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PT quer recuperar terreno com militância sem falar de corrupção
“Não temos tanto apoio como tínhamos há dez ou quinze anos. Precisamos retomar a confiança da nossa própria base”.
Delegados do PT, reunidos no luxuoso hotel na praia do Rio Vermelho em Salvador (Bahia) para o V Congresso Nacional da sigla, as frases se sucediam como mais um sinal do mal-estar instalado no maior partido brasileiro.
No poder há 12 anos, mas desgastado pela crise econômica e pelos escândalos, o PT decidiu passar ao largo de um tema que foi caro na construção de sua identidade: o combate à corrupção.
Nos discursos dos dois principais representantes do partido, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff, as menções ao tema ou repetiram fórmulas passadas ou foram genéricas. Rousseff repetiu que seu governo incentivou as investigações da Polícia Federal e a autonomia do Ministério Público. “Temos de ter determinação, que está refletindo pela primeira vez na punição de corruptos e de corruptores. Foi no nosso Governo, meu e do presidente Lula, que as duas pontas da corrupção tiveram uma legislação que condenavam o corrupto e o corruptor”.
Nenhum deles cobrou, por exemplo, uma punição aos petistas envolvidos em atos ilícitos. Lula chegou a dizer que o PT cometeu erros e que eles precisam ser corrigidos. Mas não especificou quais foram esses equívocos.
O presidente da sigla, o jornalista e ex-deputado estadual paulista Rui Falcão, justificou a ausência desse debate afirmando que “há em processo uma tentativa de criminalização” do partido e que nenhum petista está envolvido no “descaminho” da Petrobras. “O que há contra o PT é uma acusação infundada, sem provas. Ela tem sido paulatinamente desmontada a partir do momento em que tentou se apresentar as doações legais ao PT como ilícitas e aquelas que são feitas da mesma forma, pelas mesmas empresas, para outros partidos, como se fosse feita pela Irmã Dulce ou das quermesses que esses partidos realizam”, disse Falcão durante uma entrevista coletiva que antecedeu a abertura oficial do evento.
A presidente Dilma Rousseff pediu ao menos cinco vezes apoio dos petistas ao seu governo. Enquanto ela falava para a plateia de quase 500 pessoas, um grupo de petistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), segurava uma faixa com a frase “Abaixo o Plano Levy”.
Nas proximidades do hotel onde ocorrem os debates, os sinais de insatisfação também apareciam. Separados por um cordão de isolamento formado por cerca de 100 policiais do batalhão de choque, um grupo de quase 200 pessoas, entre sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), militantes que receberam 30 reais para balançar as flâmulas petistas, uma espécie de uma fanfarra e artistas circenses. “Em outros tempos teríamos mais de 1.000 pessoas aqui. Vai ser difícil recuperar o apoio do trabalhador, ainda mais com esse ajuste fiscal”, lamentou um sindicalista baiano.
Lóssio sinaliza com possível apoio a Lucas Ramos
Em entrevista, hoje, no Frente a Frente, que vai ao ar todos os dias das 18 às 19 horas pela Rede Nordeste de Rádio, retransmitida aqui pela Petrolina FM, o prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio (PMDB), admitiu, pela primeira vez, que o candidato a prefeito do seu grupo nas eleições do ano que vem pode ser o deputado estadual Lucas Ramos (PSB).
“Já temos um namoro antigo, que pode dar em casamento”, disse Lóssio.
Dilma: Brasil tem problemas, mas não está doente
A presidente Dilma Rousseff afirmou em entrevista ao Programa do Jô, que vai ao ar na TV Globo na madrugada desta sexta-feira (12) para sábado (13), que, embora necessite de um ajuste fiscal para equilibrar as contas públicas, o Brasil não está “estruturalmente doente”. Segundo ela, o país passa momentaneamente por “problemas e dificuldades”, e o ajuste é necessário para uma rápida retomada do crescimento econômico.
