Arquivos da Seção: Cotidiano

O bunker de Temer ficou mais enlameado

TemerO Palácio do Planalto de Michel Temer ficou parecido com o da fase terminal de Dilma Rousseff. Em março de 2016, cercada por assessores que pretendiam blindá-la, a senhora decidiu trocar o ministro da Justiça. Desastre, pois o escolhido, Wellington Cesar de Lima e Silva, não conseguiu assumir. Temer resolveu deslocar o ministro Osmar Serraglio para outra cadeira e, assim, o queridinho Rocha Loures continuaria na Câmara dos Deputados, protegido pelo foro privilegiado. Novo desastre, Serraglio não topou o novo ministério, reassumiu sua cadeira e Rocha Loures, tosado, está na penitenciária da Papuda. Dias antes, o Planalto surtara diante de uma baderna mal explicada que se aproveitou de uma manifestação ordeira, convocada com enorme antecedência. Até hoje não foi possível identificar o cacique tabajara que teve a ideia de botar a tropa na rua.

O caótico bunker de Temer superou-se na trapalhada do jatinho que enfeitou suas férias em Comandatuba. Primeiro o Planalto mentiu negando que o doutor e sua família tenham voado no jatinho de Joesley Batista. No dia seguinte, desmentiu-se, reconheceu o mimo, mas contou que o doutor não sabia de quem era o avião. Outra patranha. Temer não entra em avião sem saber quem é o dono.

Os três desastres diferem entre si, mas têm dois pontos em comum: a arrogância de quem acha que faz o que quer e a leviandade de quem cria uma realidade paralela para se livrar do peso do erro cometido. Nenhuma das três crises teria ocorrido se alguém tivesse conversado direito com Serraglio, se a Esplanada dos Ministérios tivesse sido adequadamente protegida e se os áulicos tivessem reconhecido na primeira hora que Temer usou a Air JBS.

Por: Elio Gaspari – O Globo, reproduzido do blog do Magno Martins

Ausência de vereadores em audiência pública na Câmara expõe desinteresse e preocupa agricultores familiares de Petrolina

VEREADORES DE PETROLINAPETROLINA –A desatenção aos agricultores familiares foi expressa em números nesta sexta-feira (9), data da audiência pública na Câmara de Vereadores de Petrolina, no interior de Pernambuco, para debater o funcionamento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), considerado importante pela categoria. Pelo menos essa é a análise da presidente do Sintraf, Isália Damacena, ao comentar a ausência de parlamenteares e membros do Poder Executivo local durante a sessão.

Segundo expectativa da líder sindical ao solicitar a audiência, eram esperados, além dos 23 vereadores, representantes da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Agrário, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDESDH). Desses convidados, apenas seis vereadores efetivaram presença na Casa Plínio Amorim. Embora a metade deles tenha se ausentado até o final da sessão. A prefeitura não mandou representantes.

“[As ausências] nos deixam ainda mais preocupados porque estamos aqui debatendo políticas públicas importantes para a sobrevivência dos homens e mulheres do campo em Petrolina. Fico indignado com uma situação dessa. Não só pela ausência dos vereadores, mas também pela falta do Poder Público, que é o responsável por dar as respostas que nós queremos e de dizer aos agricultores familiares o motivo de essas políticas públicas não estarem funcionado”, criticou Isália.

O número mais expressivo de participantes na Câmara ficou a cargo dos próprios agricultores, que mesmo com o baixo quórum, expuseram suas preocupações. Foi o caso do produtor do Núcleo 6 do Projeto Senador Nilo Coelho, Jadiel Barros. Originário de família agrícola, ele é um dos 35 agricultores do N6 aptos a participar do Programa de Aquisição de Alimentos. Segundo Jadiel, em 2016, o PAA injetou na comunidade R$ 600 mil, mas agora, com a paralização do programa, a situação ficou difícil.

“Nossas crianças nas escolas poderiam ter acesso a uma alimentação melhor, a produtos de qualidade oriundos de nós produtores, mas infelizmente estão consumindo produtos industrializados ou, se não, comendo alimentos do mercado do produtor de outros estados”. O agricultor continua. “Se está chegando melancia, banana e outros produtos a elas, não está vindo de nós produtores”, completou.

