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Futebol e Política
O futebol no Brasil sempre teve uma relação íntima com a política e foi utilizado em grande medida durante a ditadura militar (1964-1985) para configurar o ufanismo de uma nação construída por negros, índios, portugueses, e tantas outras nacionalidades. A construção da identidade foi questionada na época pelos intelectuais, que entendiam que torcer pelo Brasil era torcer por um regime com o qual discordavam. Tanto foi assim que o meia Zico não compôs o time olímpico em 1972 nem a seleção em 1974, justamente pelo histórico opositor de seu irmão, o centroavante do Fluminense, Fernando Antunes Coimbra, que contou sua versão dos fatos recentemente em uma mesa redonda no Museu da Resistência, em São Paulo.
Um esporte de origem amadora que conseguiu superar as barreiras elitistas de berço para cair no gosto popular era o instrumento ideal para agregar e unir pessoas em torno de um ideal comum: conquistar a Copa do Mundo. O campeonato foi usado também pelos governos de Juscelino Kubitschek e João Goulart, que se aproveitaram das situações favoráveis da seleção de 1958 e 1962, com os memoráveis Pelé e Garrincha no elenco.
“É por isso que dizemos Brasil ao invés de seleção brasileira. É como se o país estivesse em campo”, explica Flávio de Campos, coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Sobre Futebol da Universidade de São Paulo.
O fato de o evento ser realizado no Brasil fez com que todos os problemas nacionais se evidenciassem – e não somente para os brasileiros. A agenda esportiva está vinculada à política desde 2007, ano em que o Brasil soube que seria a sede da Copa. E o futebol, neste caso, dramatiza todos esses conflitos sociais. “A tendência é que este mau humor dos movimentos populares, dessa mobilização social que é também uma desmobilização torcedora, seja ampliado” até o final da Copa, afirma Campos.
A metáfora de um time de futebol, formado muitas vezes por jogadores de origem humilde, pode ser a metáfora de um Brasil que também está chutando a bola para superar a pobreza – e todos os demais problemas.
A Inglaterra e o calor de Manaus
O calor e a umidade são bons para as distrações turísticas e para o cultivo do mamão, mas podem constituir uma combinação devastadora para a prática do esporte. O clima de Manaus desatou um conflito diplomático há alguns meses, quando, antes do sorteio, o treinador inglês, Roy Hodgson, declarou que jogar ali seria “problemático” para as equipes do norte da Europa.
O comentário provocou a ira do prefeito da cidade, Arthur Virgilio (PSDB), membro de um célebre clã de políticos amazonenses. “Nós também preferiríamos que a Inglaterra não viesse”, protestou. “Esperávamos que nos coubesse uma equipe melhor, com um treinador mais sensível e educado. Hodgson é uma das poucas pessoas no mundo que não sentem curiosidade pelo Amazonas.”
Hodgson deu azar. O sorteio da FIFA mandou a Inglaterra para jogar em Manaus. E não uma partida qualquer. O globo com os papeizinhos a emparelhou com a Itália na primeira rodada do chamado Grupo da Morte, no qual também está o Uruguai. Os jogadores e os médicos vivem desde então preocupados em se adaptarem ao calor.
Há na seleção inglesa assistentes que se dedicavam durante os treinos no Rio a refrescarem os jogadores com sprays. Daniel Taylor, do Guardian, relatou que a operação “lembra a rega de um gerânio”. O vestiário inglês no estádio do Amazonas contará com um ventilador industrial trazido de Londres para atirar ar e vapor de água sobre os corpos dos jogadores.
ardo Mora Rodríguez, chefe do Laboratório de Fisiologia do Exercício da Universidade de Castilha-La Mancha, dá a razão a Hodgson. “A alta umidade [em Manaus a previsão é de 30 graus, com uma umidade entre 70% e 90%] faz com que o suor não se evapore bem”, adverte o fisiologista. “Se esse mecanismo de evaporação não funciona, o calor se acumula nos tecidos e ocorre hipertermia, que são temperaturas acima dos 38,5 graus. Isso provoca fadiga, cãibras e até a intermação [síndrome do golpe de calor], que pode ser fatal”.
A FIFA propôs uma norma para que, quando passar de 31 graus, seja possível fazer uma pausa para reidratar e refrescar.
HOLANDA 5 X 1 ESPANHA: O show de Robben
Na Bahia, o colapso foi total, um inferno. Um cataclismo completo. A Espanha recebeu uma ofensiva holandesa de marcar época, e acabou na lama em um caótico segundo tempo. E poderia ter sido muito pior. A pancada, com essa diferença de gols, deixa a Espanha com um caminho com muito mais do que espinhos. Para começar, sua passagem à segunda fase já corre risco, assim os espanhóis definiram a derrota da “Fúria”para a Holanda.
