Arquivos mensais: janeiro 2015

Cientistas descobrem três novos planetas fora do Sistema Solar

PLANETAS

Três novos planetas situados fora do Sistema Solar foram descobertos por cientistas norte-americanos, a partir de dados obtidos pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa. Um deles está na chamada “zona habitável” de sua estrela, isto é, uma distância que permitiria a existência de água líquida em suas superfícies – condição indispensável para a potencial existência de vida, de acordo com os astrônomos.

Na primeira semana de janeiro, outro grupo dos Estados Unidos anunciou a descoberta de outros oito planetas na zona habitável de suas estrelas, com distâncias da Terra variando entre 475 e 1100 anos-luz. Além deles, os dados do Kepler já levaram à descoberta de mais de mil planetas.

A nova descoberta, no entanto, é considerada a mais promissora até agora na busca de planetas semelhantes à Terra. Os três novos planetas estão na órbita da estrela EPIC 201367065, que fica a cerca de 150 anos-luz da Terra.

De acordo com os autores do estudo, essa distância – considerada pequena em escala astronômica – permitirá pela primeira vez o estudo de um planeta da zona habitável com os instrumentos e tecnologias atuais.

As dimensões dos novos planetas são 110%, 70% e 50% maiores que as da Terra. O menor deles, o que tem a órbita mais distante de sua estrela, recebe níveis de radiação luminosa semelhante à que a Terra recebe do Sol, de acordo com Erik Petigura, um estudante de pós-graduação da Universidade da Califórnia em Berkeley.

O próximo passo será estudar as atmosferas do novo planeta com o telescópio Hubble e outros observatórios, para descobrir quais elementos existem em sua atmosfera.

Vitória encara Palmeiras nas quartas-de-final da Copa São Paulo de Futebol Júnior

VITÓRIA

O time Sub-20 do Vitória encara o Palmeiras nesta terça-feira (20), às 15h (horário da Bahia), no Estádio Major Levy Sobrinho, em Limeira (SP), pelas quartas de final da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Para o duelo, o técnico Wesley Carvalho não poderá contar com o lateral-direito Alef, suspenso após receber o segundo cartão amarelo. Com isso, Iago será o titular.

O atacante Rafaelson, um dos destaques da equipe, espera um jogo complicado, mas demonstra otimismo. “A equipe do Palmeiras é qualificada, mas nosso time está entrosado, está bem. Vai ser um jogo muito difícil. Temos que ir para cima. O Vitória é isso, não pode abaixar a cabeça para ninguém”, declarou.

A tendência é que o Vitória entre em campo com a seguinte formação: Wallace; Iago, Léo Xavier, Ramon e Matheus Pranke; Borges, Flávio e Nickson; Douglas Matheus, Rafaelson e Gabriel Pereira.

Os outros confrontos marcados são: Grêmio x Botafogo-SP, Atlético-MG x São Paulo e Corinthians x São Caetano.

Pela primeira vez, Câmara de Deputados boliviana elege deputada como presidente

BOLÍVIA A deputada boliviana Gabriela Montaño tomou posse nesta segunda-feira (19) como presidente da Câmara de Deputados da Assembleia Legislativa Plurinacional (ALP) de seu país. 

A eleição, feita ontem, na primeira sessão preparatória da nova ALP, foi vencida por maioria absoluta por Gabriela, do mesmo partido do presidente Evo Morales, o Movimento ao Socialismo (MAS). Além de ocupar a presidência da Câmara, o número de mulheres na ALP é o mais alto da história da Bolívia.

Nas eleições de outubro de 2014, elas conquistaram 48% dos assentos do Parlamento, com 15 das 36 vagas do Senado e 65 das 130 vagas da Câmara, de acordo com os dados oficiais. O maior percentual alcançado antes das últimas eleições era 23% na legislatura 2009-2014. 

Na legislatura 2015-2020, que se inicia agora, a proporção na Câmara mais do que dobrou, atingindo 50%, com 65 dos 130 assentos. Após acordo entre o partido governista e os de oposição, Gabriela recebeu 126 votos, de um total de 130 deputados. Ainda foram registrados dois votos em branco e um nulo. 