O PAA foi relançado em fevereiro deste ano e, de acordo com os agricultores, até o momento não foi executado. “Já entramos no mês de junho, logo começa o segundo semestre e os nossos representados correm o risco de terem prejuízos”, critica a presidente do Sintraf.

 Participantes

Autor do requerimento da audiência pública, o vereador Gilmar Santos foi um dos três parlamentares que ficaram até o final da sessão. Presidindo o evento, Gilmar buscou abordar todos os pontos colocados como importantes pelos agricultores. O parlamentar também criticou o baixo quórum e afirmou que será criado um relatório para a apreciação geral dos vereadores e posterior envio das demandas aos órgãos responsáveis. “Vamos assumir início, meio e fim até que essas questões sejam resolvidas”, disse.

Além de Gilmar Santos, estiveram na Câmara, o deputado estadual Odacy Amorim e os vereadores Gaturiano Cigano, Manoel da Acosap, Domingos de Cristália, Cristina Costa e Ronaldo Silva. Tendo os dois últimos ficado até o final. Também participaram Cleiton Medeiros, representando o Conselho de Desenvolvimento Rural; Ozaneide Gomes, do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsea); Carlos Possídeo, do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA); e Cândido Roberto, representando as cooperativas rurais. Estes participaram de toda a discussão.

Decisão de Moraes pode ser usada contra Temer

MoraesA Procuradoria-Geral da República deve usar uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para manter a investigação contra o presidente Michel Temer nas mãos do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no tribunal.

Em 17 de abril deste ano, Moraes assinou um documento no qual reconheceu que é do ministro Fachin a competência para julgar casos relacionados ao FI-FGTS, um dos pontos citados pelos executivos da JBS em suas delações e que está atrelado ao inquérito que apura condutas de Temer.

Joesley Batista, dono da JBS, apresentou na delação informações sobre “a interação” com Lúcio Funaro, operador ligado a Cunha, e com a Caixa e o FI-FGTS. Ele cita propina paga pelo frigorífico em troca da liberação de verbas do fundo para o financiamento da empresa.

Entre as justificativas para a PGR direcionar a delação da JBS ao magistrado está a conexão com dois casos: a colaboração premiada do ex-vice-presidente da Caixa Fabio Cleto e o inquérito que apura se parlamentares do PMDB participaram do esquema de corrupção na Petrobras.

Cleto delatou esquema de corrupção no FI-FGTS, administrado pela Caixa, cujo operador, segundo a PGR, era Lúcio Funaro, preso em julho de 2016 por determinação do ministro Teori Zavascki, então relator da Lava Jato. Donos da JBS dizem ter comprado o silêncio de Cunha e Funaro para que não fizessem delação.

Após a morte do ministro do STF Teori Zavascki, os processos que estavam em seu gabinete foram designados para Moraes, com exceção daqueles relativos à Lava Jato, que ficaram com Fachin.

O material sobre o FI-FGTS foi encaminhado para Moraes em um primeiro momento, mas a Procuradoria pediu para enviá-lo a Fachin.

Em sua decisão sobre esse pedido, Moraes afirmou que o acordo de colaboração premiada dos executivos do grupo J&F foi celebrado “no contexto da Operação Lava Jato” e, por isso, o caso deveria ser encaminhado ao colega.

A competência de Fachin no caso é questionada pelas defesas de Temer, de seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, de Cunha e do governador Reinaldo Azambuja (MS).

Nesta terça (6), Fachin enviou o recurso do governador ao plenário do STF. Azambuja é acusado de receber propina em troca de benefícios fiscais no Estado.

Caberá à presidente, ministra Cármen Lúcia, marcar a data do julgamento.

Fonte: Folha de S. Paulo – Letícia Casado

TSE: Assim falou Benjamin!

TSE“Marcelo Odebretch não herdou só uma empresa, herdou uma cultura de propina. E sofisticou essa cultura de propina. […] Marcelo Odebrecht era o administrador de um grande grupo econômico e de um dos maiores e mais sofisticados esquemas de corrupção do mundo.” Herman Benjamin.