A entrevista foi concedida na tarde desta sexta, na biblioteca do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, em Brasília.
Dilma também se disse “bastante agoniada” com a inflação, uma das coisas que, segundo afirmou, mais a preocupa.
“Fico preocupada porque acho que vamos ter de fazer um imenso esforço. Nós iremos fazer o possível e o impossível para o Brasil voltar a ter inflação bem estável, dentro da meta. Este processo que estamos vivendo tem um tempo, ele não vai durar”, declarou.
A presidente afirmou ainda que se sente “triste” com as críticas que recebe, mas disse que aprendeu a conviver com a situação. “É todo dia. Tem horas que exageram um pouco. Pegam pesado. Mas é da atividade pública.”
Operação da polícia suíça tem seleção brasileira como alvo
A polícia suíça fez uma operação para confiscar documentos na sede da Kentaro na Suíça, empresa que entre 2006 e 2012 organizou os jogos da seleção brasileira em nome de investidores sauditas. A suspeita é de que um dos jogos, entre Brasil e Argentina no Catar, foi a forma pela qual o Catar pagou propinas para Ricardo Teixeira e Julio Grondona para garantir o Mundial de 2022.
A suspeita do Ministério Público da Suíça é de que, em novembro de 2010, o jogo entre Brasil e Argentina no Catar foi realizado como forma de transferir dinheiro para dirigentes. As investigações sobre o Catar confirmam a reportagem do Estado que, em 2013, revelou com exclusividade como os amistosos da seleção eram usados por dirigentes para o enriquecimento de dirigentes e troca de favores. Os recursos passavam ainda por paraísos fiscais e contas em Andorra.
Para a FIFA, porém, o dinheiro daquela partida não estaria “conectado” com a compra de votos para que o Catar recebesse a Copa de 2022. O Estado apurou que cada federação recebeu três vezes o valor de uma partida normal. Dois contratos separados foram assinados. Um deles trazia o valor oficial. O outro seria para o dinheiro que beneficiaria cartolas.
Oficialmente, o Catar indicou que gastou 4 milhões de euros no jogo e, naquele momento, o discurso de seus cartolas era de que a partida era uma forma de mostrar que o país estava “pronto para receber o Mundial”. Três semanas depois, tanto o Brasil como a Argentina votaram pelos árabes na escolha da sede da Copa. Mesmo negando a relação entre o jogo e o voto, a FIFA sugere que, a partir de agora, amistosos em países que concorrem a um evento sejam “mais transparentes”. A entidade também quer que qualquer acordo assinado no mesmo evento, inclusive de transmissão e comerciais, sejam anunciados.
O alerta não ocorre por acaso. Naquele mesmo dia do jogo, ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, assinaria uma extensão do contrato com uma empresa árabe, a ISE, prolongando os direitos da companhia até 2022 para organizar os amistosos da seleção brasileira. Teixeira declarou ainda que votou pelo Catar e era um aliado de Mohamed Bin Hammam, do Catar.
O informe da Fifa aponta que uma empresa que pertencia a um conglomerado do Catar “financiou o evento”. “Um rico sócio da entidade do Catar organizou o apoio, supostamente para fazer lobby por um investimento no setor do esporte”, indicou o informe, sem dar detalhes.
Segundo os organizadores da Copa de 2002, a entidade que pagou pelo evento não tem relação com o torneio da FIFA e nem com a Associação de Futebol do Catar. De acordo com esses dirigentes, “os fundos para organizar o jogo não veio do Catar 2022 e nem da Associação e o total pago para financiar o jogo era comparável às taxas que se pagam por outros jogos envolvendo times de elite”.
Apesar da versão dos dirigentes, a investigação indicou que os contratos para o jogo podem ser violações do Código de Ética da FIFA. “O financiamento do evento e sua estrutura contratual levantam, em parte, preocupações em particular em relação a certos arranjos relacionados com pagamentos para a Associação de Futebol da Argentina”.
