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Transporte escolar para alunos da Rede Estadual de ensino em Lagoa Grande é suspenso
LAGOA GRANDE – Alegando falta de repasse financeiro do governo de Pernambuco para manutenção do transporte escolar dos alunos da rede estadual, a Prefeitura de Lagoa Grande, Sertão de Pernambuco, decidiu repassar o serviço ao Estado, ou seja, a gestão somente fará o transporte dos alunos da rede municipal de ensino.
A notícia que pegou os alunos de surpresa vem causando uma série de desabafos nas redes sociais.
Diante da decisão tomada pelo prefeito, a comunidade e muitos estudantes estão se manifestando pela web, a exemplo do Watssapp e Facebook e esperam que o governo municipal reveja a situação com o governo de Pernambuco, que é aliado do prefeito Dhoni Amorim (PSB), afim de que seja mantido o serviço, pelo Estado ou pela prefeitura.
Prefeito Isaac lança o programa ‘Caravana da Saúde’
JUAZEIRO – A iniciativa da Prefeitura de Juazeiro visa potencializar e melhorar o atendimento da população oferecendo os serviços básicos de saúde de maneira articulada, garantido o acesso a diversas especialidades médicas. Durante o lançamento, ocorrido nesta quarta-feira, 16, no Paço Municipal, foi assinado o Termo de Intenção de Compromisso pelos parceiros que participarão da Caravana juntamente com a Secretaria Municipal de Saúde, como a Clinefro, a Univasf, o Hospital Regional de Juazeiro/APMI, a Multimagem, a Promatre e o Instituto Ivete Sangalo.
O primeiro atendimento do programa Caravana da Saúde acontecerá no dia 06 de Janeiro (quarta-feira), das 8h às 14h, no bairro Tabuleiro. O prefeito Isaac Carvalho frisou que a reestruturação do sistema de saúde tem sido o grande empenho da gestão. “Essa é mais uma ação inédita em Juazeiro e tem como objetivo zerar as filas das cirurgias e especialidades. Será mais um desafio, mas com muita dedicação e apoio desses parceiros, teremos resolutividade e conseguiremos avançar ainda mais na saúde em nosso município”, destacou o prefeito.
Os atendimentos serão feitos durante todas as quartas-feiras, das 8 às 14h, nos bairros de Juazeiro. Vários serviços de especialidades médicas serão agendados pelo município, tais como ortopedia, cardiologia, ginecologia, cirurgia, além de duas unidades móveis adaptadas onde os pacientes passarão pela consulta de oftalmologia e odontologia. A população contará ainda com exames laboratoriais, eletrocardiograma, ultrassonografias, mamografia e raios-X.
Também fará parte do programa o ônibus do programa ‘Crack é Possível Vencer’ com atividades educativas sobre drogas ilícitas, assim como educação no trânsito. O combate ao mosquito Aedes aegypti e a Hanseníase serão intensificados. Os postos onde serão realizadas as caravanas de saúde passarão por reparos na estrutura física e manutenção de equipamentos para acolher melhor a comunidade.
Lucas Chaves, representante do Hospital Regional de Juazeiro/APMI, teceu elogios à administração do prefeito Isaac. “É uma honra fazer essa parceria com a Caravana da Saúde porque precisamos centrar forças na prevenção para evitarmos grandes contingentes de pacientes nos hospitais que geralmente já chegam com as doenças em estágio crônico. Sem dúvida alguma a Caravana trará importante ganho para a saúde de Juazeiro”, disse o diretor do Regional.
Vereadores, secretários de governo, imprensa e população acompanharam o lançamento. O secretário municipal de Saúde, Dalmir Pedra, destacou a importância do programa. “A gestão Isaac Carvalho tem como desafio melhorar cada vez mais a saúde de Juazeiro. E, juntamente com os parceiros, iremos trabalhar para atingir esse objetivo através de mais um importante programa para o município”, destacou o secretário.
Fonte: Daniela Duarte/Sesau
Pernambucanas tiram nota mil na redação do Enem
Diante do tema A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira, as pernambucanas Andreza Cavalcanti, 17, e Laís Vasconcelos, 20, utilizaram elementos bem diferentes para compor suas redações no Enem. Andreza escreveu sobre a exploração do corpo feminino nos comerciais de cerveja. Laís optou por falar dos abusos sofridos pelo personagem central de A bela adormecida. Expressando-se com propriedade sobre o tema, na visão dos avaliadores, ambas obtiveram o mesmo resultado: a nota 1000, alcançada por apenas 104 dos 5,8 milhões de candidatos.
