SAÚDE DO BRASIL: Diário de uma internação em um hospital de São Paulo.
EL País acompanha por cinco dias a rotina de uma idosa dentro de uma unidade do Governo paulista e constata pacientes colocados no corredor à espera de uma vaga, enquanto internados aguardam por médicos que só trabalham meio período.
A odisseia continua. Acompanhe.
Parte II – A ESPERA
A paciente que acompanho chegara ao pronto-socorro às 11h daquela quinta-feira e, após uma série de exames, recebeu dos médicos a notícia de que seria internada. Mas não havia vagas. Todos os leitos da ala de cardiologia estavam ocupados.
– Você vai ter que esperar no corredor até surgir uma vaga, informa a enfermeira à paciente, em um tom burocrático de quem parece acostumada com a rotina.
– E quanto tempo pode demorar isso? Ela pode ter que dormir no corredor?, Pergunto.
Em São Paulo, o atual governador, Geraldo Alckmin (PSDB), médico e responsável pela administração do Iamspe, disputará a reeleição com o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), que apadrinhou o Programa Mais Médicos.
Recebo de volta um “sim”, agora um pouco constrangido.
A paciente recebe um pijama e um avental e é colocada numa maca, que é coberta com um fino colchão e um lençol limpo. A maca, então, passa por uma porta e entra em um corredor lotado, com ao menos dez outras macas, que ocupam os lados direito e esquerdo da passagem.
É deixada nos fundos, próxima à enfermaria D, onde uma dezena de pessoas, entre pacientes e seus acompanhantes, aguardam. Na frente, há duas salas com pacientes isolados devido a alguma doença contagiosa e, ao fundo, está a enfermaria psiquiátrica, onde estão quatro homens e quatro mulheres, divididos por sexo em duas salas separadas.
Um deles é o senhor do bigode, ainda vestido com as roupas de “fora”, que minutos depois irrompe em uma gritaria em busca de um médico. Os gritos trazem três seguranças, que o levam de volta à cama, sem violência. Ele é medicado e parece dormir.




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