Ministros do TSE têm ‘cegueira intencional’, diz procurador da Lava Jato.

ProcuradorO procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da operação Lava Jato, criticou os ministros do Tribunal Superior Eleitoral que pretendem votar contrários à cassação do mandato de Michel Temer.

Em seu Facebook, Carlos Fernando criticou o que chamou de “cegueira intencional” dos ministros do TSE, que, a considerar o que vêm falando até agora, devem absolver a chapa.

“O verdadeiro cúmulo do cinismo é a cegueira intencional da maioria dos ministros do TSE em relação à corrupção exposta pelo acordo do MPF com a Odebrecht. Deve-se parar de fingir que nada aconteceu. Deve-se parar de desejar a retomada da economia, ou pior, a manutenção desse ou aquele partido no poder à custa da verdade”, diz Lima.

“Cinismo é fingir que tudo está superado apenas porque o PT saiu do governo. A corrupção é multipartidária e institucionalizada. Ela é a maneira pela qual se faz política no Brasil desde sempre. Ou acabamos com a corrupção, ou a corrupção acaba com o Brasil”, completou.

Eleições do Reino Unido têm recorde de mulheres eleitas

Reino UnidoUm número recorde de mulheres foram eleitas para ocupar assentos na Câmara dos Comuns nas eleições gerais do Reino Unido de ontem. Pelo menos 207 mulheres foram eleitas no pleito, que acabou mantendo a atual premiê, Theresa May, no cargo. O balanço ainda não está fechado, porque um distrito de Londres ainda não divulgou o resultado da sua votação, mas representa 32% do parlamento composto por mulheres.

Até a eleição desta semana, eram 196 mulheres que ocupavam assentos em Westminster – 191 eleitas em 2015 e outras cinco em eleições ou substituições subsequentes (as chamadas “by elections”).

O partido com representatividade mais expressiva é o Trabalhista, com 45% do quadro ocupado por mulheres – 118 entre 261 representantes. Já no partido da premiê, o Conservador, 67 parlamentares são mulheres, em um total de 317 cadeiras.

Constance Markievicz foi a primeira mulher a ser eleita para o Parlamento, em 1918, após uma resolução permitir que as mulheres ocupassem vagas na Câmara dos Comuns. No entanto, ela não assumiu o cargo, pois era do partido nacionalista irlandês Sinn Féin, que se negava a jurar fidelidade ao rei.

A primeira mulher a assumir uma cadeira no Parlamento do Reino Unido foi a conservadora Nancy Astor, em 1919, após ser eleita em uma “by election”.

Revés
Após se encontrar com a rainha Elizabeth II, May afirmou que vai formar um novo governo apesar do revés do Partido Conservador nas eleições legislativas. Em pronunciamento em frente a sua residência oficial, em Downing Street, ela anunciou ter conseguido o apoio do Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte para formar um governo de coalizão.

A votação, realizada na quinta-feira (8), que foi convocada por May, terminou com os conservadores à frente, porém com uma bancada menor. Os conservadores, liderados pela primeira-ministra britânica, tinham 330 assentos no Parlamento e conseguiram até agora 318. O Partido Unionista conseguiu 10 cadeiras e os trabalhistas, por sua vez, surpreenderam obtendo 261 assentos. Por volta de 10h (no Brasil) desta sexta, restava a definir apenas uma vaga.

Esse resultado obrigou os conservadores a formar uma coalizão para garantir a governabilidade. Com o novo aliado, May consegue o apoio 328 parlamentares, o que garantiria a sua governabilidade.

Após o fraco desempenho do Partido Conservador, May enfrentou pedidos para que renunciasse da parte do líder da oposição e sofreu a pressão de integrantes do seu partido, mas descartou a possibilidade de deixar o poder.

A premiê afirmou que pode confiar no parlamento e no apoio do Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte a quem chamou de “amigos”. “Nossos dois partidos têm cultivado uma forte relação durante muitos anos. Isso me dá a confiança para acreditar que conseguiremos trabalhar juntos nos interesses de todo o Reino Unido.”