Andreza, que estudou até o 3º ano na Escola Estadual Professor Trajano de Mendonça, descobriu que fazia parte dos seleto grupo que tirou nota máxima às 20h da última sexta-feira, quando finalmente conseguiu acessar o sistema. Momentos antes havia fechado os olhos com medo de se decepcionar, mas a alegria tomou conta dela.
Ela conta que a dedicação a um projeto social na escola chamado Rosa e Lilás lhe ajudou a conhecer de perto o combate à violência contra a mulher e favoreceu na construção do argumento. “É obvio que a mulher só está ali (nos comerciais de cerveja) para ilustrar e vira um produto.”
Por experiência, no exame de 2014 ela conseguiu 680 na redação. Quem ajudou Andreza a sair dessa nota baixa foi a professora do curso Fernandinho e Cia, Tereza Albuquerque, 40, mestra em gênero pela UFRPE. “O Enem tem uma forma própria de exigir do aluno uma produção textual. E um dos discursos é a preocupação com os excluídos. A importância do reconhecimento da lei, a luta contra o preconceito. Se eu levo em consideração a importância desses fatores, a nota vai ser alta”.
A mãe de Andreza, Maria Betânia Pereira, 48, ficou emocionada ao saber do resultado. “Não tem tamanho, é muita felicidade uma filha sair do ensino médio, entrando numa universidade com 17 anos, é muita emoção”, comemorou.
Laís Vasconcelos, 20, também alcançou a nota máxima na redação do Enem. A estudante mostrou que é possível lutar em defesa de dias melhores e um mundo com mais respeito às mulheres. “Citei a Bela adormecida para mostrar a questão da violência simbólica que a mulher sofre e abordei como isso é relacionado com a violência física, pois isso é imposto no consciente desde criança. Aparentemente é simples, mas na prática pode naturalizar muitos tipos de violência”, argumentou Laís. Ela desistiu do curso de design na Universidade de Pernambuco (UFPE) para sair em busca do sonho de ser médica. (DP).
Petrobras reduz meta de produção de petróleo no Brasil
A Petrobras reduziu a meta de produção de petróleo no Brasil em 2016 de 2,185 milhões de barris por dia (bpd) para 2,145 milhões de bpd, uma variação negativa de 1,8%. Em outubro passado, quando a estatal promoveu o primeiro ajuste no Plano de Negócios e Gestão (PNG) 2015-2019, as previsões de produção da companhia ficaram inalteradas. Agora a expectativa da Petrobras para o médio prazo também é menos favorável, com uma produção estimada de 2,7 milhões de bpd em 2020, abaixo dos 2,8 milhões de bpd previstos inicialmente.
A sinalização menos favorável para os próximos anos contrasta com o número positivo registrado em 2015. A produção média de petróleo no Brasil por parte da estatal atingiu 2,128 milhões de bpd no ano passado, acima dos 2,125 milhões de bpd estimados anteriormente. O número alcançado em 2015, destaca a companhia em fato relevante publicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ficou 0,15% acima da meta para o período e 4,6% além da produção de 2014, que ficou em 2,034 milhões de bpd.
“Este resultado representa o recorde anual histórico de produção de óleo da companhia, superando o recorde alcançado em 2014”, complementa a Petrobras.
As novas previsões de produção da Petrobras são citadas em documento no qual a estatal anuncia novos ajustes no PNG 2015-2019, assim como já havia ocorrido em outubro do ano passado. Na oportunidade, a estatal reduziu a previsão de investimentos para o quinquênio e anunciou novas premissas para o Brent e para o câmbio, o que veio a se repetir hoje. A principal novidade dos ajustes anunciados agora é a nova previsão de produção.
“A Petrobras vem trabalhando no aprimoramento contínuo do seu Plano de Negócios e Gestão e na rápida adaptação às mudanças em seu ambiente de negócios, preservando seu compromisso de atuar com disciplina de capital e rentabilidade”, justifica a companhia.
Para reforçar doação de sangue para Carnaval antecipado, Hemóvel tem novo cronograma em Juazeiro
A Fundação Hemoba modificou o cronograma da passagem do Hemóvel em Juazeiro (BA). Para um melhor atendimento à população, o ônibus vai estacionar nesta terça (12), quinta (14) e sexta-feira (15) na Praça da Misericórdia, no Centro; na quarta-feira (13) o veículo vai até o distrito da Maniçoba, na zona rural, como parte da Caravana da Saúde. O atendimento acontece das 8h às 12h e das 14h às 17h. O cadastro de doadores será encerrado assim que completar a capacidade máxima de atendimento diário.