Richard Dawkins: “O criacionismo é um insulto ao intelecto”
Talvez nenhum cientista da atualidade seja tão polêmico quanto o biólogo evolucionista britânico Richard Dawkins.
Autor do clássico O Gene Egoísta, que deu a ele notoriedade por inovar a forma como enxergamos a evolução e a genética, em anos recentes Dawkins encabeçou uma verdadeira cruzada científica contra o pensamento dogmático e religioso – o que, é claro, lhe rendeu um rebanho de inimigos ferrenhos. “O criacionismo é um insulto ao intelecto”, declarou o cientista em entrevista exclusiva concedida a GALILEU nesta terça-feira (26).
O biólogo darwinista falou sobre religião e o embate contra o criacionismo, discutiu as pretensas relações entre a epigenética e o lamarckismo, apresentou sua visão poética sobre a ciência e até revelou um certo arrependimento em sua carreira científica – não ter atuado tanto em pesquisas. “Eu provavelmente fiz mais pela ciência ao escrever livros do que teria feito através de uma pesquisa restrita, nunca teria sido um grande pesquisador”, disse.
Leia mais em: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2015/05/richard-dawkins-o-criacionismo-e-um-insulto-ao-intelecto.html
Por que a Caixa Econômica Federal não patrocina hospitais em vez de times de futebol?
Ao contrário do Banco do Brasil, qualificado como de economia mista, pois, possui na formação de seu capital tanto dinheiro público como dinheiro de particulares, a Caixa Econômica Federal é um banco inteiramente público, controlado e mantido pelo tesouro nacional, atua no setor privado do ramo bancário como instrumento de intervenção estatal para regulação do mercado financeiro.
A função da CEF é, portanto, tentar coibir a usura dos banqueiros através da concorrência direta na oferta de crédito a taxas de juros mais baixas, forçando a iniciativa privada a adequar sua margem de lucros a ágios menores pelo empréstimo de capitais aos particulares e, agindo assim, colaborar para o controle inflacionário e a manutenção da disponibilidade de crédito para o fomento das atividades econômicas, no país.
Desse modo, por ser instituição pública, a Caixa econômica Federal desfruta dos benefícios e isenções fiscais que lei assegura. O que configura para as entidades estatais enorme vantagem em relação aos bancos privados no que diz respeito à sua presença no mercado financeiro, uma vez que sua expansão depende apenas de políticas governamentais, já que se trata de negócio autossustentável economicamente.
Contudo, o fato de ser público, resulta para o banco a obrigatoriedade de adotar como finalidade específica para investimento dos recursos angariados, o interesse social, sob pena de desrespeitar os princípios norteadores da Administração Pública. Logo, antes de aplicar somas vultosas em projetos privados, deveria privilegiar os serviços públicos de educação e saúde. Assim, em vez de patrocinar times de futebol, a caixa Econômica Federal deveria patrocinar o interesse coletivo, como hospitais, por exemplo.
Pelos dados, de acordo com a Lei Geral de Acesso à Informação, a CEF financia, hoje, os principais clubes de futebol do país, com contratos no importe R$ 30 milhões por ano para o Corinthians; R$ 25 milhões para o Flamengo e R$ 15 milhões para o Vasco, além de outros listados abaixo.
Investimento por ano:
ASA de Arapiraca-AL – R$ 1 milhão, Atlético-GO – R$ 2,4 milhões, Atlético-PR – R$ 6 milhões, Chapecoense-SC – R$ 1 milhão, Coritiba-PR – R$ 6 milhões, Figueirense-SC – R$ 4,5 milhões, Paraná Clube-PR – R$ 2 milhões, Vitória-BA – R$ 6 milhões.
A Caixa, em que pese ser um banco comercial, atuando num mercado financeiro altamente competitivo, não pode pretender liderar o mercado de serviços financeiros e bancários, para não perder sua natureza instrumentária de regulação desse mercado. Porque isso acontecendo, quem regularia a Caixa Econômica Federal? Os bancos privados?
