Marcelo Rubens Paiva: “A morte de inocentes, como Amarildo, é resquício da ditadura”
“As pessoas pensam: puxa, aqueles caras que combateram a ditadura são esses aí? Dilma, José Dirceu, Genoino? Não são só eles. Quem combateu mesmo fomos nós, foram professores, estudantes, intelectuais, foi Caetano Veloso, Chico Buarque, Glauber Rocha, a imprensa, meu pai…”
O deputado Rubens Beyrod Paiva, pai do escritor, foi um dos primeiros desaparecidos políticos da ditadura brasileira, Paiva foi torturado e assassinado em 1971 por militares, o golpe de Estado, que completou 50 anos esta semana.
Na Comissão Nacional da Verdade, o coronel Paulo Malhães, ex-agente do Centro de Informações do Exército, em depoimento contou os detalhes nefastos da anatomia dos crimes, de como os cadáveres dos militantes mortos, como o do ex-deputado Rubens Paiva, eram mutilados e eliminados para não deixar vestígios. E a logística implicada para despejar no mar os restos mortais do deputado assassinado. O militar, hoje reformado, teria agido diretamente no desaparecimento do corpo de Rubens Paiva.
O cinquentenário do regime ditatorial, o escritor Marcelo Rubens Paiva, em entrevista ao Jornal Espanhol EL PAÍS, revivendo o anos de chumbo, disse que nunca foi a favor de luta armada e nem comunista e que o Brasil precisa contara a verdade e punir os responsáveis pelos crimes de lesa-humanidade que ainda estiverem.
Para o Marcelo, cidadão brasileiro, é necessário reconhecer que vícios da ditadura se mantêm, como o desaparecimento de pessoas inocentes, em plena democracia. “Meu pai não era guerrilheiro, nem era comunista. Era um típico integrante da família de classe média brasileira”, explica. “Amarildo, o pedreiro desaparecido no Rio, também não era traficante. A morte dele no ano passado é a evidente herança da ditadura no Brasil”.
O Estado matava os cidadãos brasileiros, cujo único ‘crime’ era defender a liberdade.
Por: Adão Lima de Souza





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