A FARRA COM O DINHEIRO PÚBLICO NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA
Leis feitas com objetivo de burlar a vedação constitucional de remuneração acima do teto estadual e com destinatários pré-escolhidos colocam o Tribunal de Justiça da Bahia no ranking dos órgãos mais caros do Estado, levando a presidência atrasar o salário de dezembro de 2015, por alegada falta de caixa.
Em levantamento feito junto ao site do Tribunal de Justiça, constatou-se que 44 funcionários, entre desembargadores, juízes, oficiais de justiça, escrivães e técnicos de níveis médio e superior, possuem remuneração líquida acima do teto constitucional de R$ 30.471,10, valor percebido por desembargadores e que deveria ser o valor máximo de toda e qualquer remuneração na Bahia.
No ranking, a maior remuneração líquida paga em outubro de 2015 foi para o cargo de técnico de nível superior, ocupado por Maria Tereza Carvalho Valverde: R$73.939,65. O segundo maior salário foi pago a Leonardo Santos Vilela, que ocupa a função de subtabelião na Assessoria Jurídica da Corregedoria do Judiciário, em Salvador: R$69.525,41.
Confira outros servidores que recebem acima do teto constitucional no Tribunal de Justiça da Bahia e seus respectivos cargos, cidades e salários líquidos:
Ângela Antônia Matos Rebouças Souza – subescrivão – Salvador, R$55.829,56;
Celeste Regina da Silva Clark – diretor de Secretaria de Vara – Camaçari, R$49.349,87;
Maria de Fátima Pinto Andrade – técnico jurídico – Salvador, R$48.598,17;
José Olegário Monção Caldas – desembargador – Salvador, R$41.338,84;
Lidivaldo Reaiche Raimundo Britto – desembargador – Salvador, R$40.784,80;
Antônio Alberto Bahia Espinheira – assessor de juiz – Salvador, R$40.541,23;
Antônio Serravalle Reis – juiz de direito – Salvador, R$38.733,67;
Fabrício Cardoso Rebelo – atendente judiciário – Salvador, R$38.733,53;
Manoel Marques de Jesus Filho – diretor de Secretaria de Vara – Juazeiro, R$37.999,21;
Janete Souza Dos Santos – diretor de Secretaria de Vara – Lauro de Freitas, R$37.883,51;
Mario Alberto Simões Hirs – desembargador – Salvador, R$37.615,42;
Mauricio de Oliveira e Silva – auditor – Salvador, R$36.365,82;
Sílvia Lúcia Bonifácio Andrade Carvalho – juiz de direito – Salvador, R$36.160,52;
Maria Auxiliadora de Oliveira Farias – secretário adjunto de câmara – Salvador, R$36.124,78;
Maria de Fátima Cavalcante da Silva – supervisor administrativo – Salvador, R$35.709,15;
Rita Luciana Soares Costa Araújo – assessor de desembargador – Barreiras, R$35.633,44;
Rafael Borges Gonzalez – assessor técnico-administrativo – Salvador, R$35.186,09;
Maria de Lourdes Pinho Medauar – desembargadora – Salvador, R$34.794,86;
Lídice Marbly Miranda de Araújo – assessor de desembargador – Salvador, R$34.744,80;
Paulo Cesar Almeida Ribeiro – juiz de direito – Salvador, R$34.287,52;
Neide Pereira Silva – escrivão – Feira de Santana, R$34.238,49;
Luciana Brandão Amorim Ramos – assessor de desembargador – Salvador, R$34.141,85;
Elka Eugenia Gonçalves Oliveira Dantas – assessor de juiz – Salvador, R$34.005,74;
Ana Rita Boa Morte Monteiro – escrevente de cartório – Salvador, R$33.998,82;
Marielza Brandão Franco – juiz de direito – Salvador, R$33.503,49;
Iane Oliveira Cardim – assistente de gabinete – Salvador, R$33.219,04;
Paulo Cesar Bandeira De Melo Jorge – juiz de direito – Salvador, R$33.162,14;
Maria Do Carmo Seixas Dourado – subescrivão – Salvador, R$33.075,05;
Ubirajara Souza Santos – diretor de Secretaria de Vara – Dias D’Ávila, R$32.810,24;
Raimunda Neves Costa – oficial de justiça avaliador – Coribe, R$32.725,40;
Raquel Maria dos Santos Soares – escrivão – Camaçari, R$32.692,29;
Rivaldo da Rocha e Silva – oficial de justiça – Barra da Estiva, R$32.469,00;
Ícaro Almeida Matos – juiz de direito – Salvador, R$32.427,11;
Matheus Oliveira de Souza – assessor de desembargador – Salvador, R$31.841,00;
Lucidalva Almeida N. Silva Santos – administrador do fórum – Serrinha, R$31.761,05;
Eserval Rocha – desembargador – Salvador, R$31.644,55;
Emílio Salomão Pinto Reseda – juiz de direito – Salvador, R$31.644,55;
Maria da Purificação da Silva – desembargadora – Salvador, R$31.644,55;
Vera Lúcia Freire de Carvalho – desembargadora – Salvador, R$31.592,41;
Rita de Cássia Barbosa Ferreira da Silva – técnico de nível médio – Salvador, R$31.408,86;
Moacyr Montenegro Souto – desembargador – Salvador, R$30.904,47;
Ana Kátia Santos de Carvalho – subescrivão – Salvador, R$30.861,85.
Fonte: site do TJBA.
A alegação que os beneficiados dessa farra com o dinheiro do contribuinte fazem é que, como se trata de ganhos provenientes de leis “devidamente” aprovadas pela Assembleia Legislativa do estado, a percepção desta ilegalidade estaria legitimada.
Entretanto, não custa reafirmar, que qualquer cidadão sabe que a Administração Pública possui poder suficiente para rever, ao qualquer tempo, os atos ilegais por seus agentes praticados. E que os atos ilegais, mesmos os sorrateiramente ocultos sob o manto da legalidade, não geram direito adquirido e nem faz coisa julgada. Podendo, ainda, se for o caso – e sem dúvida este é – exigir ressarcimento dos prejuízos causados por aqueles que agiram com má-fé explicita ao propor leis nocivas ao erário, valendo-se da posição de comando que possuía, à época, no Tribunal de Justiça.
Esta seria uma boa hora para que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revigorasse sua pauta e buscasse meios de obrigar estes detratores a restituírem o que ilegalmente surrupiaram dos cofres públicos.
Por: Adão Lima de Souza, Técnico Judiciário do TJBA.





Isso é uma vergonha!!!!
Quando o Judiciário apodrece, é tempo de todos os urubus.
Nossa!!! Isso é uma vergonha!!ah sei lá ‘ não tenho palavras.
É por conta desses desmandos e outros que o Judiciário alega não ter dinheiro. Se as leis não fossem feitas somente para proteger alguns mas a todos, isso não aconteceria. Precisamos da honestidade e compromisso de nossos legisladores, para que essas leis deixem de existir e a constituição seja cumprida.
Por este e outros vários motivos eu não acredito em nosso Judiciário.