FRASES DO JULGAMENTO NO TSE

“Eu recebi da diaconia da minha igreja em Fortaleza uma pergunta sobre isso, esse negócio da OAS [delação]. Respondi ao pastor, simplesmente assim: ‘Com a medida com que me medem serão medidos, e sobre ele desabe a ira do profeta’. É uma anátema islâmica. Não vou dizer o que é. Vou fazer um gesto do que é a ira do profeta [faz um gesto com a mão simulando um corte no pescoço]. É o que eu desejo, que sobre eles desabe a ira do profeta. Sou inocente de tudo isso, estou sendo injustamente, perniciosamente, sorrateiramente, desavergonhadamente prejudicado.” Napoleão Nunes

MPF vai investigar US$ 80 mi da JBS para Lula e Dilma

Lula e DilmaA Procuradoria da República do Distrito Federal instaurou inquérito para investigar o suposto repasse de US$ 80 milhões do Grupo J&F para os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do Partido dos Trabalhadores. A investigação é um desdobramento do acordo de colaboração premiada firmado pela Procuradoria-Geral da República e executivos do Grupo J&F, dono da JBS.

O Procedimento Investigatório Criminal (PIC) foi instaurado pelo procurador Ivan Marx porque o desmembramento promovido pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), baseou-se na conexão dos fatos narrados pelos delatores com a Operação Bullish. Deflagrada em 12 de maio, a operação mirou os aportes bilionários do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) nas empresas do Grupo J&F.

Na delação, Joesley Batista narrou que, em 2009, foi criada uma conta para receber os repasses relacionados a Lula e, no ano seguinte, outra foi aberta para envio de valores relacionados a Dilma. O empresário revelou que, em dezembro naquele ano, o BNDES adquiriu de debêntures da JBS, convertidas em ações, no valor de US$ 2 bilhões, ‘para apoio do plano de expansão’.

“O depoente escriturou em favor de Guido Mantega, por conta desse negócio, crédito de US$ 50 milhões e abriu conta no exterior, em nome de offshore que controlava, na qual depositou o valor”, relatou Joesley.

Segundo o empresário, em reunião com Mantega, no final de 2010, o petista pediu a ele ‘que abrisse uma nova conta, que se destinaria a Dilma. Nesse momento, disse o delator, foi perguntado a Mantega se Lula e Dilma sabiam do esquema. “ Guido confirmou que sim”, disse ele.

Em outro caso, Joesley declarou que foi feito um financiamento de R$ 2 bilhões, em maio de 2011, para a construção da planta de celulose da Eldorado. O delator disse que Mantega ‘interveio junto a Luciano Coutinho (então presidente do BNDES) para que o negócio saísse’.

O empresário declarou que depositou, ‘a pedido de Mantega’, por conta desse negócio, crédito de US$ 30 milhões em nova conta no exterior, “O depoente, nesse momento, já sabia que esse valor se destinava a Dilma; que os saldos das contas vinculadas a Lula e Dilma eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES e do esquema-gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef; que esses saldos somavam, em 2014, cerca de US$ 150 milhões.”

Em outra ocasião, em novembro de 2014, Joesley disse que ‘depois de receber solicitações insistentes para o pagamento de R$ 30 milhões para Fernando Pimentel, governador eleito de Minas Gerais, veiculadas por Edinho Silva (tesoureiro da campanha de Dilma em 2014), e de receber de Guido Mantega a informação de que “isso é com ela”, solicitou audiência com Dilma’.

“Dilma recebeu o depoente no Palácio do Planalto; que o depoente relatou, então, que o governador eleito de MG, Fernando Pimentel, estava solicitando, por intermédio de Edinho Silva, R$ 30 milhões, mas que, atendida essa solicitação, o saldo das duas contas se esgotaria; que Dilma confirmou a necessidade e pediu que o depoente procurasse Pimentel”, narrou aos investigadores.

Com a palavra, a defesa de Lula

A defesa só vai fazer comentário quando tiver acesso ao material, mas reitera que Lula é inocente.