A ação itinerante vai reforçar a doação de sangue no período que antecede o Carnaval antecipado da cidade, que acontecerá de 21 a 24 de janeiro. Agora o Hemóvel faz parte do programa Saúde Sem Fronteiras, iniciativa da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), que engloba serviços itinerantes para levar assistência ao interior da Bahia.
Para doar sangue, o candidato deve apresentar documento oficial com foto, pesar acima de 50 quilos, estar descansado (ter dormido pelo menos seis horas na noite anterior), não ingerir bebida alcoólica nas 12 horas anteriores, e evitar comidas gordurosas nas quatro horas que antecedem a doação e ter entre 16 e 69 anos.
Contribuinte de Juazeiro pode emitir alvará pela internet
JUAZEIRO – A emissão do Documento de Arrecadação Municipal (DAM) para recolhimento da Taxa do Alvará de Funcionamento (TFLF) está disponível no site da Prefeitura de Juazeiro (BA) a partir de hoje (12). Os valores não superiores a R$ 338,31 deverão ser pagos em cota única até o dia 29 de fevereiro. Os valores superiores a R$ 338,31 poderão ser pagos em duas parcelas, sendo o vencimento da primeira no dia 29 de fevereiro e a segunda em 30 de junho.
Os contribuintes poderão imprimir o DAM através do site www.juazeiro.ba.gov.br, no link “arrecadação”, ou solicitar a sua impressão no Serviço de Atendimento Municipal, na Secretaria da Fazenda Municipal, ou ainda na Secretaria de Meio Ambiente e Ordem Pública (Semaop), na rua Oscar Ribeiro, s/n, no Centro da cidade.
UPE adia inscrições para o PREVUPE 2016
PETROLINA – As inscrições para o Pré-vestibular da Universidade de Pernambuco (Prevupe) foram adiadas. A informação foi divulgada pela instituição. “A Coordenação Geral do Prevupe, vem a público informar que o processo seletivo para o referido projeto, foi adiado. Em breve informaremos o novo cronograma”, informou, através de nota publicada no site da instituição.
As inscrições estavam previstas para ter início ontem (11). O edital, que estava disponível no portal da Upe, foi retirado do ar. Ainda não há previsão para divulgação do novo cronograma. Vale frisar que as aulas do Prevupe são gratuitas e exclusivas para estudantes que cursaram ou que estão cursando o 3º ano do ensino médio em instituição pública.
Professor: aviltamento do gosto
Seu moço me dê licença
de vir arejar um pouco:
Estou com a cabeça quente
de tantas aulas que dei.
O POETA:
Muito obrigado ao senhor,
não me ensinou coisa alguma.
Sendo assim caí no mundo,
aprendi foi por mim mesmo
sem o método Declory.
Louvada seja a burrice,
não tentou meu professor
a me ensinar coisa errada
no deserto do colégio,
coisa alguma me ensinou.”
(Murilo Mendes, “Bumba-meu-poeta” in O menino experimental)
A personagem do professor me intriga. Observo-a com certa atenção há alguns anos. Necessário fazer suposições. Talvez devido ao fato de guardar-lhe interesse, pensar em tornar-me, transvestir-me com suas indumentárias. Talvez por reservar-lhe aversão, recrudescida nos últimos tempos. Todavia, acaso as nossas aversões não se nos apresentam como desvios da aversão que temos a nós mesmos? Cioran que o diga. Abujamra, professor, desejava o fim de tal ser. Outro, amigo meu, num primeiro dia de aula, dissera-nos: “Meu objetivo é tornar-me desnecessário”. Ainda alguma lição a ser passada? Raul pensava que não.
Atentai: cá, falo do arquétipo do professor. Ou melhor, da forma que eu vejo tal arquétipo. Ora, nunca lidamos com o real. As narrativas reverberam, multiplicam-se – eis a minha. Aqui, como na “Khora” de Platão, o sensível se instala para ser cópia do inteligível. Não deve assaltar, aos dois ou três que me leem, o rótulo da generalização.