A Holanda se vingou com sanha da derrota de quatro anos atrás, na África do Sul, e, com Robben à frente, deixou a Espanha com as calças na mão, feito um boneco de pano a mercê de um adversário que, no segundo tempo, foi um enxame. Não houve espanhol reconhecível. Nem uma migalha dessa equipe que competiu de forma sublime na Eurocopa de Viena. A Espanha foi uma hemorragia, calamitosa em todas as suas linhas, e terminou no chão, como um farrapo. Casillas não era nem a pior sombra de Casillas; Ramos, em sua melhor temporada, parecia estar na pior; Iniesta não era Iniesta… Assim, um após o outro. Costa não foi uma solução, e na costa de Casillas tudo foi grotesco. Não foi só uma tarde ruim; foi uma sessão de terror.
Clérigo xiita no Iraque convoca fiéis a pegarem em armas contra rebeldes
BAGDÁ – O mais influente clérigo xiita do Iraque, o grão-aiatolá Ali al-Sistani, pediu aos seus seguidores nesta sexta-feira que peguem em armas para se defenderem de um implacável avanço dos insurgentes sunitas, em uma forte escalada de um conflito que ameaça se tornar uma guerra civil e, potencialmente, fragmentar o país.
Em uma rara intervenção nas orações de sexta-feira na cidade sagrada de Kerbala, uma mensagem do grão-aiatolá, a maior autoridade religiosa dos xiitas no Iraque, dizia que as pessoas têm de se unir para combater o avanço dos militantes do grupo radical Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).
Militantes do EIIL capturaram mais duas cidades iraquianas durante a noite, em um avanço-relâmpago em direção ao sul do país e à capital, Bagdá, em sua campanha para recriar um califado islâmico sunita entre o Iraque e a Síria.
“As pessoas que são capazes de portar armas e combater os terroristas em defesa de seu país… devem se voluntariar para entrar nas forças de segurança para alcançar esse objetivo sagrado (de ser mártir)”, disse o xeque Abdulmehdi al-Karbalai, durante um sermão em Kerbala no qual enviou a mensagem de Sistani. Ele disse ainda que aqueles que combaterem os militantes serão mártires.
Na quinta-feira o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ameaçou lançar bombardeios contra o EIIL, numa demonstração da gravidade da ameaça dos militantes que pretendem redesenhar as fronteiras da região rica em petróleo.
Em meio ao caos, forças curdas assumiram esta semana o controle de Kirkuk, um importante centro petrolífero localizado ao lado de seu enclave autônomo, e que os curdos sempre consideraram como sua tradicional capital.
Fonte: Reuters
A CAÇA ÀS BRUXAS: PM CONTRA MANIFESTANTES
SÃO PAULO – Manifestantes que tentavam bloquear nesta quinta-feira a Radial Leste, via de acesso à Arena Corinthians, palco da abertura da Copa do Mundo, foram contidos por homens da Polícia Militar, que usou bombas de efeito moral para dispersar o protesto.
Cerca de 200 manifestantes organizavam o protesto, segundo a polícia, perto da estação de metrô Carrão. Aproximadamente 300 PMs formaram um cordão de isolamento para conter a manifestação contra a Copa. O major Santiago, no comando da PM, não forneceu dados de efetivo ou de estratégia.
Depois da primeira ação de repressão por volta das 10h, os manifestante se dispersaram e passaram a tentar invadir a avenida Radial Leste por vias alternativas, mas a PM alertou que não permitirá o acesso dos manifestantes à via, na zona leste da capital paulista.
Um dos manifestantes, Valdemário Silveira, foi atingido por estilhaço de bomba de efeito moral.O estudante Luiz Gustavo, que também participava do protesto, disse que o objetivo é atrapalhar a passagem do ônibus da seleção brasileira de futebol. Ele criticou a ação “desproporcional” da PM.
A segurança nas cidades-sede da Copa foi reforçada para conter ameaças de protestos, como os ocorridos no ano passado durante a Copa das Confederações. Dezenas de atos contra a Copa foram marcados, por meio de redes sociais, para o dia de abertura do torneio. No Rio, um protesto formado por poucos aeroviários, que convocaram uma paralisação de 24 horas, bloqueou a avenida que dá acesso ao aeroporto internacional do Galeão, provocando grande congestionamento na região.
O Brasil vai receber a Croácia para o primeiro jogo da Copa do Mundo às 17h desta quinta-feira na Arena Corinthians, zona leste de São Paulo, após a cerimônia de abertura oficial marcada para começar as 15h15 e que contará com a presença da presidente Dilma Rousseff e mais de uma dezena de chefes de Estado.
FIFA diz que não pediu isenção de mais de R$ 1 bilhão para a copa
A Fifa publicou em sua página na internet uma carta aberta em que rebate críticas relacionadas à organização e exigências da entidade para a Copa do Mundo. No texto com título “Setting the record straight” – expressão similar a “colocando os pingos nos ‘is” –, a organização diz que o governo federal não foi obrigado a conceder uma “isenção fiscal geral para patrocinadores e organizadores” como foi feito no país.