Razão pela qual, o patrocínio ao futebol, apesar de proporcionar expressivo retorno de mídia, mostra-se descabido e ilegal por gerar apenas oportunidade de ações de relacionamentos negociais, afastando esta entidade de sua finalidade de colaborar para a concreção de melhores serviços públicos.
Portanto, em vez de times de futebol, a CEF poderia patrocinar hospitais nas médias e pequenas cidades do país, cumprindo seu papel de instituição pública e honrando sua origem de ter sido criada para guardar os parcos recursos que os escravos economizavam para comprar a alforria.
Por: Adão Lima de Souza
Enem 2015: apenas 5,8 milhões de candidatos inscritos às vésperas do encerramento, apontam tendência de queda de participantes
Um dia antes do prazo final para inscrição no Enem 2015, o número de candidatos inscritos no exame chegou a 5,8 milhões – o que pode indicar, pela primeira vez em anos recentes, a queda de estudantes participantes da prova.
Para fazer o Enem 2015, é preciso concluir a inscrição até esta sexta-feira (5). O pagamento da taxa, no valor de R$ 63, pode ser realizado até o dia 10 de junho.
No ano passado, 9,5 milhões de candidatos se cadastraram no site. Desse total, 8,7 milhões confirmaram a participação (a redução se deve ao não pagamento da inscrição). Como em anos anteriores, o ritmo de inscrição deve aumentar na reta final do prazo definido pelo MEC. Mas, para atingir o patamar de 2014, o volume de inscrições entre hoje e amanhã terá que triplicar em comparação ao registrado até aqui.
A mudança nas regras do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) pode estar entre os motivos para essa eventual queda, segundo avaliação de assessores da pasta. A partir de agora, é preciso obter nota mínima de 450 pontos no exame para pleitear o crédito estudantil.
O aumento da taxa de inscrição, a nova regra para coibir candidatos faltosos e a entrega do resultado dos treineiros dois meses após o prazo dos demais candidatos também estão entre os fatores apontados.
Fonte: Folha de São Paulo
Quem nós vamos perseguir no futuro?
Parece-nos que se há alguma verdade é que a terra gira. E gira com rapidez tremenda, fazendo, sem cessar a história se repetir, ora como inaugural, ora como pura farsa mesmo. Se voltarmos um pouco no tempo, revirando o baú da história, logo encontraremos um sem número de eventos que demonstram com rigor matemático a nossa condição de insetos dando voltas entorno da lâmpada.
Nossa gente, especialmente, parece ter uma enorme propensão para se insurgir contra coisas irrelevantes como episódios frívolos ocorridos em partidas de futebol ou campanhas publicitárias que tratam de maneira leve e descontraída assuntos polêmicos geradores de dissidências na sociedade brasileira.
É o caso mais recente do comercial da Boticário, onde, em comemoração ao dia dos namorados, são exibidos quadros breves com cenas representativas da diversidade dos relacionamentos amorosos em voga hoje em dia. O curioso, então, é o estardalhaço feito em torno deste comercial. É muito barulho por nada. Os momentos retratados ali são de uma dilapidação tão cuidadosamente talhadas que não causaria estarrecimento nem no mais pudico dos censores de outrora – da ditadura brasileira à inquisição Católica -, bem menos afrontosa à tradicional família que as cenas quase explícitas de sexo explícito livremente veiculadas em qualquer novela da televisão, da novela das oito à Malhação festejada pelos nossos filhos e filhas.
Todavia, como dito anteriormente, a história se repete, porém, a farsa deixa a história mal contada. Na década de 1960, uma cena causou imenso alvoroço nos conservadores pela suposta imoralidade que exibia e o ataque direto e letal aos valores tradicionais da família. A cena trazia, simplesmente, a atriz Leila Diniz, numa praia, de biquíni, exibindo a sua gravidez, o que se transformou num grande escândalo da época. Depois, o choque maior quando a atriz afirmou, em entrevista, que transava de manhã, de tarde e de noite. Foi o estopim de uma ação reacionária contra as liberdades individuais em defesa da Tradição e da Família.