Na posse, ela agradeceu à sua bancada e ao presidente Evo Morales pela confiança em sua candidatura e ao povo boliviano pelo respaldo expressado nas urnas. A deputada disse ainda que, entre os principais objetivos para a agenda legislativa, estão a conclusão da reestruturação do Órgão Judicial e o impulsionamento de normas à produção de alimentos.

 

Espécies ameaçadas em 2015

MACACO

Há milhões de anos existiram meteoritos gigantes, erupções massivas, selvagens esfriamentos da temperatura global, até mesmo supernovas próximas. Esses e outros fatores formidáveis provocaram as cinco extinções em massa ocorridas até agora no planeta Terra, momentos nos quais mais de 75% das espécies desapareceram para sempre.

Agora, os humanos golpeiam a biodiversidade como asteroides do período cretáceo, e damos passagem para a sexta grande extinção. O ano de 2015 deve ser uma batalha decisiva para retardá-la: até agora, acabamos com 322 espécies de vertebrados nos últimos cinco séculos, mas o ritmo mortal se acelera.

Entre os animais, algumas baixas parecem quase certas. Por exemplo, o boto-do-pacifico pode ter os dias contados. É o menor cetáceo e o mais ameaçado de extinção. Descoberto em 1958, seu único habitat é o Golfo do México, no qual um grupo de menos de 100 exemplares sobrevive. É uma população limite para garantir a viabilidade da espécie e sua situação se agrava a cada ano por culpa da pesca de arrasto na região, que provocou o desaparecimento de metade dos exemplares que viviam no local há três anos.

Boto

Sua situação lembra a vivida com seu primo chinês, o golfinho baiji, que era endêmico do rio Yangtzé e tudo indica que tenha sido extinto nos últimos anos. A pesca industrial, a construção de represas e a degradação de seu entorno pela exploração do rio levaram esses golfinhos a desaparecer. Agora, o boto-do-índico, que também habita o Yangtzé, é o cetáceo mais ameaçado (por volta de 1.500 exemplares vivos), depois do boto-do-pacífico.

Esses casos são bons exemplos do que está acontecendo nos entornos marítimos e fluviais, superexplorados e contaminados: o lixo lançado aos mares está matando muitos animais. Todas as tartarugas marinhas, 58% das espécies de focas e 21% das aves marinhas são seriamente afetadas por ficarem presas em redes e  plásticos abandonados nos oceanos.

Uma em cada quatro espécies de mamíferos marinhos e mais de um terço das aves que vivem no mar estão sendo envenenadas com dejetos. Recentemente, os governos de todo o planeta comprometeram-se a mudar essa tendência protegendo, por exemplo, um bom número de tubarões ameaçados.

Em terra firme a situação também está ruim. Por exemplo, são várias as espécies de rinoceronte que estão perigosamente perto da extinção. Das cinco existentes na atualidade, três estão em situação crítica: o de Sumatra (com menos de 250 exemplares vivos) e o de Java (por volta de 35 exemplares) na Ásia e o rinoceronte negro na África. As populações desse último são dizimadas a cada ano por culpa da caça ilegal.

Na África, a caça afeta também a espécie de rinoceronte branco: a subespécie do norte conta somente com cinco exemplares vivos e só um deles é macho. Lá existem duas subespécies de gorila, o ocidental do rio Cross e o das montanhas, que estão em situação crítica com apenas poucas centenas de exemplares vivos. Outro grande símio muito ameaçado é o orangotango de Sumatra, entorno no qual também estão a ponto de extinguir-se suas espécies endêmicas de tigre, elefante e rinoceronte. Nessa região, junto com a América Central e os Andes Tropicais, estão ocorrendo mais da metade da perda da biodiversidade de todo o planeta.