Com a palavra, a defesa de Dilma

Sobre contas na Suíça

“É fantasiosa a versão de que a presidenta eleita Dilma Rousseff seria beneficiária de conta na Suíça, ainda mais sob a titularidade do senhor Joesley Batista, que movimentaria recursos a seu bel prazer. Ela nega que tenha recebido qualquer benefício pessoal do empresário, ainda mais financeiro. Essa versão não se sustenta e sua falsidade será atestada na Justiça. Dilma Rousseff jamais teve contas no exterior.”

Sobre Joesley Batista

1. Dilma Rousseff jamais tratou ou solicitou de qualquer empresário, nem de terceiros doações, pagamentos ou financiamentos ilegais para as campanhas eleitorais, tanto em 2010 quanto em 2014, fosse para si ou quaisquer outros candidatos.

2. Dilma Rousseff jamais teve contas no exterior. Nunca autorizou, em seu nome ou de terceiros, a abertura de empresas em paraísos fiscais. Reitera que jamais autorizou quaisquer outras pessoas a fazê-lo.

3. Mais uma vez, Dilma Rousseff rejeita delações sem provas ou indícios. A verdade vira à tona.

Movimentos de mulheres reprovam Campanha #AmorSemViolência

Mulher

Lideranças feministas e movimentos sociais que vivenciam e atuam diretamente no combate a violência contra à mulher em Petrolina e região pontuam falhas gritantes na campanha.

Veja a nota:

NOTA  PÚBLICA

Se tem violência, não é amor – carta de repúdio à campanha #AmorSemViolência

Feminismo e combate à violência de gênero não são expressões inventadas por modismo. Não é vitimismo! É um ato de sobrevivência das mulheres, para as mulheres, desde sempre, e não servem para atender caprichos políticos.

A campanha #AmorSemViolência, empreendida pelo Blog Carlos Britto se apresenta à sociedade petrolinense, sobretudo às mulheres, como uma aliada no combate à violência doméstica sofrida cotidianamente. Porém, esta comete erros absurdos, esdrúxulos e contraditórios que se configuram como um desserviço às ações de combate ao patriarcado, racismo e machismo que historicamente legitimam essa violência em nosso país.

A campanha nos faz constatar que foi forjada sem a participação dos movimentos sociais e das mulheres engajadas nesta luta. Nós, enquanto lideranças feministas, movimentos sociais e representantes da sociedade civil, que vivenciamos e atuamos diretamente no combate à violência contra mulher continuamente, pontuamos fatores controversos na campanha #AmorSemViolência, tais como:

  • A começar pelo título da campanha, “#AmorSemViolência”, completamente contraditório, pois não existe amor com violência; É simples: se há violência, NÃO É AMOR. Portanto, ao colocar esse título, a campanha romantiza relações abusivas, assim como há um tempo atrás, os feminicídios eram chamados de “crimes passionais”.
  • As mudanças sugeridas nas mensagens vinculadas pela campanha ficam a cargo apenas do fato de que as mulheres devem “ser fortes” e dizer “já deu”, pondo um fim na relação afetiva. Sendo perversa com as mulheres, a campanha reforça a cultura de “romantização da violência” e condena a vítima. Como diz Simone De Beauvoir: “Natureza feminina é um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na condição de oprimida”.
  • A campanha apresenta superficialmente a violência física, tendo em vista que não são abordados e/ou informado a existência de outros tipos de violência, como: violência moral, sexual, patrimonial e psicológica, sofrida pelas mulheres, que compõe as amarras que muitas vezes impedem que estas saiam da situação de violência. Essas mulheres não estão presas a essas violências porque querem, e colocar que dizer “já deu” é a solução para anos de opressão e violência de nossos corpos é, no mínimo, não conhecer o básico do debate de gênero;
  • Ignora-se o agressor, restando à própria vítima assumir a culpa pela agressão, só havendo estímulo à denúncia 180, desconsiderando outros mecanismos de apoio à vítima como Delegacia da Mulher, CRAM, CIAM, CREAS, Conselho da Mulher, entre outros. Bem como os recursos possíveis para auxiliá-la a sair da situação de violência, como medidas protetivas e sistema de abrigamento;
  • A invisibilidade da mulher negra mais uma vez é constatada. Embora as estatísticas apontem que 59,4% dos registros da central de atendimentos a violência – disque 180, são de mulheres negras, e que houve um aumento de 54,2% dos homicídios para as mulheres negras em comparação às brancas (ONU Mulher e SPM/2015), tais dados ou relevância destes são totalmente ignorados nesta campanha;
  • Não é apontado o feminicídio (assassinato de mulheres, por sua condição de mulher, esposa, companheira), e como sua recorrência – baseada na objetificação das mulheres, tratadas como posse dos agressores – tem causado vítimas cotidianamente, com dados extremamente preocupantes no Vale do São Francisco. A campanha, seguindo o caminho midiático, negligencia o uso do termo e a violência extrema em si, caminho contrário aos esforços de grupos organizados no enfrentamento à violência, e na conquista dessa caracterização de homicídio como crime hediondo.

