva da impunidade, isentos de culpa em decorrência de privilégios legais e, por isso, perdoados dos crimes cometidos, podendo, livremente, assumirem cargos públicos onde detivessem as rédeas do destino do país e o controle amplo do orçamento.
Em virtude disso, raras foram às vezes em que algum político (presidente, governador, parlamentar ou prefeito) flagrantemente apanhado no cometimento de crimes contra a administração pública, à soberania, à saúde, à educação, enfim, ao Estado Democrático de Direito, vestiu-se de certa medida de honradez e renunciou ao cargo, tombado pela vergonha pública, prostrado pela imoralidade e concupiscência. Todos eles, independentemente dos graves crimes perpetrados, arvoram-se do mais alto grau de cinismo e se autoproclamam inocentes até que se reprove o contrário.
Do ex-presidente Jânio quadros para cá – talvez o único a assomar com maior força ao imaginário quando o assunto é renúncia – ninguém se atreveu a suscitar as tais forças ocultas e dá o fora, deixando o país livre para buscar sua redenção.
Na esfera mais alta, o pai dos pobres Getúlio Vargas optou pelo suicídio, foi-se; o caçador de marajás do serviço público Fernando Collor de Mello, depois de revelado o seu esquema de corrupção, convocou o povo a defendê-lo, “foi traído e derrubado pelo povo”, ao menos supostamente. Mais recentemente, Dilma Rousseff, Coração Valente, primeira mulher a presidir o país, acusada a um só tempo de irresponsável, incompetente e, conforme vem se demonstrando, também corrupta, abdicou do gesto nobre da renúncia, preferindo sucumbir a um evidente processo de impeachment, quando já não conseguia mais articular duas palavras na mesma frase.
Agora estamos diante novamente do maior gesto de honradez de um presidente, quando honra é um de seus atributos: A Renúncia.
O personagem da vez é o senhor Michel Temer, cujos adjetivos lhes atribuídos são golpista, usurpador, ilegítimo, satanista, mordomo de Conde Drácula e, a exemplo de seus predecessores, CORRUPTO! Ainda mais depois de ter sido flagrado em gravações de teor altamente comprometedor, pois desvela o desenrolar de uma série de crimes contra o povo brasileiro, a nação, o cargo de presidente, que vão desde o simples tráfico de influência até a formação de quadrilha para obstruir o trabalho da justiça na famosa Operação Lava Jato.
Apanhado de calça arriada, como se dizia antigamente, o mesoclítico “Roubar-te-ei-mais-um-pouco”, Michel Miguel Elias Temer Lulia, bateu o pé, num típico calundu de menino ruim e bradou: “não renunciarei, não renunciarei!”. E segue, fingindo acreditar que chegará a 2018, quando na verdade seu temor verdadeiro é a certeza de que vai cair nas mãos-de-ferro do juiz Sérgio Moro e atirado nos calabouços da temível República de Curitiba.
Isto posto, destemido presidente, renuncia que o Brasil assegurar-te-á as velhas companhias de sempre: Lula, Aécio, Renan, Barbalho, Sarney, Collor, Serra e outros mais que sua lista contiver.
Por: Adão Lima de Souza
Temer: ‘Fui vítima de armação de bandidos que saquearam o País e querem sair impunes’
BRASÍLIA – Minutos depois do pronunciamento que fez sobre a crise que atinge seu governo, Michel Temer reafirmou ao Estadão sua recusa a renunciar à Presidência, se disse vítima de “armação”, negou que tenha participado de um plano para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e disse estranhar que a delação da JBS, que o atingiu, tenha sido selada “no momento em que a economia começa a se recuperar”.
Temer concedeu uma entrevista exclusiva ao Estadão por telefone. Disse estar convencido da capacidade de rearticulação política do governo, deu sua versão para o encontro que teve com Joesley Batista, da JBS, em março — que foi gravado e entregue ao Ministério Público Federal, o que desencadeou a delação do grupo, e criticou os termos da colaboração negociada com o empresário pela Lava Jato.
“Esse sujeito me ligou seguidamente, ao longo de vários dias, me pedindo para ser recebido”, afirmou o presidente. Segundo ele, a segurança da Presidência vive repreendendo-o por “atender o celular”. “Eu tenho o hábito, que a segurança do Planalto vive reclamando, de atender o celular, responder mensagem. É um mau hábito pela liturgia do cargo, mas que eu adquiri da experiência parlamentar”, disse Temer.