Recuando um pouco, encontramos Chiquinha Gonzaga, apontada como inimiga da família e dos bons costumes no século dezenove porque ousou cantar algumas polcas e marchinhas carnavalescas num tempo em que somente aos homens era dado o direito de participar ativamente nos negócios da sociedade patriacalista e perversa. Neste mesmo século, o escritor Oscar Wilde foi condenado à prisão por ser homossexual, no Reino Unido.
Mais adiante, já em plena era das sociedades republicanas modernas, seriam os negros impedidos de frequentar os lugares e os mesmos ônibus que os senhores brancos pelas mesmas razões de proteção da tradição e da família.
Contudo, tudo isso foi ou está em rota de superação.
Então, conforme se vê, estamos sempre buscando frear movimentos inevitáveis ao suscitar à defesa de valores que, em muitas ocasiões, nem nós mesmos acreditamos mais. Porque, em verdade, a nossa hostilidade serve somente para ocultar a incapacidade que alimentamos de lidar com a diversidade, ou, quem sabe, conter o medo de sucumbirmos às vanguardas por algum desejo inconsciente que relutamos em externar.
De todo modo, a pergunta que não quer calar é sempre a mesma. Ou seja, se os fortes valores que sustentam a família trepidam ante um simples comercial de perfume dedicado aos namorados – e há, inegavelmente, namorados de sexo oposto e do mesmo sexo – quem escolheremos para perseguir quando ser pai ou ser mãe não for mais uma questão de gênero.
Por: Adão Lima de Souza.
Seis propostas para limpar a pestilência da FIFA
A FIFA blatterista é o Vaticano do futebol — na época dos Borgia. A FIFA blatterista é um árbitro que vende seus serviços a quem oferecer mais. A FIFA blatterista é uma máfia que, como toda boa máfia, investiu a maior parte de seus lucros para benefício da “família”, mas teve a astúcia de fazer doações de caridade à vizinhança para poder contar com sua lealdade. Os chefões enriqueceram com subornos, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e ofertas que suas vítimas – como os países que querem realizar a Copa do Mundo – não poderiam rechaçar; mas também distribuíram quantidades não desprezíveis de dinheiro para projetos de desenvolvimento em nações pobres.
Então, e mudando mais uma vez de metáfora, como realizar a missão hercúlea de limpar os fétidos estábulos de Zurique? Aqui vão seis propostas.
Primeiro, eliminando a casta: que aqueles que tiveram a felicidade, até agora, de não serem imputados pela justiça norte-americana tenham a dignidade de pedir demissão, especialmente os que são íntimos ou defensores de Sepp Blatter como o primeiro vice-presidente da FIFA, o camaronês Issa Hayatou, e o também vice-presidente Ángel María Villar da Espanha. Seria absurdo confiar que os responsáveis do colossal descontrole saibam – ou queiram – fazer as reformas necessárias para que a FIFA cumpra sua missão explícita de trabalhar “a favor do futebol e do mundo”.
Segundo, transparência nas contas. A FIFA é uma empresa fechada e secreta apesar de que, supostamente, sua razão de ser é servir os interesses das centenas – talvez milhares – de milhões de indivíduos que se relacionam com o futebol quase como se fosse uma religião. Deveria existir um rígido controle, visível para todo mundo, do dinheiro que a FIFA envia pelo mundo para projetos de desenvolvimento com o objetivo de evitar que, no caminho, grandes porcentagens acabem nos bolsos dos presidentes ou vice-presidentes das federações nacionais vinculadas à FIFA. Também deveria ser de conhecimento público os salários e os gastos dos funcionários da FIFA. Não se sabe quanto ganha Blatter, mas segundo as pessoas que trabalharam na FIFA, a cifra está ao redor de dois milhões de dólares por mês; 25 vezes mais que o salário básico do diretor-presidente da Rolls Royce.