Dados alarmantes são informados e o objetivo da campanha até parece se afinar a uma necessidade real, a busca por “chamar a atenção da sociedade e mobilizar as pessoas pelo fim da violência contra a mulher, além de estimular as denúncias”. No entanto, culpabiliza-se às mulheres por se encontrarem na situação de violência, e por não reagir.

Fato mais lamentável ainda é o de que toda essa perspectiva machista e racista que soberbamente – e sordidamente – se impõe como uma campanha que vem proteger as mulheres delas mesmas é realizada em parceria e com o aval da Prefeitura Municipal e a Secretaria da Mulher, órgãos públicos que deveriam ter um mínimo de conhecimento sobre a violência simbólica velada no discurso do crime passional e estar em afinidade com as políticas públicas voltadas para mulheres que condenam todas as falhas apresentadas pela campanha. É inadmissível que tais órgãos corroborem com tal campanha tendo em vista todas as falhas já apontadas. Enquanto vias de intervenção que devem pensar na melhor forma de amparar os civis de acordo com suas particularidades, os mesmos se mostram complemente alheios ao debate qualificado sobre as realidades das mulheres.

Exigimos um pronunciamento da Prefeitura de Petrolina e da Secretaria da Mulher, além de uma autocrítica por parte do Blog Carlos Britto, para se pensar uma nova campanha, realizada com a atenção e a importância que merece o debate da violência contra a mulher, contando com a participação de profissionais, órgãos da administração pública, acadêmicos, movimentos sociais e sociedade civil na perspectiva de uma real mudança da realidade local no tocante ao tema.

Rede de Mulheres Negras em Petrolina

Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro

Tatiana Carvalho – Psicóloga/militante feminista

Camila Roseno – Profª de História/militante feminista

GEIG- Grupo de estudos interdisciplinares em gênero

Márcia Alves – Sócia da Associação das Mulheres Rendeiras do bairro José e Maria

Associação das Mulheres Rendeiras

Gizelia Celiane – Professora da Rede Estadual de Educação da Bahia

Danielle Lisboa – Feminista/profº de História/ educadora social de proteção às mulheres vítimas de violência

Dalila Santos – Jornalista/ mestra e doutoranda em estudos de gêneros/ docente da UNEB/ Militante da Marcha Mundial das Mulheres

Cristiane Crispim – Atriz e produtora teatral/feminista/ Assessora no Mandato Coletivo –  profº Gilmar Santos

Ângela Santana – Radialista/ Feminista/ Chefe de Gabinete no Mandato Coletivo – profº Gilmar Santos

Ananda Fonseca, estudante de Psicologia/ militante feminista.

Núcleo Biruta de Teatro

Marcha Mundial das Mulheres

Cristina Costa – Vereadora

Coordenação de Mulheres do PT

“Duvido que o Loures vá me denunciar”, afirma Temer

TemerO presidente Michel Temer afirmou que “duvida” que o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures o denuncie em uma provável delação premiada à força-tarefa da Lava-Jato. Assessor de Temer, ele foi flagrado recebendo uma mala de R$ 500 mil em propina paga pela JBS.

Em entrevista à “Isto É”, o presidente admitiu ter falhado ao receber pessoas fora da agenda, porém, disse não se arrepender de nada do que fez no exercício da Presidência. Sobre eventual mudança no comando da Polícia Federal, Temer confirmou que poderá trocar a direção, mas garantiu que isso não acarretará interferências na Lava-Jato.