Segundo ele, depois de muita insistência por parte de Joesley, ele concordou em recebê-lo no Palácio do Jaburu. Questionado sobre o horário tardio da conversa, Temer disse que a razão foi o fato de que, anteriormente, ele compareceu à festa de aniversário da carreira do jornalista Ricardo Noblat. “Disse a ele: estou na festa do Noblat. Se quiser, passa mais tarde no Jaburu. E ele concordou.”
Temer afirmou que já conhecia Joesley, e que tem o costume de receber empresários para conversas. “Já recebi dezenas de empresários. Em São Paulo, no Jaburu, no Planalto. Muitas dessas reuniões acontecem fora da agenda”, disse o peemedebista.
Questionado sobre os assuntos tratados na reunião, alguns deles a confissão de crimes como o suborno a um procurador e supostamente a dois juízes, Temer disse ter atribuído o teor da conversa ao fato de Joesley ser alguém acuado por investigações e contrariado por não obter acesso que tinha antes a altas autoridades do governo. “Logo de cara, vi que ele era um falastrão”, afirmou.
Ele afirmou ter achado “estranho” o teor da conversa, mas que não levou a sério as afirmações. “Mas você veja que comecei a ser cada vez mais monossilábico, quando a conversa dele começou a enveredar para o pedido de que precisaria ter acesso a esse ou aquele setor do governo.”
Temer afirmou que a divulgação do áudio da conversa demonstra que ele não deu aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, conforme se divulgou inicialmente. “Veja que ele diz que está mantendo uma boa relação com ele, e incentivo que deveria manter, apenas isso.”
Sobre o eventual interesse em evitar uma delação de Cunha, Temer evoca o fato de o ex-aliado tê-lo arrolado como testemunha: “Que silêncio do Cunha eu poderia comprar? Se ele me mandou 21 perguntas num processo e 17 em outro, todas claramente tentativas de me incriminar, e o próprio juiz Sergio Moro tratou de indeferir?”.
A respeito da sugestão para que Joesley procurasse o ex-assessor especial da Presidência e deputado afastado Rodrigo Rocha Loures, Temer disse que apenas confirmou uma sugestão do empresário. “Falei que poderia falar com o Rodrigo sobre assuntos do grupo, como poderia falar o Moreira, ou o Padilha”, justificou.
Temer disse acreditar que Rocha Loures “deve ter sido seduzido” pela promessa de receber R$ 500 mil ao longo de 20 anos. Questionado pelo Estadão se tomou conhecimento, em algum momento, da negociação de recursos por Rocha Loures, ou se autorizou a transação, o presidente negou.
Afirmou que o suborno ao deputado foi negociado pela obtenção de um acordo no Cade que foi negado. “O Cade resolveu? Não resolveu! Ele estava desesperado porque a Maria Silvia saneou o BNDES, ele teve de mudar a operação da empresa para outro país porque fechamos a torneira do BNDES”, afirmou o presidente.
Temer atacou os governos do PT e criticou os termos da delação oferecida ao grupo JBS. “Fui vítima de bandidos que saquearam o País nos governos passados e não obtiveram acesso ao nosso. E negociaram um acordo pelo qual querem sair impunes!”, afirmou o presidente, para em seguida dizer que tentará todos os recursos jurídicos para tentar anular o inquérito aberto contra ele no STF, que, segundo sua avaliação, se baseou em provas armadas.
Ele afirmou que não renunciará e que tentará recompor a base de sustentação do governo para aprovar as reformas. “Querem me tirar para continuar com as mesmas reformas que eu propus, com o meu programa. A quem interessa desestabilizar o governo?”, questionou o presidente.
Temer disse “estranhar” que a crise tenha sido “criada” justamente quando a economia começava a dar sinais de reação. E repetiu os dados que dissera no pronunciamento, de que a JBS lucrou com o câmbio e a venda de ações nos dias que antecederam a Operação Patmos.
Temer reduz verba da PF e gera suspeita de interferência na Lava Jato
Quando foi deflagrada a operação Lava Jato, em 2014, a equipe da Polícia Federal que atuava em Curitiba contava com nove delegados federais, que faziam parte de um efetivo de quase 60 policiais. Hoje, apenas quatro delegados seguem atuando nos casos, responsáveis por cerca de 180 inquéritos em andamento.
A redução não ocorreu somente no quadro da força-tarefa no Paraná, Brasília e Rio de Janeiro também sentiram. O motivo foi a redução de verbas da PF, em consequência do corte geral dos gastos da União.