Péssimo aluno crônico, restou-me alguma sorte. Conheci excelentes professores. Poucos, expletivo dizer. Por estes, a minha primeira suposição. Devotei-lhes admiração sincera. Eles, precisamente os que não conheciam as famigeradas ementas. Tecnicamente, ou melhor, da cartilha, nada me ensinaram. Sabiam dos livros, porque leitores ávidos. E por tal, não nos subestimavam, evitavam o desrespeito profundo: a lição corriqueira, ordinária, nas prateleiras, ao alcance de todos. Falaram-me da vida, narrativas que nunca me faziam estafar, aborrecido. Se fracassar na vida, Cioran, é ter acesso à poesia, todos eles eram fracassados exuberantes. Suas aulas, como queria Warat, eram concertos de jazz. Uma maravilha. Devido a eles, o meu gosto pela leitura. Através deles, este rompante de pensar em imitá-los na escolha da profissão. Tudo incerto, duvidoso, porém.
Há ainda a minha segunda prognose. Fora ela quem me trouxera a antipatia, a ojeriza que conflita com o lado mirífico sobredito. Aqui, onde o poder é inoculado no discurso. Os inseridos nesta suspeita, para que não sejam particularizados, podem ser identificados como “vozes autorizadas”, a lembrar Barthes. Borrando o quadro pintado no parágrafo anterior, eles nos retiram todo o espaço de liberdade: a sala, ante as suas gerências, é espaço circunscrito, delimitado, local de hierarquias.
Barthes, em 1977, pronunciara a sua aula inaugural da cadeira de semiologia literária. Lá, no Colégio de França, pontuara: “Chamo discurso de poder todo discurso que engendra o erro e, por conseguinte, a culpabilidade que o recebe”. Certeiro. As vozes autorizadas, dentro da relação professor-aluno, têm, como norte, o incutimento do erro. Tal, antes de conhecer Barthes, aprendi no cotidiano da sala de aula. O erro infundido, parece-me claro, é condição necessária para a permanência desta relação. É ele quem possibilita a eterna dependência entre o que ilumina e a sombra. E aquele professor, citado no início, a clamar por sua desnecessidade…
Se o erro, pois, possibilita esta relação, a culpabilidade, enfim, a efetiva plenamente. A culpa, sabemos, pede uma punição. Nossas vozes autorizadas – ora essa! – refestelam-se. Lembremos a prova, esta camisa de força da educação, como chamara Werneck. É ela o nosso maior exemplo do que estamos a falar. Primeiro, projeta o erro; Após, a culpa que pede castigo – a nota. Em “Idade da razão”, de Sartre, a personagem Boris, circunvalada pela figura do mestre, achava indecente um rapaz de sua idade pensar por si. Eis o martírio: o erro e a culpa, que engendram o medo, criam duas figuras (mestre e discípulo), de sorte a efetivar as hierarquias universitárias.
Necessário citar Foucault. O ingênuo precisa deixar de sê-lo. Principalmente, o esperto carece saber a propósito dos atentos. Nem todos dormem, apesar. Citemo-lo, enfim. Em “A ordem do discurso”, página 44, diz-nos o autor: “Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo”.
Ao que parece, sobrara-nos dois lados. Entre professores que se pretendem desnecessários e professores afanados por olhar ínfero, resta-me, portanto, optar pelo clarão de Cioran: “Matar o discípulo que havia em mim”.
Breno S. Amorim
Novos Conselheiros Tutelares de Petrolina são empossados
PETROLINA – O prefeito empossou, neste domingo, os dez Conselheiros Tutelares de Petrolina eleitos na última eleição no dia 4 de outubro de 2015.
A cidade foi divida em duas regiões: O Conselho Tutelar 1 – atenderá na Rua das Laranjeiras , 67 Centro. Os Conselheiros que atenderão nessa região são: Niltiany Freire, Hiago Cavalcanti, Gileade Azevedo, Francisco Gilvan e Regislane Pereira.