Confira alguns trechos da entrevista:

Rocha Loures

“Acho que ele é uma pessoa decente. Eu duvido que ele faça uma delação. E duvido que ele vá me denunciar. Primeiro, porque não seria verdade. Segundo, conhecendo-o, acho difícil que ele faça isso. Agora, nunca posso prever o que pode acontecer se eventualmente ele tiver um problema maior, e se as pessoas disserem para ele, como chegaram para o outro menino, o grampeador (Joesley): ‘Olha, você terá vantagens tais e tais se você disser isso e aquilo’. Aí não posso garantir.”

Conversa com Joesley não denunciada

“Não achei que seria uma gravidade tão imensa (a conversa com ele). Já ouvi tanta coisa na vida. Várias pessoas vêm me falar coisas. E meu estilo não é agressivo. Olha, você está preso. Isso eu não faço. Eu vou examinar. Se eu conhecer a personalidade do indivíduo que está me falando as coisas, tomarei providências de acordo com o conhecimento que eu tenho da sua personalidade. Farei dessa maneira.”

Receberia Eduardo Cunha?

“Não sei, mas acho que não teria dificuldade se for procurado. Eu converso com tanta gente. Mas aí vão dizer que o presidente não pode conversar com certas pessoas. Isso não existe. Eu fui vítima do meu jeito de ser no tocante a receber as pessoas. Hoje eu começo a achar que, por exemplo, foi uma falha ter recebido o procurador-geral duas ou três vezes no Jaburu sem agenda. Como ter recebido inúmeros jornalistas e empresários fora da agenda. Foi uma falta de liturgia que, até digo, é inadmissível no cargo.”

Críticas de Torquato à Lava-Jato

“Eu respeito a opinião do Torquato, porque ele dá como jurista e advogado. Sei que ele é capaz das melhores formulações jurídicas. Agora, eu não entro no mérito da Lava Jato porque eu estarei interferindo, como chefe do Executivo, na atividade dos poderes. Interferência indevida e até proibida pela Constituição”.

Troca na PF

“Pode ser que o novo ministro levante os dados todos que ele julgue convenientes e venha conversar comigo sobre isso. Fui secretário da Segurança Pública em São Paulo, duas vezes, e eu tinha que ter pessoas da minha confiança em certos cargos, então eu mudava delegado-geral, mudava o comando da Polícia Militar quando necessário. A mudança do diretor da PF vai depender do novo ministro”.

Impeachment X Dilma

“No impeachment da ex-presidente havia milhões de pessoas nas ruas. Esse é um ponto importante, não é? Segundo ponto: não havia mais apoio do Congresso Nacional. No meu caso, não. O Congresso está comigo. A oposição que se faz não é quanto ao conteúdo das reformas, mas uma oposição política. A situação é completamente diferente.”

Complô para derrubá-lo

“Olha, fica difícil dizer, mas não fica difícil supor. É interessante como há uma conjunção de urdidura. Houve um esquema preparado para chegar a isso e de que maneira? Do tipo: traga alguém graúdo para poder valer a delação. Então o sujeito sai de gravadorzinho na mão procurando quem é que ele vai gravar e depois há todo um processo. Você veja: há um inquérito, que não se quer inquirir, em que se quer fazer a denúncia independentemente do inquérito, com prazos muito exíguos, como 24 horas para apresentar os quesitos para a perícia, isso num sábado à partir das 20h para vigorar até o domingo, às 20h, fora do expediente forense. Então eu olho isso e tenho o direito de supor que seja uma tentativa de derrubar governo.”

Apoio do PSDB

“Vou esperar perder o apoio primeiro, né, para depois examinar. Não estou perdendo o apoio. O que eu vejo é muito achismo. E achismo no sentido de que o governo paralisou, o País não vai para frente. Meu Deus do céu, na semana seguinte, a Reforma Trabalhista foi lida, com todos aqueles acidentes, no Senado Federal”.

Rigidez de Rodrigo Janot

“Olha, eu prefiro não comentar. E acho que isso já dá uma boa resposta, não é verdade?”