Terceiro, se a FIFA é uma ONG, como disse Blatter, que acabe o esbanjamento de gastar duas vezes mais na grotescamente consentida burocracia da entidade do que em projetos internacionais de utilidade social.
Quarto, que exista um limite aos mandatos presidenciais da FIFA para que um indivíduo não possa se eternizar e inevitavelmente, dada a natureza humana, embriagar-se – e corromper-se – com tanto poder.
Quinto, que os votos nas eleições presidenciais deixem de ser secretos, que quando um país como a Espanha vota a favor de alguém – como, por exemplo, em Blatter na farsa eleitoral de sexta-feira passada – os espanhóis saibam no ato quem foi votado.
Sexto, que se realize uma honesta investigação interna paralela à do FBI, mas com o mesmo tenaz empenho, para que se saiba se as manifestas armadilhas na hora de escolher a Alemanha e a África do Sul como sedes da Copa do Mundo em 2006 e 2010 também aconteceram quando o comitê executivo da FIFA deu seus votos para a Rússia e Catar em 2018 e 2022.
O cumprimento dessas seis propostas seria apenas um começo. Há muito mais coisas por fazer antes que a FIFA recupere a credibilidade internacional e se transforme no que deveria ser, fiel representante da ilusão, inocente e infantil, que um enorme setor da humanidade investe na religião secular que é o futebol.
Fonte: Editorial do Jornal EL País de 03/06/2015.
População carcerária do Brasil cresce 74% em sete anos
A população prisional no Brasil cresceu 74% entre 2005 e 2012. Em 2005, o número de presos no país era 296.919. Sete anos depois, passou para 515.482 presos. A população prisional masculina cresceu 70%, enquanto a feminina aumentou 146% no mesmo período. Em 2012, aproximadamente um terço dos presos estava encarcerado em São Paulo.
De acordo com o levantamento, 38% dos presos estão sem julgamento. Pelo menos 61% deles foram condenados e 1% cumpre medida de segurança. Entre os condenados, 69% estão no regime fechado, 24% no regime semiaberto e 7% no regime aberto.
“Quase metade (48%) dos presos brasileiros recebeu pena de até oito anos. Num sistema superlotado, 18,7% não precisariam estar presos, pois estão no perfil para o qual o Código de Processo Penal prevê cumprimento de penas alternativas”, cita o texto.
Os dados estão no estudo Mapa do Encarceramento: os Jovens do Brasil, divulgado hoje (3) pela Secretaria-Geral da Presidência da República. O levantamento foi feito pela pesquisadora Jacqueline Sinhoretto com base nos dados do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (InfoPen), do Ministério da Justiça. Segundo o estudo, o crescimento foi impulsionado pela prisão de jovens, negros e mulheres.
O relatório aponta que 13 estados tiveram crescimento acima da média nacional. Em Minas Gerais, segundo estado em população encarcerada, com 45.540 presos em 2012, o número de presos cresceu 624%. Segundo o relatório, isso se deve a programas que visam a repressão qualificada aos crimes contra a vida e a presídios privatizados instalados no estado. O Rio Grande do Sul teve o menor crescimento, de 29%.
“A análise conjunta das taxas de encarceramento e das taxas de homicídio por estado indica que prender mais não necessariamente reduz os crimes contra a vida, porque as políticas de policiamento enfocam os crimes patrimoniais e de drogas”, aponta o relatório.
Os crimes contra o patrimônio e relacionados às drogas são os mais comuns, segundo o estudo. Somados, atingem cerca de 70% das causas de prisões. Crimes contra a vida responderam por 12%. Segundo o relatório, isso indica que o policiamento e a Justiça criminal não têm foco nos crimes “mais graves”.