A caça é somente um dos problemas que dizimam espécies em todo o planeta: a exploração, a contaminação, a mudança climática e a perda de habitats por desmatamento ou agricultura estão somando-se a essa ameaça múltipla que pode se transformar em extinções em massa nos próximos séculos. Até onde a ciência sabe, existem mais de 4.500 espécies de mamíferos, aves e anfíbios ameaçadas de extinção, sendo esse último grupo o que mais tem a perder, com quase 2.000 espécies em perigo. Na situação mais grave, em perigo crítico de extinção, encontram-se 950 espécies de vertebrados, de acordo com publicação recente da revista Nature, com dados da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Muitos desses animais são completamente desconhecidos, além dos que decoram cartazes e paredes de escritório, como o panda e o tigre. Certamente, muitas espécies desaparecem sem que tornem-se conhecidas e outras são registradas quando já restam poucos exemplares vivos. O caso exemplar seria o do saola, quase um animal mitológico, que foi catalogado pela primeira vez em 1992. Desde estão, apenas poucos avistamentos dão mostra que trata-se de um animal que continua vivo na natureza, concretamente nas selvas do Vietnã. Não se sabe com certeza o número de exemplares que resistem à extinção desse pequeno e peculiar bovino, talvez uma centena. Nenhum dos saolas capturados conseguiu viver em cativeiro, boa amostra de sua fragilidade.

RinoceronteA preguiça pigmeu também é muito vulnerável, essa que é a menor espécie de preguiça de três dedos, exemplar vivo de nanismo insular. É notavelmente menor que seus parentes próximos e habita unicamente uma ilha de três quilômetros quadrados do Caribe panamenho, Escudo de Veraguas. Sua principal ameaça é o desmatamento de manguezais para lenha, que reduz o seu já pequeno mundo.

As ilhas são os ecossistemas mais castigados por essa extinção em massa que estaria acontecendo: 90% das aves desaparecidas por culpa da influência humana habitavam ilhas. Nesse ponto, é muito significativo a situação crítica de um dos animais que inspiraram Charles Darwin quando estava a bordo do Beagle a ligar os pontos que o levariam a desenvolver suas famosas teorias. Concretamente, do tordo da Floreana – uma das aves que deram a Darwin os pontos-chave da seleção natural nas ilhas Galápagos – restam somente 50 adultos.

De todas as espécies que viveram nos últimos 3,5 bilhões de anos na Terra, 95% desapareceram. Pode ser que a extinção seja o destino natural de todas. Ou que o natural seja tentar evitá-lo.

Fonte: EL País.

Sartre pediu em carta que não lhe dessem o Nobel que ganhou em 1964

SARTRE

Jean-Paul Sartre enviou em 14 de outubro de 1964 uma carta à academia sueca que outorga o prêmio Nobel pedindo-lhe que não o incluísse entre os possíveis ganhadores, naquele ano nem nos seguintes.

O filósofo francês também avisava que, caso o premiassem, rejeitaria o reconhecimento. Mas sua missiva chegou com um mês de atraso. Em setembro a Academia já havia decidido quem seria o Nobel de Literatura de 1964: claro, o próprio Jean-Paul Sartre.

A carta foi publicada pelo jornal sueco Svenska Dagbladet e noticiada depois por jornais de metade do mundo. A origem é a abertura dos arquivos da Academia, depois de meio século: no final de 2014 foi possível o acesso aos documentos correspondentes a 1964.

Segundo o jornal britânico The Guardian, já se especulava havia anos que Sartre tinha remetido uma carta, e que ela tinha chegado quando já era tarde. Agora se sabe que foi isso mesmo, e que a academia respondeu ao filósofo que a decisão já tinha sido tomada. Tanto que o comitê da instituição se reuniu em 22 de outubro e ratificou a vitória de Sartre. Fiel a sua carta, o filósofo recusou o prêmio.

De nada adiantou que a academia ressaltasse os méritos do autor: “Sua obra, rica em ideias e repleta do espírito da liberdade e da busca pela verdade, teve influência de alcance muito grande sobre nossa era”. Pesou muito mais o desejo de Sartre de não se converter “em uma instituição” e de respeitar sua crença de que qualquer prêmio exporia seus leitores a uma “pressão nada desejável”.

Embora os sim e os talvez não entrem para a história, o jornal Svenska Dagbladet especula que a carta teria mudado as coisas se tivesse chegado a tempo. O jornal sueco informa que vários membros do comitê não estavam particularmente convencidos a entregar o prêmio a Sartre e que provavelmente a missiva teria dado mais força a seus argumentos.

Fonte: EL País.