De acordo com informações do blog de Fausto Macedo, no Estadão, a previsão do Orçamento da União de 2017 para o Ministério da Justiça é de R$ 13 bilhões, sendo R$ 6 bilhões para a Polícia Federal – R$ 4,7 bilhões destinados ao pessoal e R$ 1 bilhão ao custeio. O corte de 44% é o mais expressivo, desde que a força-tarefa teve início.
A situação é motivo de preocupação para os membros da Lava Jato, que temem o enfraquecimento das ações. “Será o fim da Lava Jato”, afirmou um dos membros da força-tarefa, em Curitiba, pedindo anonimato.
Um reflexo dessa redução já pode ser sentido no que se refere às operações ostensivas. Com 40 fases de buscas e prisões desencadeadas nesses três anos de escândalo, as últimas operações foram realizadas por iniciativa do Ministério Público Federal.
“O investimento já é quase zero. O custeio é para movimentar a máquina. Vai paralisar as atividades. Em um orçamento que já é pequeno, cortar 44%, vai parar”, afirma o presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Carlos Eduardo Sobral.
“O contingenciamento é sempre uma espada no nosso pescoço, que o governo pode usar a qualquer tempo, e com isso, paralisar as nossas atividades, em razão da nossa falta de autonomia orçamentária financeira”, completa.
A notícia de cortes tem deixado os procuradores da Lava Jato em alerta. Muitos consideram que as medidas caracterizam interferência direta do governo Temer para tentar frear as investigações.
“No ano passado foi a vez do PT manifestar que tinha interesses de fazer pressão para interferir na Polícia Federal. Nós temos agora o presidente do PSDB, ou seja a cúpula do mundo político partidário, manifestando que tem interesse em nomear ministro da Justiça para interferir na Polícia Federal. Para mim, está mais claro e cristalino que há uma ameaça real de interferência”, avaliou Sobral, da ADPF. “Nós vamos lutando, mas a vontade de interferir está latente, não é isolada e vem do alto escalão da política”, afirmou.
Joesley e doleiro ligado a Cunha mantinham relação de amizade
Desde que foi preso, em julho, o doleiro Lúcio Funaro resistiu a optar por uma delação premiada porque teria de entregar os negócios de Joesley Batista, dono do grupo J&F. Acabou perdendo a vez e foi entregue pelo próprio empresário, que se tornou delator nesta semana.
Para a Lava Jato, Joesley confessou que pagava uma mesada de R$ 400 mil ao operador mesmo após a sua prisão -Funaro é ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e foi preso sob suspeita de corrupção.
Joesley completou que, via o corretor, pagou propina para parlamentares do PMDB na Câmara liderados por Eduardo Cunha e também ao próprio deputado cassado.
Joesley e Funaro sempre disseram que mantinham relações estritamente comerciais. O empresário afirmou ter conhecido operador quando este foi contratado para intermediar uma disputa da J&F com a família Bertin, dona de um frigorífico concorrente. Depois, Funaro atuou na compra da empresa Big Frango -transações que estão sob investigação.
DONOS DAS CASAS
O que Joesley ainda não contou em sua delação é que mantinha uma relação de amizade com o doleiro.
Há cerca de quatro anos, o dono do grupo J&F comprou a mansão do casal global Luciano Huck e Angélica em uma das ilhas de Angra dos Reis, no Rio.Em poucos meses, o local tornou-se ponto de encontro de parentes, amigos e executivos. Funaro se valia da amizade e desses momentos de intimidade para conseguir novos negócios.
Um desses empresários disse ter sido abordado dentro da piscina, em um churrasco ocorrido em 2014. Funaro teria oferecido facilidades junto à Caixa Econômica.
Naquele momento, o operador já era conhecido por ter sido dono de uma empresa usada para lavar dinheiro no mensalão. Ele se livrou da pena devido a um acordo de delação premiada.
Em 2015, foi um dos convidados para a festa de Réveillon de Joesley, que chamou um pequeno grupo de amigos e integrantes da alta cúpula do PT na época.A proximidade também fez Joesley “vender” sua casa no Jardim Europa, em São Paulo, para o amigo.
De acordo com delação premiada de Fábio Cleto, ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica, e Alexandre Margotto, ex-sócio de Funaro, a casa na verdade foi adquirida com dinheiro de propina paga por Joesley.