O Ministério do Esporte evitou polemizar, disse que “não é bem assim”, mas ficou em cima do muro. De acordo com o documento, que não foi refutado frontalmente pelo Ministério do Esporte, a isenção fiscal concedida a patrocinadores e parceiros da Fifa na realização do torneio, assim como às construtoras dos 12 estádios do Mundial, teria sido uma liberalidade do governo brasileiro. “Ao contrário, a Fifa apenas requere uma facilitação dos procedimentos de alfândega para alguns materiais que precisam ser importados para a organização da Copa do Mundo e que não estão à venda no país-sede, importação de placas de publicidade eletrônicas, bolas de futebol, e que serão ou levados embora do país após a Copa ou doados a instituições ligadas ao esporte no Brasil”, diz a Fifa.
Segundo números divulgados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), no total, apenas de impostos federais, os cofres públicos deixaram de arrecadar cerca de R$ 1,1 bilhão entre 2010 e 2014 com a Copa.
Em 2007, antes do Brasil ser escolhido como sede, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um documento com 11 garantias governamentais para a realização da competição no Brasil. As garantias números três e quatro tratam das isenções fiscais e colocam que “nenhum imposto, taxas ou outras contribuições serão impostas à Fifa, aos subsidiários da Fifa, às delegações da Fifa, às equipes, aos oficiais de jogos, às confederações da Fifa, às associações de membros, às associações de membros participativos, à emissora anfitriã e aos membros não-residentes, à equipe e aos funcionários de todas estas partes”. Venda de ingressos, direitos mundiais de transmissão de TV e até pacotes de materiais para construção dos estádios também foram incluídos. Em entrevista ao UOL, o Ministério do Esporte evita polemizar e bater de frente com a entidade, mas deixa nas entrelinhas que não foi ideia do governo federal redigir as garantias.
A CAÇA ÀS BRUXAS: DEZ ATIVISTAS SÃO PRESOS PELA POLÍCIA DO RIO
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu a ativista Elisa Quadros, a “Sininho”, e outras nove pessoas por “participação direta e indireta em prática de atos violentos durante protestos”. Segundo informações do jornal O Estado de São Paulo, eles foram levados para a Delegacia de Repressão a Crimes contra a Informática (DRCI). Computadores e unidades de armazenamento também foram apreendidos. Ainda segundo a polícia, a ação é um desdobramento de um inquérito da DRCI que, em 4 de setembro do ano passado, prendeu e indiciou três homens por formação de quadrilha e incitação à violência”.
Sininho ficou conhecida após a participação em protestos ocorridas em junho do ano passado e por visitar o manifestante Fábio Raposo na delegacia, que estava preso por suspeita de lançar um artefato explosivo que causou a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, durante um ato realizado em fevereiro deste ano. De acordo com o Estadão, uma advogada ativista também está entre os detidos.
Governo aumentará mistura de álcool à gasolina
O governo quer aumentar a mistura de álcool na gasolina, para ajudar o setor sucroalcooleiro. O Palácio do Planalto está estudando a mudança da lei que permitiria aumentar a mistura de 25% para 27,5%. Antes, porém, quer que seja feita uma pesquisa pelo Inmetro e pelo Centro de Pesquisa da Petrobras, para ter certeza que a adição de etanol à gasolina não será prejudicial ao motor dos carros. O estudo é para respaldar a proposta de mudança legal, hoje limitada a 25%, e evitar que a presidente Dilma Rousseff seja acusada de adotar medida tecnicamente equivocada.
O Planalto quer ainda usar o dinheiro do Inovar Auto, a política industrial de estímulo voltada para as montadoras, para que sejam realizadas outras pesquisas que levem ao aumento da eficiência energética dos carros flex. Essa medida também ajudaria a revitalizar a cadeia de produção de etanol, que está em crise desde 2008, pleiteando socorro do governo. Neste caso, o governo quer encontrar um meio para o carro a álcool se tornar mais econômico.
As duas medidas acabarão representando mais uma ajuda à Petrobras, que está enfrentando problemas de caixa. A permissão para o aumento da mistura do álcool à gasolina, poderá ser mais um alívio nas contas da estatal, já que ela poderá reduzir a importação de combustíveis. O governo também quer aproveitar para revitalizar toda a cadeia do etanol.
STF e a Imprensa
O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, tem dito que pretende melhorar o diálogo com a imprensa assim que assumir o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele será o sucessor do ministro Joaquim Barbosa, que anunciou sua aposentadoria na semana passada.
Lewandowski disse que pretende também abrir seu gabinete à classe jurídica em geral, tirando o STF do isolamento ocasionado durante a gestão Barbosa.