E o Conselho Tutelar 2- atenderá no endereço na Rua Carretão, 76 – Gercino Coelho e os Conselheiros que atenderão nessa região são: Evaldo Francisco, Silvana Barbosa, Regicleide Bomfim, Yasmim Araújo e Maria de Lourdes Cordeiro. Os novos Conselheiros terão mandato de 4 anos
O Conselho Tutelar é um órgão público, permanente e autônomo, não jurisdicional, eleito pela comunidade local para zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Atua no âmbito do município e tem a função específica de atendimento a cada caso de maus tratos, espancamentos, violência sexual, negligência, exploração do trabalho infantil, abandono ou qualquer outra forma de violência cometida contra crianças e adolescentes. Suas atribuições estão previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Fonte: Assessoria de Cidadania/ASCOM
TCU: país pode ficar sem transposição e sem São Francisco
Uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) acionou um alerta: o programa de transposição das águas pode gerar sérios comprometimentos ambientais ao rio São Francisco. De acordo com o relatório, obtido pelo Fato Online, auditores do TCU constataram uma série de irregularidades e negligencias no PRSF (Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco). Mesmo antes de concluída a obra de transposição, os técnicos já perceberam, por exemplo, que a vazão do Velho Chico, como é chamado, e de seus afluentes, pode estar sendo reduzida por causa da erosão das suas margens.
O PRSF faz parte do projeto de transposição do rio e tem como meta realizar ações voltadas para a sustentabilidade socioambiental. Em 2011, em outra vistoria, o TCU já havia constatado diversas falhas na execução do programa. E pediu providências. Quatro anos depois, porém, pouca coisa mudou.
É no São Francisco que o governo executa uma de suas principais obras. A transposição das águas do rio, que corta os estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, numa extensão de 2,7 mil km, é vista como uma solução para as secas constantes no Nordeste. Para acompanhar o empreendimento, o governo desenvolveu um programa para a recuperação das áreas degradadas, a conservação e uso racional dos seus recursos naturais e hídricos, a sua despoluição, entre outras coisas. E, desde 2001, esse projeto vem sendo acompanhado pelo TCU.
Em 2011, durante uma auditoria, o tribunal encontrou diversas irregularidades, e em nova inspeção, no final do ano passado, constatou que pouco mudou. “O monitoramento realizado pela Secretaria de Controle Externo da Agricultura e do Meio Ambiente apresentou resultados que merecem atenção deste Tribunal, em especial pelo fato de que o MMA (Ministério do Meio Ambiente) e a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) não cumpriram de modo satisfatório nenhuma das recomendações”, diz o relatório, se referindo à auditoria feita há quatro anos.
O documento aponta diversas irregularidades. Mas uma delas é a mais preocupante. “O cenário apresentado no monitoramento demonstra que as medidas recomendadas pelo TCU (em 2011) não estão sendo implementadas”, afirma o ministro relator, Augusto Nardes, o mesmo que sugeriu as rejeições das contas do governo da presidente Dilma Rousseff por causa das pedaladas fiscais. “Tal fato se faz gravoso quando a própria Agência Nacional de Águas divulga que a bacia do São Francisco vem sofrendo condições hidrológicas que estão prejudicando os reservatórios da bacia”, observa o ministro, acrescentando: “Segundo a equipe (do TCU), existem indícios de que a vazão do Rio São Francisco e de seus afluentes, pode estar sendo reduzida, entre outros motivos, pelos processos erosivos que têm provocado o assoreamento e rebaixamento do lençol freático”.
No relatório, o ministro Augusto Nardes avalia que continua pendente a elaboração de indicadores de desempenho capazes de medir a efetividade das ações voltadas à recuperação e ao controle de processos de erosão no Programa de Revitalização do São Francisco. “Dessa forma, se faz oportuna a sugestão para que o Ministério do Meio Ambiente apresente um conjunto de plano de ações, com o detalhamento contido em seu relatório de fiscalização para que o potencial problema da erosão da bacia não se transforme em verdadeira agressão ao meio ambiente e à população local”, observou Nardes. O relator também alertou aos gestores de que o não cumprimento das determinações do TCU pode acarretar em multas.
O Programa de Revitalização do São Francisco tem projetos para garantir alternativas econômicas, principalmente para os ribeirinhos. Um deles, o que oferece sementes e mudas de árvores frutíferas, tinha soluções pontuais. Assim como os mecanismos para incentivar os moradores locais a recuperar e preservar as margens do rio, suas nascentes e encostas, também não foram executados a contento pelo governo, segundo o relatório do TCU.
O TCU apontou, ainda, que recursos destinados à manutenção dos CRADs (Centros de Referência em Recuperação de Áreas Degradadas) também foram reduzidos. “Para uma melhor dimensão de análise dessa questão, apesar de o gestor ter afirmado a prioridade do projeto, os orçamentos para cada CRAD previstos para os anos de 2012 a 2015, em valores aproximados de R$ 300 mil ao ano, foram contingenciados em 50%”, observa o relatório.