Nas estimativas de Margotto, o imóvel valia cerca de R$ 20 milhões à época.Em mensagem enviada por sua assessoria, Joesley negou as afirmações de Margotto e afirmou que a casa foi efetivamente vendida à mulher de Funaro por cerca de R$ 9 milhões, em três prestações.
Segundo a afirmação, foram realizados dois pagamentos: de R$ 3,26 milhões, em setembro de 2015, e de R$ 2,86 milhões, em outubro de 2015. A última parcela, de R$ 2,8 milhões, com vencimento em novembro de 2015, encontra-se pendente -por isso, o imóvel está alienado à J&F, ainda de acordo com o empresário. Com informações da Folhapress.
Roma vence jogaço contra Chievo e seca Juve para seguir sonhando
A Roma venceu, de virada, um jogaço de oito gols contra o Chievo, em Verona, para manter vivo o sonho do título do Campeonato Italiano.
O time da casa via o rival ser superior no início da partida, mas conseguiu chegar ao gol que inaugurou o marcador. Castro pegou sobra de bola na área para marcar.
Os Giallorossi tiveram um pouco de dificuldade, mas conseguiram, aos 28 minutos, o gol de empate, com El Shaarawy. Ainda no primeiro tempo, o duelo teve mais emoções. Inglese, de cabeça, recolocou o time de Verona na dianteira, mas Salah voltou a empatar.
Na segunda metade, mais gols saíram em um duelo bem movimentado. Os autores dos gols romanistas no primeiro tempo, El Shaarawy e Salah, voltaram a marcar para dar boa vantagem para a equipe da capital.
O Chievo ainda tentou uma reação, com Inglese, mas o artilheiro Dzeko confirmou a vitória da Roma. Agora, resta ao time de Luciano Spalletti secar a Juventus contra o Crotone, em Turim, para ir para a última rodada ainda sonhando. A diferença entre as equipes atualmente é de um ponto.
PSDB faz reunião de urgência hoje para discutir se sai do governo
O PSDB, principal partido aliado de Michel Temer, convocou uma reunião de emergência da cúpula do partido para este domingo (21), em Brasília, para discutir se mantém seu apoio ao governo.
Diante do agravamento da crise provocada pelas acusações feitas contra o presidente por executivos da JBS, o partido decidiu antecipar as discussões sobre a continuidade de sua aliança com o peemedebista.
Parte dos dirigentes da sigla defendem, nos bastidores, uma articulação rápida para que Temer deixe o poder, com a construção conjunta entre partidos aliados de uma candidatura para a eleição indireta que seria convocada nesse caso.
O PSDB ocupa quatro ministérios no governo (Cidades, Relações Exteriores, Secretaria de Governo e Direitos Humanos), e dá sustentação a Temer no Congresso com 47 deputados e dez senadores. Trata-se do maior aliado do PMDB na coalizão governista.
Alguns deputados já manifestaram abertamente o desejo de deixar o governo imediatamente. No Senado, há cautela: o cenário traçado é o de convencer Temer a renunciar ou pressionar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para que casse o mandato de Temer.
Na quinta-feira (18), o ministro Bruno Araújo (Cidades) chegou a comunicar à cúpula do partido que entregaria o cargo, mas foi demovido. Temer recebeu, então, os tucanos que integram seu governo e pediu que eles mantivessem seu apoio em nome da estabilidade econômica e política.
As revelações de detalhes das delações do empresário Joesley Batista, entretanto, ampliaram a instabilidade do governo e reacenderam no PSDB as conversas em torno de um cenário de sucessão imediata de Temer.
Os principais caciques do partido têm consultado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o assunto. Na quinta-feira, ele chegou a publicar nota em que defendia a renúncia de Temer.
Naquele mesmo dia, o peemedebista e o tucano conversaram por telefone. FHC revelou preocupação com o cenário político, segundo relatos de dois aliados, mas admitiu que a sugestão de renúncia fora precipitada.
DESEMBARQUE
Partidos da base de Temer já começaram a dar sinais de desembarque do governo.
No sábado (20), a cúpula do PSB decidiu pedir a renúncia do presidente para “acelerar a solução da crise de governabilidade já instalada”. O partido já assinou também um pedido de impeachment do peemedebista.
A sigla, na prática, integra a base aliada por ter um de seus quadros no comando do Ministério de Minas e Energia, o deputado Fernando Filho.
O PPS decidiu manter o apoio a Temer, mas o ministro Roberto Freire pediu demissão da pasta da Cultura. Na quinta-feira (18), o PTN havia anunciado o rompimento com o governo. Com informações da Folhapress.





